Cotoco (John Van de Ruit)

Cotoco, O diário (perversamente) engraçado de um garoto de 13 anos, marcou o début do sul-africano John Van de Ruit como escritor. A obra publicada originalmente em 2005 fez muito sucesso, sendo traduzida para vários idiomas e em 2010 a editora Intrínseca traduziu e publicou esse que é o primeiro livro da série que contará com quatro livros, dos quais três já foram publicados: Cotoco (Spud), Spud – The Madness Continues e Spud – Learning To Fly.

Em 1990 dois fatos importantes tomavam lugar na África do Sul: a libertação de Nelson Mandela e o início das aulas de John Milton em um renomado internato para garotos. O garoto tem o hábito de escrever diários e através de suas observações acuradas, humoradas e ácidas começamos a acompanhar sua mudança para a nova escola, as dificuldades enfrentadas, aventuras com os companheiros de alojamento e todos os interesses de um garoto de 13 anos.

Com uma família fora do comum, leia-se um pai com mania de perseguição e com as ideias mais mirabolantes, uma avó doida de pedra (ou que se faz de doida para conseguir o que quer) e uma mãe não muito normal (já que atura todas as loucuras do marido), John vê na nova escola uma forma de escapar de tanta insanidade, mal sabia ele que seu destino já estava traçado. Além da escola não ser um dos ambientes mais sãos, de todos os dormitórios da escola, talvez ele tenha sido colocado em um com as figuras mais insanas, oito garotos (contando com ele) com apelidos como Cachorro Doido, Rambo, Esponja, Rain Man… ambiente propício para muitas loucuras…

“Cheguei à conclusão de que sou uma ilha de sanidade cercado por um mar de gente maluca. Por outro lado, é exatamente isso o que diria um maluco de hospício. A todo instante me pego olhando no espelho à procura de sinais de loucura: um olho que treme, um fiapo de espuma que escapa da boca.”

Confesso que o início da narrativa não me empolgou, tanto é que comecei a lê-lo, dei uma pausa na leitura e li outros livros até “criar coragem” e retomar a leitura, isso porque o início da história traz muito Cotoco reclamando de sua família doida, discorrendo sobre as brincadeiras de mau gosto dos companheiros de quarto e com crise existencial por causa da alcunha que lhe deram, John recebeu o apelido de Cotoco por causa de suas partes pudendas pouco desenvolvidas. Pode até ser interessante para um garoto acompanhar essas narrativas, mas elas acabam ficando cansativas. Ainda bem que logo vieram os jogos de críquete, de rúgbi e as aulas de literatura do professor Guv!

E aqui tenho que elogiar Van de Ruit que soube criar um relacionamento de tutoria entre Guv e Cotoco, adorei a forma como o professor começou a inspirar o protagonista à ter aventuras literárias, os almoços de segunda-feira (que na verdade eram uma desculpa para uma espécie de clube de leitura regado a muito vinho) eram ótimos e assim como Cotoco também passamos à aguardá-los ansiosamente. Foi possível conhecer novos autores, matar saudades de alguns e ser cativada pelo Guv nessa parte:

“’Johnny, você precisa saber que este é, sem sombra de dúvida, o melhor livro que um ser humano já escreveu. Na minha opinião, esta é a prova cabal de que Deus existe. E, acredite, quem está dizendo isso é um fervoroso ateu.’

[…]

O livro se chamava O Senhor dos Anéis.”

Tem como permanecer indiferente?

A partir daí a história ganha ritmo, as aventuras ficam mais emocionantes, os relacionamentos interpessoais tomam forma (com direito até à garotas), as observações de Cotoco ficam mais irônicas e fica bem mais divertido acompanhar a história. Se no início não me via terminando o livro, a partir da metade do mesmo me peguei devorando-o e não parando de lê-lo até chegar à sua conclusão, que tenho que dizer é excelente.

Assim como uma escola nova, na qual tudo é novidade e que pode ser difícil se adaptar, Van de Ruit nos presenteia com um protagonista diferente, mas que aos pouquinhos cativa com sua sinceridade e sensibilidade. Cotoco nos faz rir, nos faz chorar, provoca reflexão e nos mostra que o que a vida nos reserva é muito mais do que podemos imaginar.

O livro já conta com uma adaptação cenográfica, infelizmente sem previsão de lançamento no Brasil. Depois de ver o trailer, fiquei morrendo de vontade de assistir. A adaptação parece ter ficado bem legal.

Para saber mais:

Site da Penguin sobre o livro 

Site oficial do filme

Compre aqui:

Cultura Submarino Saraiva
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6 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia

6 Respostas para “Cotoco (John Van de Ruit)

  1. Eu já li várias resenhas legais sobre esse livro, mas ainda não tive a oportunidade de lê-lo…
    Vi muita gente comentando que o início é mais lento mesmo, mas que depois a história fica melhor! Já fico avisada para quando for ler o livro ^^

    Beijos,
    Nanie – Nanie’s World

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    • Nubia Esther

      Sim, mas toda a lentidão do início compensa por cada momento a partir da metade do livro. Ri muito lendo Cotoco, gargalhei em algumas partes para falar a verdade e até chorei em outras. Uma ótima história!

      Obrigada pela visita Nanie! ^^

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  2. Eu sou muito fã deste livro.

    ADOREI Cotoco. E quero muito ler a continuação ?:D

    Beijocas,
    Lariane – Leituras & Devaneios

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  3. Ceinwyn

    Adorei a resenha, entrou pra minha gigantesca lista de leitura depois dela! 🙂

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  4. Pingback: Um Autor de Quinta #25 | Blablabla Aleatório

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