A Cor que Caiu do Espaço (H.P. Lovecraft)

Quem nunca ouviu falar da criatura fantástica Cthulhu ou de livros como O Sussurro das Trevas e O Chamado de Cthulhu? Bem até pouco tempo atrás eu não conhecia, o Cthulhu ainda preciso conhecer, só sabia que eram contos escritos por H.P. Lovecraft e, apesar de sempre ouvir falarem muito bem de sua obra, sua produção literária continuava uma incógnita para mim. Decidida a sanar esta falta comprei o volume de A Cor que Caiu do Espaço, publicado pela Hedra. Não sei se essa seria a obra recomendada pera iniciar-me pelos caminhos lovecraftinianos, mas confesso que o Espaço no título chamou minha atenção.

Como bem explicado na introdução escrita pelo Guilherme da Silva Braga, também responsável pela tradução, A Cor que Caiu do Espaço marcou a transição de Lovecraft dos contos de terror puristas/tradicionais para algo mais próximo da ficção científica. E tenho que confessar que gostei da cientificação proposta pelo autor e como boa fã de Arquivo X, acho que Lovecraft poderia ter contribuído com roteiros bem interessantes para a série, de fato é até possível imaginar Mulder e Scully investigando os acontecimentos de Arkham.

“O lugar não faz bem para a imaginação e não traz sonhos tranquilos à noite.”

A oeste de Arkham a natureza é selvagem, há resquícios de antigos habitantes, mas estes foram embora há muito tempo. No local uma represa está para ser construída e o responsável técnico da obra é o narrador que toma conhecimento da antiga história do lugar e compartilha conosco.

Nessa região, há um lugar denominado descampado maldito, cinco acres de terra corroída e cinzenta. Cinco acres de terra que em 1882 alojaram um estranho objeto vindo do espaço, um estranho meteorito e a partir de então, foram testemunhas de acontecimentos funestos, inexplicáveis, responsáveis por toda aquela desolação. Apenas o invólucro (o meteorito) era físico, a causadora dos acontecimentos estranhos, das tragédias, era algo imaterial, liberta de sua estranha carapaça pelos cientistas, de cor indefinível entranhou na terra e com sua cor mudou a vida do povo de Arkham. Sempre tive mais medo do desconhecido, do imaterial, das não entidades. Algo que você não pode ver, mas pode sentir toda sua maleficência é muito mais aterrorizante do que um monstro com a boca ensanguentada, e Lovecraft soube usar isso muito bem em sua narrativa. Em nenhum momento sabemos/descobrimos que estranha criatura é essa (se é que ela seja uma criatura) e é justamente esse desconhecimento que supre a narrativa de pavor e nos faz desejar nunca conhecer um lugar como Arkham.

O conto é bem curto, terei que ler outros contos do autor para decidir-me se engrossarei as fileiras de fãs ou se ele será apenas mais um da minha lista de leitura. Mas gostei da amostra que tive e os artigos escritos pelo autor e acrescentados à edição pela Hedra foram muito bem-vindos para ajudar a entender o arcabouço ficcional criado por ele.

“Nada… nada… a cor… ela queima… fria e molhada… mas queima…”

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