O Mistério da Torre Negra (Louis Bayard)

Fatos históricos servindo de mote. O período retratado? A transição entre o governo imperial de Napoleão e a restituição da monarquia, mas como se não bastasse isso, algo precisa ser investigado e temos um detetive de peso escalado para esse papel…

Em 1793, o rei Luís XVI e Maria Antonieta foram depostos e guilhotinados durante a Revolução Francesa que colocou Napoleão no poder. Luís Carlos, o herdeiro real, de apenas sete anos, sobreviveu à morte dos pais e por quase três anos foi mantido prisioneiro na Torre do Templo, aonde viria a falecer em 1795. Porém, logo após sua morte surgiram rumores de que ele tinha escapado desse trágico destino e de fato nunca se soube o que aconteceu a ele.

O fato é que a hipótese da fuga foi mantida viva entre o povo francês durante décadas. E é esse o mote utilizado por Bayard: a investigação desse desaparecimento, já que surgem evidências de que o delfim perdido realmente ainda está vivo. Para comandar essa investigação, Bayard toma emprestada outra figura histórica, o detetive Vidocq. Considerado o pai da criminologia, ele fundou a Brigade de Sûreté, a célebre polícia francesa em 1810.

A história nos é contada como reminiscências de Hector Carpentier sobre seu primeiro encontro com Vidocq em 1818, devido ao assassinato de Chrétien Leblanc. Assassinato que traz à luz um segredo envolvendo o delfim e que colocará Hector e Vidocq na busca pela verdade.

Assim como a memória às vezes precisa de um tranco para funcionar, a narrativa de Bayard no início é um tanto quanto árida e o ritmo de leitura demora um pouco a engrenar. Mas isso só até que as cartas sejam postas à mesa, pois Bayard nos aguça a curiosidade que é difícil largar a leitura sem antes saber se o delfim sobreviveu às penúrias do claustro ou não.

A ideia de intercalar com a narrativa os “registros” do médico de Carlos durante a sua confinação no Templo é um ponto positivo, o que nos permite antever algumas conclusões dos personagens, mas sem estragar o clímax da investigação. A forma como Bayard constrói o seu Vidocq e a relação deste com Hector também é interessante e serve para pontuar a trama com momentos divertidos através das “tiradas” sarcásticas do detetive e da timidez e falta de atitude de Hector. Bayard nos apresenta os fatos históricos sem muitas delongas, situa bem o leitor e transforma a França de 1818 em um excelente palco para a atuação do detetive. Um bom romance histórico investigativo que não deve nada às situações criadas pela rainha do crime ou por Sir Doyle.

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