Apenas um Ano (Gayle Forman)

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“É o sonho que eu sempre tenho: estou em um avião, bem acima das nuvens. O avião começa a descer, e eu tenho um pânico repentino porque percebo que estou no voo errado, viajando para o lugar errado. (…) Acordo em um suadouro desorientado ao ouvir o som do trem de pouso descendo, com o eco do meu próprio coração. Geralmente levo alguns momentos para me recompor, para me situar – um apartamento em Praga, um albergue no Cairo -, mas, mesmo depois de isso ter sido estabelecido, a situação de estar perdido permanece. ” (Página 11)

Em Apenas um Dia, Willem e Allyson (ou melhor Lulu) viveram uma aventura em Paris, mas os momentos de paixão foram interrompidos bruscamente e julgando-se enganado e com o coração partido, Allyson teve de encarar sua dor e aprender a reencontrar a esperança e a determinação de ir atrás do que ela queria. Em Apenas um Ano, é chegado o momento de Willem nos contar seu lado da história. O que o levou a abandonar Lulu em Paris? O que ele fez depois que descobriu que a garota foi embora e que ele não sabia verdadeiramente quem ela era?

Apenas um Dia foi totalmente dedicado ao sofrimento de Allyson, então, até entendo que em Apenas um Ano esse espaço seja dedicado a Willem. Mas, depois do cliffhanger lançado no final do primeiro livro, eu esperava mais Willem e mais Allyson nesse livro. Pelo menos era isso que aquele final prometia. Apesar de Willem ser mais interessante como interlocutor que Allyson, eles são mais empáticos junto, não foi à toa que os primeiros capítulos de Apenas um Dia foram de uma fluidez enorme e foram verdadeiros imãs de leitores. Negar esse potencial à sua obra, não foi uma boa jogada de Gayle. Todos os elementos que tornam seu texto fluído estão presentes, a leitura, como a de todos os seus livros é rápida, daquelas que você nem percebe que já está chegando ao final. Mas, a emoção, a expectativa que Gayle soube criar tão bem com os capítulos iniciais de Apenas um Dia, nunca mais foram alcançadas, e isso foi um pouco decepcionante.

Como eu suspeitava, fui mais cativada pela história de Willem: seu relacionamento com a mãe, o luto pela perda do pai, os amores mal resolvidos, a família desmembrada, os amigos e as dúvidas sobre o futuro. Além disso, as viagens (Paris, México, Índia, Holanda…) garantiram um quê a mais. Apenas um Ano é um romance que respira antecipação. E mesmo que a espera tenha sido levada às últimas consequências, no fim, Gayle conseguiu me convencer (mesmo com as minhas ressalvas) que havia um bom sentido na forma como escolheu estruturar sua trama. Só não vi sentido na escolha de lançar um terceiro livro (na verdade um conto em e-book). Um capítulo a mais, um epílogo mais longo em Apenas um Ano daria conta (e muito bem) do recado. Até porque, diferentemente do final do primeiro livro, neste Gayle não te convida a ansiar por uma continuação, mas te leva a imaginar os rumos que essa história ainda pode tomar. E este é um exercício que um leitor gosta muito de tomar para si.

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