O Lado Mais Sombrio (A. G. Howard)

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Assim que comecei a ler o livro da Howard, pensei, por que demorei tanto para começar a ler este livro? Já estava com ele há tempos na estante, se não estou enganada, O Lado Mais Sombrio foi um dos lançamentos do mês de abril da Novo Conceito. A narrativa de Howard é fluida e sua trama ágil. O Lado Mais Sombrio é daqueles livros para ser “ler numa sentada só”. A história é repleta de tanta ação e tantos plot twists, que é impossível não ser fisgado é só querer parar quando chegar ao fim. Li em algumas resenhas, que alguns leitores não gostaram da enorme quantidade de reviravoltas utilizadas pela autora, alegaram que deixaram a história cansativa. Eu pelo contrário, achei que toda essa inconstância na trama e nos personagens casou perfeitamente com toda a loucura, insensatez e psicodelismo do mundo criado por Lewis Carroll e utilizado com propriedade por Howard para dar vida a sua história. Uma história feita sob medida para os fãs do País das Maravilhas.

A parte gráfica do livro é muito bem trabalhada. Desde a capa (igual a original) que é maravilhosa e consegue transparecer o lado sombrio da trama, até a diagramação, com o trabalho feito nas páginas de aberturas dos capítulos. A sensação é que a cada capítulo somos convidados a entrar um pouco mais nesse mundo doido em que nada parece fazer sentido e a desbravar um pouco mais os segredos da família de Alyssa.

Mas, afinal, sobre o que é a história de O Lado Mais Sombrio?

Alyssa Gardner é tataraneta de Alice Liddell. Aquela Alice que um dia entrou na toca do coelho. A garota ouve as plantas e os insetos e tem certeza de que o seu destino será terminar em um sanatório como sua mãe. A loucura parece acometer todas as mulheres de sua família e tem origem antiga, com sua tataravó e seus sonhos estranhos que inspiraram Lewis Carroll a escrever Alice no País das Maravilhas. Ela sempre achou que as conversas que ouvia fossem apenas alucinações, até perceber que não há como ela e a mãe dividirem as mesmas alucinações. As plantas e os insetos realmente falam. Será a história de Carroll apenas fantasia?

“Minhas pernas vacilam. Por tantos anos, as mulheres de nossa família foram tachadas de loucas, sem o serem. Podemos ouvir coisas que outras pessoas não podem. É a única explicação para nós duas ouvirmos a mosca e os cravos dizerem a mesma coisa. O truque é não responder ao que dizem os insetos e as flores diante de pessoas normais, porque aí pareceríamos loucas.

Não somos loucas. Eu devia estar aliviada.

Mas algo mais está acontecendo, algo inacreditável.” página 42.

O que ela descobre é que parece haver uma maldição pairando sobre sua família e cabe a ela ir atrás da toca do coelho, adentrar O País das Maravilhas e quebrá-la. Ela deve consertar os erros de Alice. Para isso contará com a ajuda de Jeb, seu amigo de longa data e por quem ela tem sentimentos mais fortes; e Morfeu, um ser intraterreno, que fala com ela através de seus pensamentos e com quem Alyssa partilha um passado. Conforme vai se embrenhando mais no País das Maravilhas, Alyssa descobre mais sobre sua família e sobre si mesma. Ela não é o que parece e até o fim dessa jornada, mais surpresas deverão aparecer…

A.G. Howard emprestou com maestria a aventura de Alice criada por Lewis Carroll para criar uma história de tirar o fôlego. Seus personagens são cativantes. Alyssa pode até ser um tanto difícil de tragar nas primeiras páginas, mas é só seu lado “doido” aflorar para que a protagonista cative a empatia do leitor. Jeb é daqueles personagens que cativam por ser o bom moço, que não poupa esforços para ajudar a protagonista, mesmo que muitas vezes meta os pés pelas mãos e consiga ser bem obtuso em relação aos seus sentimentos. E Morfeu garante a insanidade necessária, nos mantém por um fio durante toda a história, explora a dualidade de nossos sentimentos até o limite, tudo isso aliado a um charme que é impossível passar incólume.

Quando comecei a ler o livro, não sabia que era uma série (podem me julgar, mas comecei a ler o livro sem ter ido atrás de quaisquer outras informações sobre a história), e durante toda a leitura a sensação que tive era de que O Lado Mais Sombrio era um livro único. A história é concluída de forma tão satisfatória, que mesmo tendo amado os personagens criados por Howard, é impossível não sentir receio de que não haja mais por onde continuar. Sim, ela deixou alguns “se” no ar, mas são possibilidades que se não exploradas não fariam falta. Tenho muito mais receio dela os explorar em demasia nos próximos livros, do que se os deixasse apenas como possibilidades. É claro que conferirei os próximos livros, mas sem grandes expectativas. Vai saber o que mais Howard pode aprontar tendo O País das Maravilhas como fonte de inspiração…

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