A Jogadora de Go (Shan Sa)

O local escolhido por Shan Sa para contar sua história é a Manchúria, que está localizada na parte externa da Grande Muralha da China e estava na zona de influência japonesa na época da história (entre as décadas de 20 e 30). Na Praça dos Mil Ventos, um local de encontro dos apreciadores do jogo de Go. Dois jovens estão destinados a terem seus destinos cruzados, ela uma jovem manchu de 16 anos e única mulher admitida no círculo dos apreciadores do jogo e ele, um jovem soldado japonês que faz parte das forças de ocupação japonesa no território chinês.

A autora optou por uma narrativa em primeira pessoa, seus personagens narradores são a Jogadora de Go e o Soldado Japonês. Eles não são nomeados, mas ao contrário do afastamento que podemos pensar que isso causaria. A falta de nomes nos torna mais próximos, como se fossemos nós os protagonistas. Shan Sa penetra e disseca o mundo psicológico de seus personagens e nos leva junto em sua viagem. Com capítulos alternados e curtos vai nos apresentando retratos da vida da jogadora e do soldado. Quadro a quadro ela delineia o cotidiano brutal da ocupação do país da jovem manchu, as missões diárias do soldado japonês e as escolhas que permearam suas vidas e os trouxeram até o presente. Utilizando o Go como metáfora e estopim para os eventos narrados, ela nos familiariza por um lado com o pensamento político da jogadora, sua busca pela liberdade e o desabrochar para o amor e por outro com a obediência servil, a crença na pátria e os infortúnios que marcaram a vida do soldado. Duas visões distintas sobre a mesma situação: o japonês que vê sua nação como superior à China e a chinesa que vê os japoneses como usurpadores de sua liberdade e de seu país. Duas visões destinadas a se encarar…

“…No instante mesmo em que eu entrava em seu quarto ele já sabia que faria de mim seu espião. Jogando go, trançou a rede que agora me prende: sou obrigado a deslizar para dentro da pele de um chinês.”

O soldado recebe a incumbência de se misturar entre os jogadores da Praça dos Mil Ventos e descobrir se em meio às jogadas, planos revolucionários contra a ocupação são tramados. Entre tantos jogadores, ele escolhe (ou é escolhido) pela única mulher ali presente e os dois se jogam em intermináveis partidas de go. Em meio às intricadas estratégias do jogo, a jogadora e o soldado desvendam a alma um do outro sem saber que eles mesmos eram peões no grande jogo travado por seus países. Dois peões presos nas armadilhas da guerra e que no fim da partida estão destinados a retornarem às suas respectivas caixas. A história de Shan Sa é curta, mas nem por isso menos carregada de emoções, assim como em um jogo ela nos deixa na expectativa dos próximos passos, ansiando pela conclusão derradeira, por um final que nem sempre é o que esperamos.

Esta é a segunda obra asiática que tenho a oportunidade de ler, adorei mergulhar em costumes que às vezes consideramos tão díspares e espero ter a oportunidade de fazer isso mais vezes.

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O que é o Go?

Com uma história que se desenrola ao redor de partidas de Go é impossível não sentir curiosidade pelo assunto. Pesquisando na internet, descobri que a prática é muito antiga, originou-se na China, evoluiu no Japão e hoje tem adeptos em várias partes do mundo, principalmente na Coréia do Sul onde existem até cursos universitários e canais de televisão dedicados exclusivamente ao Go. Atualmente há campeonatos mundiais de Go, no Japão e na Coréia. É considerado um jogo de regras simples, mas de grande capacidade estratégica. Segue a definição da Wikipédia:

Go, Weiqi ou Baduk é um jogo estratégico de soma zero e de informação perfeita para tabuleiro, em que duas pessoas posicionam pedras de cores opostas. Sua origem vem da antiga China, há cerca de 5 mil anos. O nome Go se originou da pronúncia japonesa de um antigo caractere (go), mas o jogo é chamado de 囲碁 (igo) no Japão. Em chinês seu nome é 圍棋 (trad.) / 围棋 (simp.) (pronuncia-se wéiqí ou Wei-Chi), e sua tradução significa “jogo de cercar (território)”. Também é conhecido como 바둑 (Baduk) na Coreia.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Go

Para mais informações vocês podem acessar o site da Associação Americana de Go (http://www.usgo.org/) e o site da Kiseido (http://www.kiseido.com/) que conta com informações sobre as regras do Go e disponibiliza o jogo online, ambos em inglês.

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3 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

3 Respostas para “A Jogadora de Go (Shan Sa)

  1. Ben

    Oi, ja li esse livro, e’ bem interessante mesmo, eu jogo go, descobri o jogo apos ler uma reposrtagem em uma dessas revistas ditas ‘cientificas’, ai estudava chines e pedi pra minha professora que ia para a China trazer um para mim, e’ um jogo complexo, exige muito do cerebro.

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    • Nubia Esther

      Olá Ben,

      imagino, não é a toa que é considerada o mais estratégico dentre os jogos de tabuleiro. Lendo o livro deu até vontade de aprender, quem sabe um dia…

      Obrigada pela visita! ^^

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  2. Pingback: Um Autor de Quinta #49 | Blablabla Aleatório

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