Uma História de Amor e TOC (Corey Ann Haydu)

amor e toc

“Podemos ser loucos, mas existe uma lógica por trás até mesmo das coisas mais loucas que fazemos. ” (Página 237)

Já tem um bom tempo que Bea não sabe o que é ser uma garota normal. Semanalmente ela tem consultas com a Dra. Pat, que tenta ajudá-la com suas obsessões e compulsões. Mas, fica difícil quando o alvo mais recente de sua obsessão frequenta o mesmo consultório e terapeuta que ela. Bea foi diagnosticada com Transtorno Obsessivo Compulsivo, mas a obsessão dela não é tão “banal” (se é que podemos chamar qualquer obsessão de banal) quanto lavar as mãos inúmeras vezes, colecionar objetos estranhos, comer sempre nos mesmos lugares, ou fazer atividades em uma determinada ordem. Sua obsessão é um pouco mais comprometedora e na maioria das vezes (e com razão) é mal interpretada. Bea é uma stalker de caras. Daquelas que quando fica obcecada por alguém, começa a segui-lo (para certificar-se de que ele esteja bem), anotar os mínimos detalhes da vida do alvo em seu caderno, e, como no caso do alvo mais recente, até mesmo entreouvir partes de suas sessões de terapia.

Para ajudá-la com o TOC, a Dra. Pat decide fazê-la participar de sessões de terapia em grupo. Ali, ela reencontra/conhece Beck, o garoto que ela ajudara durante um blecaute em uma festa escolar, um cara sarado e com obsessão compulsiva por lavar as mãos e frequentar academias. Bea tem quase certeza de que apenas outra pessoa tão ferrada quanto ela, seria capaz de entendê-la e permanecer ao seu lado mesmo com todos os seus defeitos. Será Beck essa pessoa? Será que ele conseguirá superar suas obsessões e ceder um pouco mais de tempo para Bea? Será que ela conseguirá parar de stalkear sua atual obsessão e redirecionar (de forma menos acentuada de preferência) sua atenção?

“…não estou pronta para Beck ter um rosto e uma vida. Ele é só um cara que lava muito as mãos e tem bíceps incríveis e problemas sobre os quais vou ouvir bastaaaaante nas sessões em grupo. Ele não é o tipo de cara pelo qual preciso me apaixonar. Não vai haver nenhum mistério para desvendar.” (Página 47)

O título do livro da Haydu bem poderia ser Uma História de TOC (e talvez, um pouco de amor), o que no final das contas não é nem um pouco ruim. Bea é perturbada, tem seus problemas e tudo o mais, e mergulhar em seus pensamentos, acompanhar o desenrolar de suas compulsões até ela perceber que precisa fazer algo para se ajudar é o que fisga à história. O fato de Haydu não romantizar o ato de stalkear e tratá-lo como algo errado e que deve ser combatido, é um ponto bastante positivo. E escrevo isso como alguém que desistiu de comprar um determinado livro aí, porque a autora romantiza uma ação bastante delicada e perturbadora. Stalkear alguém não é algo banal, dependendo do grau da compulsão pode se tornar algo bastante perigoso e por mais que a curto prazo seja prazeroso para quem pratica, logo sai do controle e faz mais mal do que bem (Bea muitas vezes se machuca tentando evitar suas compulsões), além de render medidas cautelares indesejadas.

É bom ter em mãos um livro que trata os transtornos obsessivos compulsivos de forma séria e ao mesmo tempo delicada. Que enfoca muito mais todo o processo de reabilitação das pessoas para que elas possam viver melhor consigo mesmas e em sociedade. Mesmo que o romance esteja ali, de pano de fundo, tentando florescer em meio a tantos empecilhos, acompanhar o tratamento para o TOC, as recaídas e a superação (será?) não só de Bea e Beck, mas também dos outros integrantes da terapia em grupo que angariam facilmente a empatia do leitor, é a parte mais emocionante. Então, se você está apenas atrás de um romance adolescente e acha que o fato de ter a sigla TOC no título pode render alguns momentos engraçadinhos, o livro da Haydu não é para você. O TOC aqui é levado a sério, há muito mais drama e muitos poucos momentos “engraçados” e no fim você pode terminar a leitura gostando muito mais da Dra. Pat e seus métodos de tratamento do que da Bea e do Beck. E isso não é nem um pouco ruim.

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Arquivado em Editoras Parceiras, Grupo Editorial Record, Resenhas da Núbia

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