K-dorama: City Hunter

Quando comecei a acompanhar esse drama, tinha a pretensão de postar reviews de cada episódio a medida que eles fossem disponibilizados pelo fansub. Infelizmente o projeto atrasou e não pude seguir com meus planos, mas agora trago a review completa do drama. As reviews dos primeiros quatro episódios podem ser acessadas através do Índice de Doramas.

Teoricamente, a produção coreana é baseada no mangá homônimo escrito e ilustrado por Tsukasa Hojo e publicado entre os anos de 1985 e 1991. A obra rendeu quatro séries animadas para televisão, duas animações lançadas em vídeo (as famosas OVAs), um longa metragem de animação, um longa metragem estrelado por Jackie Chan e mais recentemente, o drama coreano estrelado por Lee Min Ho. Digo teoricamente, porque ainda que alguns elementos da série original estejam presentes, como o fato do personagem principal exercer a lei via caminhos não oficiais, ou utilizar mulheres como álibis, Yoon Sung não se parece com o detetive Ryo Saeba do mangá e a história criada pelos roteiristas Hwang Eun Kyung e Choi Soo Jin em nada lembra o plot criado por Tsukasa. No fim, acho que o que interessava para eles era poder utilizar a alcunha de City Hunter em seu personagem principal, nada mais.

City Hunter encaixa-se naquele tipo de drama que foge das tradicionais histórias românticas, tem muita ação, muitas cenas de lutas, muitas intrigas políticas e vinganças, mas não deixa o romance de lado (porque ninguém seria doido de ter Lee Min Ho como ator principal e não aproveitar seu lado galã).

  • Título: 시티헌터 / Sitihunteo
  • Gênero: ação, suspense, romance
  • Episódios: 20
  • Período em que foi ao ar: 25/Maio/2011 à 28/Julho/2011
  • Rede de televisão: SBS
  • Produtor: Kim Young Sup
  • Diretor: Jin Hyuk
  • Roteiristas: Hwang Eun Kyung e Choi Soo Jin

O grupo dos cinco

A história tem início em 9 de outubro de 1983. Esse dia foi marcado por dois acontecimentos: o nascimento do filho de Park Moo Yul e um atentado terrorista contra o presidente sul-coreano e seus diplomatas na Birmânia. Atentado que matou 17 diplomatas e que aconteceu no evento em que Moo Yul era um dos encarregados da segurança. Seguindo o exemplo das histórias de ação coreana, o drama explora a tensão entre as coréias, já que o atentado é obra dos norte-coreanos. E como sempre, há um grupo de políticos que decide se vingar à revelia das ordens presidenciais e que depois acaba tendo que voltar atrás e limpar a m**** que fizeram. Em City Hunter são cinco políticos que decidem montar uma força tarefa que irá infiltrar-se no exército norte-coreano e matar 30 generais. Moo Yul e seu amigo Lee Jin Pyo (interpretado por Kim Sang Joong) fazem parte desse plano e serão traídos por causa do poder. Traição que provocará a morte de Moo Yul e o juramento de vingança por parte de Jin Pyo. Mas, o desejo de vingança pode levar a ações deturpadas por parte de Jin Pyo que enxerga no filho de seu amigo a arma para executar sua vingança. Ele rouba o garoto da mãe, o leva para a Tailândia e o cria com extrema severidade e forte treinamento em armas e lutas marciais, só para depois voltar para a Coreia e começar o extermínio de um por um dos cinco traidores da pátria. Com alguns personagens interessantes, muitas cenas de ação e uma história que ainda que não seja extraordinária ou inovadora é bem concatenada, City Hunter cumpre seu papel como drama de ação e não fez sucesso a toa (tá bem que a presença do Min Ho deve ter contribuído muito para isso também).

Conhecendo os personagens:

Lee Yoon Sung, John Lee ou Poo Chai (interpretado pelo Lee Min Ho) depois de ser criado com muita rigidez na Tailândia, foi para os EUA estudar. O rapaz graduou-se no MIT e retornou à Coréia sob a alcunha de John Lee para trabalhar na equipe de comunicação da Casa Azul (a Casa Branca do governo coreano). No início do drama o rapaz ainda estava sob as rédeas de Jin Pyo e piamente seguia suas ordens, mas no decorrer da trama começa a mostrar que tem personalidade e a empreender sua própria forma de vingança. Que frequentemente o colocará em lados opostos com o pai. Se encanta pela Na Na desde antes de conhecê-la, mas não tem um pingo de tato em relacionamentos.

A imagem inicial de Kim Na Na (interpretada pele Park Min Young) sugere uma mocinha desamparada ou que não soubesse se defender. Mas, não é bem assim. Apesar dela ter um pai que há dez anos está em coma e estar atolada em dívidas por conta disso, a moça não se dá por vencida, tem vários trabalhos e ainda é hábil em artes marciais! A personagem tem fibra e carisma também. E seu trabalho como guarda-costas da filha mais nova (que de boba não tem nada e já reparou no oppa) do presidente coreano e também o trabalho (por baixo dos panos) com Yoon Sung renderam boas histórias.

Kim Young Joo (interpretado por Lee Joon Hyuk) é promotor do Ministério Público e é filho de Kim Jong Shik, um dos cinco políticos traidores. Desde o início da trama estabelece quase que uma relação de amor e ódio com o City Hunter. Yoon Sung encaminha para ele os políticos vingados, mas o promotor não se contenta em só colocar os grilhões nos salafrários, quer ser ele a prendê-los e de acordo com a lei. Então já esperem muitas disputas e embates entre Yoon Sung e Young Joo. O promotor é um personagem que tinha tudo para ser apenas secundário e ser ofuscado pelo papel do City Hunter, mas no decorrer da trama surgem implicações que acabam dando uma maior profundidade ao personagem, ainda que tenham deixado seu futuro de certa forma previsível.

Além dos personagens do núcleo principal, outros merecem destaque seja pelas cenas hilárias que protagonizaram garantindo o lado leve da trama, pelo papel que desempenharam durante a execução dos planos de vingança ou somente por terem tudo para ter sido personagens insuportáveis, mas que no fim cativaram pela falta de noção. Baek Shik Joong (Kim Sang Ho) teve extrema importância em muitos dos planos elaborados por Yoon Sung, foi também o elo de ligação entre o protagonista e a  Kim Na Na, além de ter protagonizado cenas hilárias com sua incontrolável vontade de comprar através do canal de vendas da tv.  Jin Se Hee (Hwang Sun Hee) surgiu apagada no drama, a ex-esposa do promotor parecia que iria servir só para fazer parte de um possível “quadrado amoroso” com o promotor, Yoon Sung e Na Na, mas teve papéis decisivos em algumas partes da trama. Shin Eun Ah (Yang Jin Sung) e Go Ki Joon (Lee Kwang Soo), ela companheira de Na Na no serviço de proteção, ele colega de Yoon Sung no departamento de comunicação, só cito os dois aqui porque renderam muitas cenas hilárias. E, finalmente a Choi Da Hye (Goo Ha Ra), filha do presidente, que tinha tudo para ser uma personagem insuportável, mas como citei ali em cima, cativou justamente pela falta de noção.

Antes de acompanhar o drama li algumas críticas não muito boas sobre ele, falavam que a história era fraca, que faltava profundidade ao enredo e aos personagens e que só valia a pena ver o drama por causa do Min Ho. Eu confesso que quis assisti-lo primeiramente por causa dele e só depois por se tratar de um drama de ação. O Min Ho está lindo no drama e quem é fã do ator irá suspirar em muitos momentos, mas City Hunter não se resume só a ele. Ainda que o drama tenha demorado a engrenar, com alguns episódios iniciais bem mornos, falhas de gravação e tenha tropeçado muitas vezes no enredo com a repetição de cenas e o lenga-lenga da relação de Yoon Sung com Jin Pyo (sério, perdi a conta de quantas vezes Yoon Sung disse ao pai que eles estavam de lados opostos por não concordarem na forma como a vingança deveria ser conduzida), os planos de vingança engendrados pelo City Hunter foram bem interessante de se acompanhar, justamente por não se restringirem à clássica fórmula arma + sangue. Nisso, os roteiristas souberam ser criativos. O desenrolar do relacionamento do protagonista com a Na Na também renderam bons momentos, muito mais pelo fato de várias vezes estarem de lados opostos (devido ao trabalho da moça) do que pelas cenas românticas. Aliás, se você se interessou pelo drama por causa do possível romance, não pense que verá muitos beijos e cenas fofas, as cenas românticas até existem, mas lembre-se que o foco do drama é a conclusão da vingança de Jin Pyo e Yoon Sung contra os cinco políticos envolvidos nas ações de 1983, não espere romeus e julietas para não se decepcionar.

O drama concluiu-se de forma satisfatória, e ainda que minhas amigas achassem que eu poderia não gostar da conclusão do drama (sim, porque eu sou chata e tenho birra com a quantidade absurda de dramas coreanos que acabam sem acabar), a história encerra-se bem redondinha, ainda que deixe algumas relações entre personagens no ar.

Pontos positivos:

  1. Bom trabalho de ambientação nas diferentes fases mostradas, com ótimas fotografias.
  2. Ótima trilha sonora (com boas faixas instrumentais).
  3. Excelentes cenas de lutas, tanto as protagonizadas pelo Yoon Sung quanto pela Na Na. Agora essa história de usar colher, garrafa de água, corda, gravata como armas em lutas sei não hein.

Pontos fracos:

  1. O sangue cinematográfico coreano ainda está deixando muito a desejar, entregando na lata que é falso. Apesar das boas cenas de explosão e tiroteios, o resultado ainda está muito semelhante à True Blood para o meu gosto.
  2. Tomei birra pela falha na caracterização dos disfarces do personagem principal, desde quando apenas um óculos com uma leve mudança no formato das sobrancelhas serve de disfarce? Projetos de máscaras que ficariam melhores em enfermeiras góticas? Não sei como ele conseguiu manter a identidade de City Hunter secreta por tanto tempo…
  3. O excesso de propagandas. Tá eu imagino que os custos da produção do drama devem ter sido exorbitantes e que foi preciso apelar para os anunciantes para dar cabo do projeto, mas precisava apelar tanto no merchandising? Era tanta propaganda de café, chá, Iphone, Ipad, tablets…
Disfarces? Aham

Vale a pena mencionar:

  1. Será que o Lee Min Ho exige que seus personagens sejam “devoradores” de rámen? Vai gostar do prato assim lá na Coreia.
  2. A forma como Ryo Saeba é convocado no mangá (a inscrição XYZ) é lembrada quando Yoon Sung pede que Bae Shik Joong lhe envie essas mesmas letras por SMS caso tenha problemas em sua missão.
  3. Lee Min Ho angariou três prêmios no 2011 SBS Drama Awards por sua participação em City Hunter.
  4. Goo Ha Ra também foi premiada como atriz iniciante. Para quem não sabe, a moça é integrante do grupo feminino de k-pop Kara.

Para acompanhar:

Projeto do YöFansub.

Projeto do Asian Team (necessário cadastro).

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/City_Hunter_(TV_series)

http://en.wikipedia.org/wiki/City_Hunter

http://tv.sbs.co.kr/cityhunter/

http://wiki.d-addicts.com/City_Hunter

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8 Comentários

Arquivado em Dorama aleatório

8 Respostas para “K-dorama: City Hunter

  1. Flor, adorei seu post. Nossa, que bom que você terminou de ver City Hunter, que foi um dorama com uma proposta diferente, mas que todas nós amamos, com certeza pelo Lee Min Ho, e pela história, que é muito boa mesmo né? Um grande beijo e por favor, não deixe de escrever sobre doramas.

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    • Nubia Esther

      Que bom que gostou, Ka! Enrolei para terminar de ver, se soubesse que a história iria ficar tão boa teria me esforçado para ter visto antes. =P

      E pode deixar, estava meio desanimada para acompanhar os doramas, mas passou, não vou deixar de escrever sobre eles não. ^^

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  2. Hahaha adorei o começo “teoricamente” hahaha muito bom! Eu ainda preciso analisar esse drama também mas não sei se comparando muito com o anime eu estaria detonando o drama hehehe. É um bom drama apesar de um grande lenga lenga ao longo da história com relação à vingança… que às vezes ficava mto repetitivo etc. Agora você precisa ver City Hall. hahaha Beijos!

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    • Nubia Esther

      hehe

      Sabe o que eu mais odiei no lenga lenga? Eu perdi as contas de quantas vezes o Yoon Sung chegou para o pai e falou que não concordava com o jeito de vingança dele e que se continuasse assim eles virariam inimigos, aí de repente voltavam as mil maravilhas, aí o Jin Pyo forçava a barra de novo e o Yoon Sung reclamava… virou um ciclo infinito. Mas foi só isso, de resto gostei da trama, sem levar em consideração o lance da adaptação é claro, porque se for entrar nessa discussão renderá muito pano para manga.. rsrsrs

      PS: não compare com o anime não! xD

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  3. Alayana

    Amiigaa…q raiva…tinha feito um baita comentário e não foi! Que ódio!

    Mas vamos lá…amei sua resenha! Como vc bem sabe surtei e amei City Hunter! Eu amo histórias que consigam mesclar drama, ação, aventura, romance e comédia! E não imaginei que CH teria td isso além da ação e do drama que já era esperado!

    Amava ver a vingança do Yoon Sung pra cima dos politicos corruptos! Bem que podia ter uns City Hunters aqui no Brasil neh?! Ia ser td d bom neh! kkkkkkkkkkk

    Amei o casal fofinho Yoon Sung e Na Na! Amei a trilha sonora, tanto as músicas “cantadas” como as instrumentais que só me deixavam mais tensa! Amei o ahjussi! Amei os demais personagens secundários! O promotor ora me irritava ora me agradava! Queria que a veterinária tivesse tido mais participação na história,. como vc disse, ela foi mto importante em determinados momentos, queria eu ajudar o Yoon Sung daquela maneira! KKKKKKKKK
    Enfim amiga..amei seua resenha…como sempre uma ótima critica! Confesso que as vezes fico com receio de te indicar algum drama pq sei que vc é mais exigente e tal! Por isso que quero só ver sua reação com Yamato! KKKKKKK vai ser diferente de td que vc já viu! KKKKKKK Mas amei esse j-drama…é fofinho! E de quebra vai conhecer o amado da Pri, o Kame! Asssim,….parabéns pelo post! Perdão pela demora a comentar….é q to sem net em ksa, assim é dificil! hehehhee! *_*

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    • Nubia Esther

      Alay!

      Podia mesmo né, mas acho que até o City Hunter ia pedir arrego, ou no mínimo iria aposentar cedo por insalubridade porque o coitado iria ter MUITO trabalho… hehe

      E não precisa ficar com receio de fazer indicação não, adoro indicações! ;D

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