Na Companhia das Estrelas (Peter Heller)

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O mundo foi devastado por uma epidemia de gripe, uma doença que dizimou boa parte da população e que condenou muitos dos sobreviventes a uma doença que apareceu após a gripe. Hig conseguiu escapar às duas doenças, mas assistiu a gripe levar consigo todos que conhecia, inclusive sua esposa. Agora ele sobrevive em um hangar de um pequeno aeroporto abandonado, na companhia de seu cachorro Jasper e de seu único vizinho, Bangley, que parece odiar tudo e todos. Ao passo que o vizinho parece odiar a humanidade, Hig se apega a centelha de esperança de que ela ainda possa existir e em seus voos diários com Jasper em um Cesna 1956, ele busca por algo mais, por algum sinal que lhe indique a presença de gente em algum lugar. E quando, um dia, o rádio de seu avião capta uma mensagem Hig decide que essa é uma busca que ele precisa fazer, mesmo com todas as chances disso acabar em tragédia.

Na Companhia das Estrelas pode até trazer um mundo devastado, vazio de gente, vazio de bicho, com as pessoas tendo que lutar e muitas vezes matar para garantir a sobrevivência, mas, em meio ao caos e ao apocalipse que a Terra se transformou, Peter Heller foca-se na humanidade de Hig e em sua esperança das coisas melhorarem. E, por focar no indivíduo, em especial um indivíduo calejado, que não gosta de solidão e que sente falta de contato humano, há uma grande espaço para questionamentos, porquês, anseios e esperanças e com isso, o livro acaba atingindo um tom filosófico. Há toda a brutalidade do mundo, mas ela acaba-se tornando uma névoa em meio ao negrito que são os pensamentos de Hig. Para quem gosta de elucubrações e papos filosóficos o livro irá agradar, para os que esperam um pouco mais de ação pode ser decepcionante.

Eu até gostei da vertente abordada pelo autor, propõe um diferencial em meio aos tantos livros que abordam uma Terra e uma humanidade falida em sua história. Ele poderia ter facilmente enveredado por algo que lembrasse um romance zumbi, as pessoas de quem Hig e Bangley viviam se defendendo poderiam bem ser figurantes em The Walking Dead, mas ele abre mão da ação para dar ênfase aos pensamentos e à relação entre Hig e Jasper, Hig e Bangley, e Hig e todo o resto. Só que as intermináveis reminiscências de Hig em alguns momentos acabam cansando, e sem uma ação para sacudir essa história (tirando os ataques ocasionais ao aeroporto e a busca de Hig), acompanhar seu relacionamento com Jasper e com Bangley, acaba sendo um dos poucos alentos nessa história.

“Eles criavam cães para tudo, até para mergulhar em busca de peixes, porque não os criavam para viver mais tempo, para viver tanto quanto o homem?”

A premissa da história é boa, os personagens são interessantes, mas a forma como o autor estruturou a narrativa acabou por deixá-la confusa. Heller não utilizou nenhum marcador textual em seus diálogos, nada de travessão ou aspas, e, além disso, a estruturação textual feita por ele não nos permite muitas vezes distinguir o que são diálogos e o que são os pensamentos dos personagens. Tudo nos é apresentado de forma bastante uniforme e a confusão em alguns trechos é tanta que você tem que reler um trecho mais uma vez para perceber o que Hig realmente está falando e o que ele está esmiuçando em seus pensamentos. É um exercício cansativo e que acaba emperrando a leitura. É impossível não imaginar o Se. Será que com uma estruturação diferente, uma forma diferente de contar essa história, acompanhar a aventura de Hig não seria mais interessante?

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2 Comentários

Arquivado em Editora Novo Conceito, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

2 Respostas para “Na Companhia das Estrelas (Peter Heller)

  1. Oi Núbia, os comentários sobre esse livros são os mais diversos e talvez por isso ele continue em minha estante esperando por sua vez. O fato de não haver marcador textual que diferencie diálogo de narração é algo que me irrita bastante e até mesmo tira a minha concentração e o envolvimento com a história. Certamente lerei com bastante cautela e poucas expectativas.

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    • Nubia Esther

      Oi Caline!
      Pois é, essa estruturação feita pelo autor foi o que mais me irritou e o que mais fez a história perder pontos comigo. O Hig apesar dos seus devaneios, algumas vezes intermináveis, em muitos momentos me emocionou: na sua relação com Jasper, no seu relacionamento conturbado com Bangley (uma amizade que você passa a prezar conforme a história vai avançando), no seu trabalho junto às famílias dos menonitas que ele ajudava mesmo Bangley não gostando… por isso, não considero a leitura como um tempo perdido. Poderia ter sido mais, mas também não é de todo ruim. Quando você ler vou querer saber o que achou.

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