A Fortaleza de Sharpe (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do terceiro livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de Sharpe. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira links no final desta resenha.

fortaleza-sharpe

“Aliás, suar era a única coisa que ele tinha para fazer ali. Maldição. Aquela era uma companhia muito boa, e não precisava nem um pouco de Richard Sharpe. Urquhart comandava-a com muita competência, Colquhoun era um sargento magnífico, os homens estavam sempre tão satisfeitos quanto soldados podiam ficar, e a última coisa que a companhia precisava era de um oficial recém-promovido, ainda por cima inglês, que apenas dois meses antes era sargento.”

Índia, dezembro de 1803. Apenas alguns meses antes, a Batalha de Assaye representou grandes mudanças na vida de Sharpe. Naquela batalha ele salvou a vida de sir Arthur Wellesley e por isso ganhou a patente de alferes no 74° Regimento do Rei, mas, também perdeu o grande mentor Coronel McCandless por culpa do desertor William Dodd e sua vingança contra Hakeswill foi adiada mais uma vez.

Sharpe sempre acalentou o sonho de ascender no exército e ser um bom oficial, mas sua nova ascensão, longe de promover boas mudanças em sua vida, está é lhe trazendo muitos problemas. Os soldados não veem sua ascensão com bons olhos e é claro que além de perder o companheirismo que tinha quando ainda era apenas um soldado, eles também não o respeitam como oficial. E os outros oficiais, bem, estes o reprovam abertamente, veem nele alguém que usurpou um direito daqueles de bom nascimento. E o fato de ter sido alocado em um batalhão escocês também não contribuiu para melhorar essa situação. E sendo Sharpe como é ele até poderia suportar toda essa humilhação. Mas, quando lhe sugerem que venda a sua patente e lhe comunicam que após a batalha em Gawilghur ele será transferido para o batalhão de fuzileiros e que enquanto isso ele ficará responsável pelo comboio de bois, leia-se, bem longe do front de batalha. Sharpe não acha certo desperdiçar seu treinamento ficando retido na retaguarda do exército e percebe que é hora de mostrar seu valor e lutará como nunca.

Fonte:  A Comprehensive History of India (Henry Beveridge). Look and Learn.

Fonte: A Comprehensive History of India (Henry Beveridge). Look and Learn.

E quer melhor oportunidade do que a batalha da Fortaleza de Gawilghur? Considerada inexpugnável, ela tem todos os elementos de uma destruidora de carreira e o coronel Wellesley não pode nem pensar em perder essa batalha se quiser voltar para Londres e continuar sua carreira de sucesso no exército. Para Sharpe, a motivação é outra. Vingança. Porque em Gawilghur estão escondidos dois bandidos que ele jurou destruir: William Dodd e Obadiah Hakeswill. E não terá assassinos treinados, falta de uma companhia ou uma imensa muralha que o impeça de conseguir seu intento. Em A Fortaleza de Sharpe, Cornwell consagra seu herói. Um herói persistente, que frequentemente é passado para trás por aqueles a quem ousa confiar e que apesar de todos os seus atos de bravura e heroísmo continua sendo visto como o soldado que ousou sair das fileiras e sofrerá muito por isso. Mais do que cativada pela sua força e carisma, adoro o senso de humor que ele consegue imprimir até quando a situação é totalmente desfavorável.

Apesar do foco deste livro ser a difícil batalha empreendida pelo coronel Wellesley contra a confederação Mahratta em Gawilghur e como já de costume, apenas poucos capítulos serem dedicados à batalha em si, nem senti tanta falta dela como no livro anterior. Dessa vez meu prazer foi acompanhar as escaramuças e as dificuldades enfrentadas por Sharpe ao ascender mais um degrau no oficialato. Seu encontro com Ahmed, que não há como negar que é o criado perfeito para ele, sua transferência para o comboio de bois, o desmembramento dos negócios escusos do Capitão Torrance e sua vingança contra Hakeswill e William Dodd. Este livro entrou para a lista de favoritos da série porque representa a redenção de Sharpe no exército, sua prova de valor, de que é um bom soldado. Um tapa com luvas de pelica, ou melhor, com um mosquete e uma claymore na cara daqueles que não quiseram reconhece-lo como tal. E ouso sonhar que essa transferência de Sharpe para os fuzileiros pode ser uma boa coisa, apesar de ele achar que não.

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