Aléxandros – Os Confins do Mundo (Valerio Massimo Manfredi)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do último livro da trilogia Aléxandros, pode haver spoilers sobre os fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei do primeiro livro, clique aqui  e do segundo clique aqui.

E eis que chegamos ao fim de mais uma trilogia, acompanhando a crueza das batalhas, a barbárie das conquistas e sim, muito sangue. No segundo livro nos despedimos de Alexandre em território egípcio e é lá que nos reencontramos. O conquistador visita o templo de Amon (o correspondente egípcio de Zeus) e é decretado por este como sendo seu filho e sendo filho de um deus é então, coroado faraó.

A cidade de Alexandria estava sendo construída, mas, pelo que sabemos da história e pela índole do personagem seria impossível esperar que Alexandre voltasse para a Macedônia. Antes de voltar para casa ele tinha pretensões de ir mais além, onde nenhum outro homem esteve antes então, é claro que o último volume está repleto de batalhas, disputas e ações políticas.

Alexandre parte novamente em direção à Pérsia e à Ásia, em direção à sua última e decisiva batalha contra o Grande Rei persa Dario. No percurso, ele perde entes queridos, faz novos tratados políticos e se casa, mais de uma vez que é para manter o costume ensinado pelo pai. Ao conquistar a Pérsia, Alexandre não subjuga o povo, mas tenta uma miscigenação entre os povos chegando mesmo a acatar alguns costumes persas. Decisão que faz com que ele perca o respeito e a confiança de muitos dos seus subordinados surgindo até mesmo conspirações para matá-lo. Em seu afã por conquistar o mundo, Alexandre esqueceu-se de quem era e de onde veio. O empreendimento de libertar as cidades gregas das garras dos persas transformou-se em algo muito maior que nem mesmo ele era capaz de controlar. Alguns dizem que quem tudo quer tudo perde, quem sabe não foi a história do grande conquistador que inspirou essa máxima.

“[…] Muitos choravam em silêncio e as lágrimas escorriam devagar sobre aquelas barbas híspidas, sobre aqueles rostos marcados por oito anos de batalhas, de vigílias, de assaltos, de gelo e calor, de neve e de chuva. Choravam porque o seu rei não estava zangado com eles; ainda os amava como filhos e levava-os de volta para casa.”

Tudo que ele fez foi em demasia, amou demais, lutou demais, conquistou demais, foi duro demais em alguns momentos, perdeu a razão demais em outros e desejou demais conquistar o mundo. Acabou consumido por tanta demasia. Olympias fora avisada de que seu filho carregava em si uma chama de vida muito grande e que ainda que ele estivesse destinado a brilhar como nenhum outro antes dele sua chama também se consumiria rapidamente, o mundo testemunhou essa chama, mas também a viu tremeluzir e apagar quando menos se esperava. O garoto que partiu da Macedônia não chegou a rever sua terra novamente.

Manfredi encerra os fatos sobre a vida do conquistador com muita emoção e como ele mesmo disse tentando ser o mais fiel possível aos fatos históricos, ainda que essa parte da vida de Alexandre apresente muitas lacunas debatidas pelos historiadores. Como fã de romances históricos, gostei de conhecer um pouco mais sobre a vida de Alexandre e ir além do que os livros de história nos proporcionam.

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