Six Earlier Days (David Levithan)

six earlier days

Em Todo Dia (leia a resenha aqui), Levithan nos presenteou com um personagem cativante. A todo dia acorda em um corpo diferente, todo dia ele precisa viver a vida de outra pessoa sem deixar que os outros percebam, sem provocar interferências que possam mudar para sempre a vida do hospedeiro, tentando ao máximo não se apegar às pessoas que cruzam seu caminho.

“A pior coisa no mundo seria ter a pretensão de conhecer as pessoas cujas vidas eu percorri. Elas não podem ser casas para mim. Elas devem ser quartos de hotel.”

É nessa existência solitária, onde o passado e o futuro não tem vez e o presente é a única possibilidade, que mergulhamos durante 40 dias e nos apaixonamos por A. Todo Dia nos deu quarenta dias da adolescência de A, Six Earlier Days nos fornece seis dias anteriores de sua vida, um pequeno retrato dos outros 5993 dias passados, que nos permitem conhecer um pouco mais a fundo o personagem.

O dia que A escolheu para ser seu aniversário, a criança tendo que lidar com as inconsistências/incongruências proporcionadas pela única vida que conhece. Dias nos quais ele (mesmo com tão pouca idade) se sente prisioneiro, dias que ele simplesmente suporta e deixa passar por saber que amanhã para ele será diferente, um conhecimento que não lhe impede de sentir pesar pelo garotinho que ficará para trás. A contenção para não interferir na vida do hospedeiro e a curiosidade para saber qual será a escolha da pessoa amanhã. Suas experiências com os relacionamentos dos hospedeiros, experiências que ele nunca poderá ter. Promessas que eles nunca poderá fazer a ninguém. Sentimentos que para ele sempre serão negados.

São tão poucos dias que não faz sentido discorrer sobre todos nessa resenha, mas não consigo me privar de fazer um comentário sobre a primeira história, que talvez seja a mais libertadora e a que mais nos aproxima de A. Porque ali, naquele dia 3722, enquanto que para a irmã mais velha de Cara, era apenas um dia especial para sua irmãzinha que fazia aniversário, um dia para fazê-la feliz. Para A foi a oportunidade de por pouco tempo romper com suas amarras: não precisar acessar as informações do hospedeiro, não precisar vestir uma máscara e policiar seus atos, ali pode ser apenas A, ainda que por pouco tempo. O dia claramente foi tão marcante para o personagem que acabou sendo a data escolhida por A para comemorar seu aniversário ao longo dos anos.

“But this time I don’t leave myself a blank. Instead, I make myself a promise. I mark the date in my head, and I vow that from now on, this will be my birthday. Whether or not anybody in my life that day knows it, I will know it. I will celebrate. I will give myself that, as I swim through the years.”

Se ainda não ouviu falar de Todo Dia, A ou David Levithan, você pode escolher como quer mergulhar nessa história. Você pode começar por Six Earlier Days e utilizá-lo como um test drive, uma amostra da história principal, para conhecer um pouco sobre A e o estilo narrativo de Levithan, ou, a escolha que acho mais proveitosa. Começar por Todo Dia, se encantar por A, por sua maneira peculiar de enxergar o mundo, torcer por seu amor por Rhiannon e, só depois, de já ter mergulhado durante 40 dias em seus pensamentos, voltar ao tempo e ler sobre outros seis dias aleatórios, que na verdade não são tão aleatórios assim, e se possível, se encantar ainda mais por A. Só lembrando que esse prequel foi lançando apenas na versão digital e ainda não há informações se a Editora Galera tem a intenção de publicá-lo por aqui também.

“Some days I’m only passing through. Some days are all hello; some days are all goodbye. Some days I have no idea what I am supposed to be doing, and other days it’s abundantly clear, as if the person I am for a day has left me a note, left me instructions.”

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Arquivado em Resenhas da Núbia

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