O Primeiro Amanhecer (Roberto Campos Pellanda)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos derradeiros da série O Além-Mar e pode haver spoilers sobre os fatos do primeiro livro. Para saber o que eu achei de Noite Sem Fim, clique aqui.

O Primeiro Amanhecer

A última parte da história iniciada em Noite Sem Fim já chega revelando um importante segredo da vida de Martin, um segredo que nos deixará em dúvidas ao longo de boa parte da narrativa e que definirá as ações derradeiras daquele que se julgava um simples garoto da Vila com pendor para arranjar problemas por não concordar com o regime Ancião. O amadurecimento do protagonista ao longo da história é palpável e ter acompanhado as angústias, receios, desventuras, embates, mas também os momentos de aprendizado e alegria ao lado dos amigos contribuíram e muito para deixar Martin mais real aos nossos olhos e nos aproximar do personagem.

“Existe uma grande civilização no Além-Mar, Maya. E não me refiro aos monstros. Há pessoas como nós, vivendo em grandes cidades, muito maiores do que a nossa Vila – respondeu Dom Gregório. – E é chegada a hora desses povos, que já foram um só, se unirem outra vez.”

Os acontecimentos de Noite Sem Fim acarretaram no enfraquecimento do regime Ancião e na quebra de um antigo trato com os Knucks. O envio de navios para o Além-Mar foi interrompido e as consequências disso podem ser desastrosas não só para a Vila, mas também para as outras cidades. Se em Noite Sem Fim era sob a ótica de Martin que conhecíamos a história, agora esse papel precisa ser dividido com alguém para que possamos acompanhar as aventuras do garoto desbravando os novos mundos de Além-Mar, mas permaneçamos informados sobre os acontecimentos da Vila. E é assim que Maya ganha esse importante papel.

Martin partiu com Ricardo Reis ao encontro do pai na Cidade do Crepúsculo, um lugar onde a escuridão não tem lugar, mas que assim como a Vila enfrenta suas próprias batalhas. O Mar do Crepúsculo, local onde estão localizadas várias cidades e “governado” por dois grupos: a Ordem do Comércio e Os Guardiões da Fronteira entram em choque. O primeiro grupo liderado por Veress, longe de preocupados com o bem-estar do povo parecem estar mais interessados em obter lucro e levar adiante atividades obscuras. Por outro lado os Talir, também denominados Guardiões são a real força na proteção do Mar do Crepúsculo contra os Knucks e é a eles que Martin e o pai prestarão ajuda.

Cópia (2) de La_Rochelle_by_Radojavor

Enquanto isso na Vila a situação não poderia estar pior, com conflitos diários entre os que apoiam a renovação do poder e aqueles que querem o retorno das Leis Anciãs. Além disso, desde o último ataque Knuck uma misteriosa doença tem se espalhado fora de controle e a própria Maya tem que lutar contra a debilidade provocada por ela para conseguir dar cabo de uma importante missão que pode ajudar na derrota dos Knucks e na restauração do mundo como ele era antigamente.

O Primeiro Amanhecer está dividido em duas partes bem distintas. Uma de assombro e descoberta com Martin chegando ao Mar do Crepúsculo e descobrindo mundos e pessoas novas, além de fatos importantes de seu passado, e uma segunda parte de ação propriamente dita, das batalhas derradeiras contra os Knucks (acho o nome dado pelos habitantes da Vila muito mais legal) e das modificações que os resultados de tal embate terão no mundo. E ainda acho que essa segunda parte merecia alguns capítulos a mais, os acontecimentos derradeiros aconteceram muito rapidamente e algumas situações deveriam ter sido mais esmiuçadas e explicadas. Mas, fiquei muito satisfeita com a conclusão dada por Pellanda a sua aventura. Pellanda soube rechear sua história com personagens cativantes, tanto os nossos antigos conhecidos Omar, Johannes Bohr, Ricardo Reis e o doido do Maelcum, quanto os recém-apresentados Eon, Cristóvão Durão, Elyssa, Rhor Talir e Brad, que tornaram o acompanhar dessa aventura divertida e emocionante. Gostei especialmente da forma como o atchin Brad foi utilizado com propriedade para através de suas fábulas e histórias nos fornecer detalhes do passado dos povos de Além-Mar e também para nos dar vislumbres do que a história poderia nos reservar. A queda de uma civilização como ponto de partida para uma bela narrativa sobre história, política, livros, conhecimento, amizade, família e liberdade. Se você ainda não conhece a Vila ou quaisquer outras localidades de Além-Mar eu não deixaria a oportunidade passar. Eis um mundo que vale a pena conhecer.

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Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

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