Belas Maldições (Neil Gaiman & Terry Pratchett)

Partindo da premissa da descoberta do livre-arbítrio e o que ela acarretou para Adão e Eva e do papel da serpente Crawly e do anjo Aziraphale nestes acontecimentos, Gaiman e Pratchett assumem o papel de compiladores e narradores de fatos que apesar de recentes na história humana têm raízes no Éden e crescem em direção ao Apocalipse.

Há 300 anos Agnes Nutter publicou um livro com as mais Belas Maldições, que não são maldições são previsões e que de belas não têm nada porque o que elas predizem é a destruição da humanidade. Essas previsões estão estritamente relacionadas com os acontecimentos dos últimos 11 anos e Crawly, que agora se chama Crowley, e Aziraphale tem participação garantida. Após a expulsão do primeiro casal do paraíso, Crawly um “anjo” caído (que na verdade não caiu, mas sim desceu rastejando) vive na Terra desde então, assim como Aziraphale que agora é dono de um sebo, mas que faz de tudo para evitar ter que vender algum de seus exemplares.

Há onze anos, que é quando essa história começa, Crowley recebeu uma incumbência das profundezas infernais: ele precisa trocar o bebê do Adido Cultural Americano pelo filho do Anticristo, o que ele não contava era com o parto da Sra. Young no mesmo hospital e com a confusão que as freiras iriam aprontar. A troca errada na maternidade colocará em xeque os planos do reino lá de baixo e também as ações de Crowley e Aziraphale para evitar o fim do mundo. Afinal, onze anos se passaram e o fim não demorará mais de uma semana para chegar, aliás ele chegará no próximo sábado.

“Crowley sempre soubera que estaria por perto quando o mundo acabasse, porque era imortal e não teria outra alternativa. Mas esperava que ainda demorasse muito. Porque ele gostava das pessoas. Era um grande defeito num demônio.”

Mas, para evitar o fim, o filho do Anticristo precisa ser encontrado e morto e acontece que o filho dele é Adam, um garoto legal e dono de um cão satânico que de satânico não tem nada. Os dois conseguirão evitar o fim dos tempos? Adam terá que ser sacrificado para que a humanidade continue a existir?

Gaiman e Pratchett nos apresentam uma história em que não há mocinhos e bandidos, pelo menos não no sentido estrito. Aziraphale, apesar de anjo não é mais bonzinho que Crowley e este apesar de demônio, pensa mais na humanidade do que o aceitável para os de sua espécie. E para piorar ainda mais a situação, os autores nos colocam em uma sinuca de bico. Como podemos torcer para Crowley e Aziraphale conseguirem seu intento, quando este envolve um garoto que acima de tudo ama seu lar e o lugar onde vive? Mas, como podemos torcer para que o Apocalipse chegue e extermine todas as formas de vida?

Com várias referências à clássicos da literatura e do cinema e com críticas mascaradas de entrelinhas, mas na verdade escancaradas para o leitor mais atento, Gaiman e Pratchett vão tecendo em volta do enredo principal várias histórias secundárias, que mesmo que a priori pareçam destoar da trama no fim se entrelaçam e compõem com maestria o retrato do Armagedon. Um retrato irônico e sarcástico que faz jus às precisas previsões de Nutter. Espero que tenha ficado curioso em saber o que reserva o domingo.

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3 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

3 Respostas para “Belas Maldições (Neil Gaiman & Terry Pratchett)

  1. Belas Maldições (ou Good Omens no original) é um dos livros mais engraçados que li na vida!
    A junção do humor britânico de primeira qualidade de Pratchet com o ocultimo de Gaiman casam perfeitamente bem!
    Senso de humor afiado, conteúdo crítico (como você ressaltou, oculto para uns mas enscancarado para outros), enredo com um ótimo ritmo e personagens muito bem construídos perfazem este trabalho em conjunto de dois autores fantásticos (no conceito mais mágico da palavra)!

    ‘Belas Resenhas’

    cheers

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