Mosquitolândia (David Arnold)

mosquitolandia

“Tenho um trilhão de motivos, mas continuo sem fazer ideia de como eles vieram parar na minha cabeça.

Então talvez este relato seja isso mesmo, Isa: minha Lista de Motivos. Vou explicar os porquês por trás dos meus o quês, e você poderá ver por conta própria como tenho muitos motivos. (…) por ora, saiba disto: meus motivos podem ser complicados, mas minha Missão é bem simples.

Chegar a Cleveland, encontrar minha mãe. ” (Página 14)

“Mim Malone não está nada bem”. É assim que David Arnold nos apresenta sua protagonista. Mary Iris Malone, ou como ela prefere, Mim, foi pega de surpresa pela separação dos pais. A separação também acarretou em sua mudança de Ashland em Ohio, para Jackson no Mississippi para morar com o pai e a madrasta. E é somente por um acaso que ela descobre que a mãe está doente e em tratamento em Cleveland, Ohio. Distante 1524 quilômetros do lugar que Mim “carinhosamente” apelidou de Mosquitolândia. Determinada a ir em busca da sua mãe e daquele que ela considera ser seu verdadeiro lugar, Mim foge de casa e embarca em um ônibus em direção ao seu estado natal. Com uma narrativa que bem poderia ser um diário de bordo, entremeado com cartas de Mim destinadas a alguém chamado Isabel, partimos com Mim nessa viagem.

Mim é uma garota incomum, ela se autodenomina estranha. Seu pai acha que ela tem tendência a ter surtos psicóticos e não descasou até garantir que ela fosse medicada para evitar que isso aconteça. Mas, tirando o fluxo de consciência da garota, que é vertiginoso, e sua coleção de motivos médicos que envolve uma glote deslocada e a cegueira de um olho, ela é mais lúcida do que muita gente “sã” que cruza seu caminho. E eu como tenho uma predileção por personagens sarcásticos, fui conquistada pela garota ainda nos primeiros parágrafos dessa história, para depois me pegar encantada por outros personagens que Mim encontrou pelo caminho. Duvido que depois de você conhecer Walt e Beck, você não se encante por eles também. Esse trio improvável tornou essa viagem muito mais divertida, agridoce e com inúmeras histórias para serem compartilhadas. E as cartas de Mim, longe de serem meras pausas entre os acontecimentos da viagem propriamente dita, foram onde pudemos conhecer a Mim de verdade. A garota incapaz de fazer floreios, sua coleção de esquisitices, suas teorias, seus desabafos, suas confissões e sua angústia por descobrir o que realmente está acontecendo com sua mãe.

Arnold deu vida a uma road trip interessante, marcada por tragédias, mas também por esperança. Repleta de referências pop, quer sejam dos lugares pelos quais Mim passou (e um mapa desse roteiro não seria uma má ideia), ou do próprio acervo de “esquisitices” da garota. As músicas, os livros, os filmes, a fascinação de Mim por Tolkien, isso tudo pulula nas páginas e é impossível não rolar uma identificação ou bater uma satisfação por ter entendido a piada da vez.

Mosquitolândia é um livro sobre como uma viagem e as pessoas que você encontra pelo caminho podem mudar sua vida para sempre. É uma história sobre descobertas, sobre enfrentar seus medos, sobre autoconhecimento, recomeços, esperança para se reconstruir perante as decepções. São as surpresas que os desvios do caminho nos reservam, a companhia aleatória que pode te marcar para sempre, para o bem ou para o mal, ou para os dois. São os amigos que você sem perceber coleciona pelo caminho. É uma incrível coleção de esquisitices, a história de uma estranha que aprendemos a conhecer tão bem que se torna uma conhecida estranha. E, ah, nos tornamos a plateia de Mim desde o primeiro ato até o cerrar das cortinas (e a promessa de novos espetáculos). David Arnold conseguiu nos deixar cativos. E este é só o seu primeiro livro. Fico já na torcida para que todo esse potencial se concretize em novas e interessantes histórias.

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