O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)

O único romance de Oscar Wilde, considerado um dos grandes escritores irlandeses do século XIX, é considerado a primeiro a introduzir na ficção inglesa o homossexualismo, ainda que de forma bastante velada e provocou bastante alvoroço na época de sua publicação. A obra, aliás, foi utilizada como evidência no julgamento que acabou condenando Wilde a dois anos de prisão por cometer atos imorais com rapazes. O romance foi publicado inicialmente como a história principal na Lippincott’s Monthly Magazine em 20 de junho de 1980 e depois foi revista e alterada pelo autor antes de sua versão definitiva publicada em 1981. O romance é o terceiro volume da Coleção Clássicos Abril, que traz a obra com a tradução de José Eduardo Ribeiro Moretzsohn e texto complementar sobre a vida e obra do autor assinado por Heitor Ferraz.

Basil Hallard é o artista responsável pelo retrato de um jovem de extraordinária beleza. Dorian Gray é o nome do jovem retratado. Um jovem que se tornou amigo de Basil e que frequentemente o visita em seu ateliê e por quem o artista nutre ciúmes a ponto de não querer apresentá-lo ao amigo Lord Henry Wotton. E talvez até tivesse razão, caso soubesse o que tal acontecimento provocaria na vida do jovem que tanto admirava… É por meio de Lorde Henry, um hedonista que prega que só vale a pena viver pela beleza e pelo prazer, que Dorian é confrontado com o ideal da beleza e com a efemeridade de tal qualidade e ao perceber que a beleza que ele tanto esbanja por aí está fadada ao fracasso ele chega a pedidos desesperados:

“Como é triste! Eu vou ficar velho, horrível, pavoroso. E este quadro permanecerá jovem, para sempre. Não envelhecerá um dia além deste dia específico de junho… Ah, se fosse o contrário! Se fosse eu a permanecer jovem para sempre, se fosse o quadro a envelhecer! Eu daria… eu daria tudo por isso! É isso mesmo, não há nada neste mundo que eu não daria em troco! Daria até mesmo minh’alma!”

Pedidos desesperados que parecem ter sido concedidos e que acabaram por lançar Dorian em uma busca desenfreada pelo prazer, busca que muitas vezes o coloca em situações corruptíveis. Sempre jovem no exterior, mas com a alma modificada profundamente pelas experiências que viveu e pela influência cada vez maior (e em sua maioria muito cínica e incompreendida) de Lord Henry. Mais do que um romance sobre estética e moral, Wilde aprofunda-se na psique humana e no confronto interno entre o bem e o mal que todos estamos sujeitos. O que acaba por conferir a obra uma característica atemporal, a despeito do período retratado.

Os personagens de Wilde também representam papéis que vão além daqueles que lhe cabem na história fictícia. Se Basil é aquele que Wilde escolheu para ser o defensor (ainda que não abertamente) do direito à liberdade sexual que tantos problemas causaram à vida do autor. É Henry que ele coloca como porta-voz de suas convicções, quer sejam opiniões sobre a sociedade americana e a sociedade inglesa, ou suas elucubrações sobre o mercado literário na Inglaterra do final do século XIX. Aliás, a ironia em relação à literatura inglesa é evidente e não só vindo de Lorde Henry, mas também de outros personagens secundários. Talvez tenha sido toda a acidez crítica à cultura vitoriana ou o conteúdo homoerótico inédito para a época, mas o fato é que O Retrato de Dorian Gray tornou-se um símbolo da juventude intelectual da época e é uma das obras mais lembradas do autor.

O livro foi amplamente adaptado para a televisão ou cinema, já contando com 16 versões, sendo a mais recente a adaptação de 2009 de Oliver Parker: Dorian Gray.

Outras adaptações do romance: Dorian Gray Portrait (1910), The Picture of Dorian Gray (1913), Portret Doryana Greya (1915), The Picture of Dorian Gray (1916), Das Bildnis des Dorian Gray (1917), Az Élet Királya (1918), O Retrato de Dorian Gray (1945), Dorian Gray (1970), The Picture of Dorian Gray (1973), The Portrait of Dorian Gray (1974), A Nudez de Hollywood (1978), The Sins of Dorian Gray (1983), Dorian Gray – Pacto com o Diabo (2001), The Seven Deadly Sins: Gluttony (2001), The Picture of Dorian Gray (2004) e Dorian (2005). [Fonte: AdoroCinema]

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