Benefício na Morte (Robin Cook)

beneficio na morte

Robin Cook é um autor bastante conhecido entre os que gostam de thrillers médicos, mas, apesar de já ter lido algumas sinopses de livros seus, ainda não tinha tido contato com a escrita do autor. Nem com thrillers médicos para falar a verdade, embora os romances e thrillers policiais e as séries com componentes médico-legais estejam entre meus gêneros favoritos. Após a leitura de Benefício na Morte, ficou comprovado que ambientar um romance investigativo em um hospital/laboratório de pesquisa – e o componente laboratório de pesquisa tem bastante espaço, o que desconfio foi o que acabou me fisgando de vez – pode ser tão interessante quanto àqueles que se passam nas delegacias e institutos médicos legais.

Em Benefício na Morte, Cook explora o campo das pesquisas médicas versus o mundo corporativo especializado em explorar o sofrimento de pacientes terminais e/ou doenças crônicas que diminuem e muito a expectativa de vida.

Pia Grazdani é estudante do quarto ano de medicina na Universidade de Columbia e está para começar o seu doutorado com o famoso geneticista molecular (e aparentemente intragável) Dr. Tobias Rothman. O cientista que ganhou um Prêmio Nobel por seu trabalho com cepas virulentas de salmonelas, está desenvolvendo um trabalho pioneiro de organogenia em colaboração com o Dr. Yamamoto. Uma pesquisa que promete revolucionar o campo dos transplantes e da saúde pública.

“Outra vez lhe veio à mente o pensamento do cientista louco em seu covil, e ela tornou a estremecer. Tinha visitado o futuro naquela sala e se empolgava em fazer parte dele. Ao mesmo tempo sabia que podia haver um lado sombrio naquilo. A ciência biológica tinha avançado quase depressa demais, e o problema da ciência é que ela não pode ser desaprendida. ” (Página 68)

Edmund Mathews e Russel Lefreve trabalham com capital de risco e estão acostumados a fazer dinheiro fácil em cima das desgraças alheias. Foi assim que se tornaram milionários e acabaram fundando a LifeDeals, uma empresa especializada em comprar apólices de seguro de vida (pagando migalhas) de milhares de americanos desesperados por dinheiro vivo. A ideia é acabar ganhando um bom dinheiro após a morte do mutuário. Mas, essa mina de ouro está sendo ameaçada pela pesquisa do Dr. Rothman.

“Ficarei feliz quando eles forem por água abaixo, porque acho que vocês estão roubando de novo, só que dessa vez estão roubando do seguro de vida de gente vulnerável, pagando centavos a eles. São velhos desesperados por dinheiro, porque precisam fazer uma cirurgia e não querem ia a falência porque foram excluídos do nosso sistema de saúde. ” (Página 90)

Não demora muito para que os sócios da LifeDeals comecem a tomar providências e um sério acidente no laboratório de Rothman coloca a vida dos cientistas em risco e a pesquisa em xeque. Com a desconfiança de que o que aconteceu não foi um mero acidente, Pia está determinada a cavar mais fundo e descobrir o que realmente acontecei. George seu colega de turma e apaixonado por ela, irá ajudá-la nessa empreitada.

Aqui é bom abrir um espaço para falar sobre a criação dos personagens. Cook investiu boas páginas para construir um background para seus personagens, mesmo daqueles que pouco aparecem na trama ou que ficam pelo caminho. Pia, sua protagonista, não é uma personagem fácil de lida, e apesar de todo o seu passado trágico, seu jeito de tratar as pessoas (apesar de compreensível por tudo o que ela passou) não é de inspirar muita empatia no leitor. E aqui é importante a inclusão de George, um personagem que tinha tudo para ser um mero coadjuvante, mas que através de toda sua preocupação e as lentes cor-de-rosa pelas quais enxerga Pia, cumpre bem o seu papel de nos tornar empáticos a ela.

Gostei da experiência de ler um thriller médico. A parte investigativa da trama foi bem trabalhada, e ainda sobrou espaço para Cook nos brindar com o ambiente laboratorial das pesquisas científicas. E ele o faz com a propriedade de que é formado e trabalhou na área. Mas, alguns trechos podem ser um tanto herméticos, principalmente nas partes onde Cook abusa dos jargões da área. Eu não senti tanto isso durante a leitura por se tratar de uma área na qual tenho familiaridade, mas para um leitor mais leigo, alguns trechos podem se tornar arrastados por causa disso.

Quanto à edição brasileira, há pequenas falhas na tradução/revisão. Especificamente, há a supressão de palavras em alguns trechos, mas nada que chegue a atrapalhar muito a leitura. No geral a tradução está satisfatória e os termos biológicos e médicos são utilizados de forma correta.

Depois dessa experiência, fiquei com vontade de ler outros livros do Cook. Como boa fã de romances investigativos e uma apaixonada por ciências, foi muito bom ler uma história na qual essas duas características foram bem trabalhadas em conjunto. Se você também não dispensa um bom romance policial e afins, vale a pena dar uma chance ao autor.

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