George R. R. Martin entrevista Bernard Cornwell

Na página da Amazon vendendo o sexto livro da série Crônicas Saxônicas aparece uma entrevista com Bernard Cornwell feita pelo autor da série As Crônicas de Gelo e Fogo. Clique aqui para ver o original ou aqui para ver a tradução postada no Bernard Cornwell Brasil. Esta tradução abaixo foi feita por mim (perdoem desde já eventuais trechos mal traduzidos).

George R. R. Martin vendeu sua primeira  história em 1971 e escreve profissionalmente deste então. Ele passou dez anos em Hollywood como produtor/escritor, e trabalhou em The Twilight Zone, Beauty and the Beast e vários filmes e pilotos para a televisão que nunca foram feitos. No meio da década de 90, ele retornou à prosa, seu primeiro amor, e começou a trabalhar na série épica, As Crônicas de Gelo e Fogo. Ele está nos Sete Reinos desde então.

George R.R. Martin: Já faz tempo que eu notei que as o romance histórico e as fantasias épicas são, no fundo, irmãs, que os dois gêneros têm muito em comum. Minha série deve muito ao trabalho de J. R. R. Tolkien e de outros fantasistas incríveis que vieram antes de mim, mas eu também li e apreciei o trabalho de romancistas históricos. Quais foram os autores que te influenciaram? Ficção histórica sempre foi sua grande paixão? Você já leu fantasia?

Bernard Cornwell: Você está certo–fantasia e romance histórico são gêmeos–e eu nunca fui fã do rótulo “fantasia”, que é um pincel muito amplo e tem uma qualidade dúbia. Parece a mim que você escreve romances históricos em um mundo inventado que é baseado em uma realidade histórica (se os livros se passam no futuro, então ‘fantasia’ vira magicamente ficção científica). Então eu fui influenciado pelos três: fantasia, ficção científica e romances históricos, embora a maior influência têm que ser os livros de C. S. Forester’s Hornblower.

Martin:Um tema comum em várias fantasias épicas é o conflito entre bom e mau. Os vilãos são frequentemente Lordes das Trevas de diversas estirpes, com capangas demoníacos e legiões de subordinados tortos, malformados e vestidos de preto. Os heróis são nobres, corajosos, castos e bonitos. Sim, Tolkien fez algo grande e glorioso a partir disso, mas nas mãos de escritores menos hábeis, bom… digamos apenas que esse tipo de fantasia não me interessa mais tanto. São as personagens cinzas que me interessam mais. São sobre eles que eu prefiro escrever… e ler. Parece a mim que você compartilha esta afinidade. O que as personagens falhadas têm que as tornam mais interessantes que os heróis convencionais?

Cornwell:Acho que todos os nossos heróis são reflexões de nós mesmos? Não estou afirmando ser Richard Sharpe (Deus proíba), mas eu tenho certeza que algumas partes da minha personalidade (ele é bem rabungento pela manhã). E talvez personagens com defeitos sejam mais interessantes porque elas são forçadas a fazer escolhas…. uma personagem convencional boa sempre vai fazer a coisa boa, moralmente correta. Entediante. Sharpe frequentemente faz a coisa certa, mas usualmente pelos motivos errados, e isso é muito mais interessante!

Martin: Quando Tolkien começou a escrever O Senhor dos Anéis, sua intenção era que fosse uma sequência de O Hobbit. “A história cresceu ao ser contada,” ele disse depois, quando SdA virou a trilogia que conhecemos hoje. Esta é uma frase que eu frequentemente tive que citar ao longo dos anos, já que o meu As Crônicas do Gelo e Fogocresceu dos três livros que eu vendi originalmente para os sete (cinco publicados, mais dois para escrever) que estou produzindo. Muito do seu trabalho tomou a forma de séries de vários volumes. Suas histórias também “crescem ao serem contadas” ou você sabe antes de começar a escrever o tamanho da jornada? Você sabia quantos livros a história de Uhtred ia tomar, quando começou a escrevê-la?

Cornwell: Sem idéia! Eu não sei nem o que vai acontecer no próximo capítulo, quanto mais no próximo livro, e eu não faço idéia de quantos livros uma série pode ter. E. L. Doctorow disse algo que eu gosto que é que escrever um romance é como dirigir numa estrada deconhecida à noite e você só enxerga à frente o que o seu farol fraco mostra. Eu escrevo na escuridão. Acho que a felicidade de ler um livro é saber o que vai acontecer, e para mim é esta a graça de escrever um!

Espero que a tradução tenha ficado clara o suficiente!

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3 Comentários

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3 Respostas para “George R. R. Martin entrevista Bernard Cornwell

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  3. Puxa, que bacana, dois de meus autores favoritos!!

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