Inferno – Dan Brown

Eu comecei esta resenha umas 10 vezes antes de realmente conseguir pôr o que eu pensei sobre o livro “no papel”. O sexto livro de Dan Brown, quarto sobre o professor de simbologia Robert Langdon, é apenas mais um livro de Dan Brown.

Eu explico: tendo lido todos os livros anteriores, eu já consigo antecipar muito do que o autor vai escrever, de modo que as reviravoltas do roteiro já eram esperadas. Além disso, independente de todas as voltas dadas, eu sabia que, por pior que as coisas ficassem, elas iam ficar bem no fim. E foi o que aconteceu.

As primeiras páginas do livro me deram um pouco de esperança, eu achei que o livro fosse ser muito diferente dos outros, pois a história começa com Robert no hospital, sem memória de como foi parar lá. No entanto, apenas algumas páginas depois, as coisas voltam a correr da mesma maneira que nos livros anteriores: Robert se vê fugindo de todos, ao lado de uma perfeita desconhecida, decifrando pistas que o levam cada vez mais perto de… algo que ele não entende.

Eu entendo o conceito de que um bom herói não é, necessariamente, uma pessoa que está sempre preparada para fazer o bem, mas tampouco acho que seja uma pessoa que faz as coisas por impulso e sem pensar no que está acontecendo. Um herói é sim uma pessoa que toma coragem e faz o que tem que ser feito, independentemente da situação, mas Langdon vira o herói, neste e em todos os livros anteriores, sem ao menos saber contra o quê ele está lutando – algo que ele apenas descobre no meio do romance. Em um livro, eu aceito isso, mas este já é o quarto! Será que Langdon não tem um complexo de super-herói, que luta para salvar a mocinha (e sempre tem uma) sem sequer saber de onde ela surgiu?

Estou aguardando um livro de Dan Brown em que o protagonista não tenha um companheiro atraente do sexo oposto e que ele não seja um sabe-tudo sobre a maneira que o vilão pretente dominar o mundo. Quero um livro no qual o vilão não tenha uma idéia perturbadora de como mudar o mundo, que ele não seja próximo do protagonista e que ele não tenha uma doença terminal/acabe morrendo no fim, antes de garantir que o seu plano maléfico vai dar certo. Mas okay, a fórmula atual dá dinheiro, então porque mudar, né?

O livro ser previsível o torna menos digno de ser lido? Não, nem um pouco. Apesar de saber onde o livro ia parar, a descrição que Dan Brown fez de Florença me fez querer conhecer a cidade. E eu também gostei do dilema da vez, provavelmente porque é o mais científico de todos os livros de Dan Brown, com a exceção de Ponto de Impacto. É a primeira vez que Robert Langdon lida com a simbologia presente em um livro, ao invés daquela de um quadro – e isso torna as coisas muito interessantes, embora seja um pouco mais difícil para quem nunca leu o livro em questão (A Divina Comédia, de Dante Alighieri). Por todos estes elementos, e mais alguns, a leitura vale a pena. Só dá a impressão de que o livro já foi lido antes.

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