Enders (Lissa Price)

Atenção! Esta resenha trata do último livro da duologia Starters  e pode trazer spoilers do enredo dos livro anterior. Para saber o que eu achei do livro anterior e dos contos extras, confira os links no final desta resenha. 

enders

“Não havia como escapar daquilo. Eu não estava lidando com um inimigo com quem pudesse lutar; ele estava dentro da minha cabeça.” página 39.

Com Starters, Lissa deu início a um romance distópico, com muito mistérios e vários elementos de ficção científica. Callie Woodland, à primeira vista pode parecer uma protagonista bobinha e pouco empática, mas no decorrer da história cresce perante nossos olhos e nos cativa assim como quem não quer nada. Aliás, assim é a história de Lissa. Ela pegou um Estados Unidos detonado pela guerra, com parte da sociedade (pessoas entre 20 e 60 anos) dizimada por terrorismo biológico, e com os sobreviventes assumindo lados opostos na sociedade. De um lado, os Enders, em sua maioria ricos, ou pelo menos em algum cargo de poder; do outro os Starters, se ricos nada tem a sofrer, mas em sua maioria, são jovens órfãos que perderam os pais na guerra e vivem às margens da sociedade ou confinados em casas de detenções. Um recurso abundante para ser utilizado por grupos com interesses escusos, como a Prime Destinations que contratava Starters para alugarem seus corpos aos Enders que desejassem experimentar a juventude novamente. Grupo com o qual Callie acabou envolvida e do qual tornou-se a principal algoz, promovendo a sua destruição.

Enders começa após estes acontecimentos derradeiros. Callie pensou que conseguiria levar uma vida normal junto ao seu irmão Tyler e seu amigo Michael. Porém, resquícios da Prime Destinations permanecem. Ela e Michael ainda têm o neurochip, que permitia a troca de corpos, implantado no cérebro. E o Velho, mais do que nunca se faz presente na mente de Callie. E com um requinte de crueldade a mais: os chips dos doadores podem ser explodidos remotamente. Callie começa então uma corrida frenética para tentar se livrar do chip e da influência cada vez maior que o Velho passa a ter em sua vida e na de outros antigos doadores. Durante essa busca novos personagens são acrescentados, um novo triângulo amoroso é formado (tá que não é bem um triângulo, já que o Michael, tadinho, nunca teve chance), fantasmas renascem, muitos mistérios são revelados e como de praxe, há algumas reviravoltas.

A narrativa de Lissa continua frenética e fluída, tornando a leitura de Enders muito rápida. Seguindo o exemplo de Starters, Enders é daqueles livros que você começa a ler e sem perceber acaba finalizando a leitura. Contudo, a conclusão dada por Lissa para aquela história tão cheia de reviravoltas deixa um pouco a desejar. Lissa conseguiu investir no lado pessoal e nos relacionamentos entre os personagens, sem deixar de lado a problemática principal da história. Porém, em nenhum momento foca-se na parte social e histórica da trama. Faltou mais referências sobre a Guerra dos Esporos e as mudanças que ela proporcionou aos Estados Unidos e aos outros países. Como os EUA estava configurado politicamente nos dias atuais? Quais países eram seus aliados? Uma nova Guerra dos Esporos poderia vir a acontecer? No primeiro livro, os Starters órfãos, perseguidos pelo sistema, tiveram mais voz. Eram a parte oprimida, que provocavam empatia quase que instantânea no leitor e que nos fazia ficar na torcida para que o embate de Callie tivesse sucesso, o que talvez, além de impedir que a situação deles piorasse, talvez pudesse proporcionar mudanças efetivas em suas vidas. Era inegável o papel que essa problemática tinha na história criada por Lissa, mas em Enders, eles foram completamente esquecidos, principalmente os que não tinham um chip implantado no cérebro. Foi realmente uma pena que Lissa não tenha conseguido dar o final que sua história merecia. Com Starters ela prometeu uma história que poderia ser estrondosa, mas que no fim das contas acabou sendo finalizada em meio às sombras.

Conheça a Duologia Starters (Ordem dos contos, segundo o Goodreads):

 

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Arquivado em Editora Nova Fronteira, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

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