Pássaro da Tempestade – Conn Iggulden


Henrique VI não é o filho que um rei como Henrique V, o vencedor de Azincourt merece. É fraco, frágil e gasta mais tempo rezando do que protegendo seu país e seu povo. Quando uma nova guerra contra a França surge, ele quer que seus conselheiros negociem um armistício, ao invés de lutar. É assim que ele se casa com Margarida de Anjou, sobrinha de Carlos VII, e entrega aos franceses os territórios de Maine e Anjou.

Como era de esperar, os ingleses nesses territórios não aceitam muito bem a notícia de que devem abandonar suas terras, e mitos resolvem ficar e lutar. Na Inglaterra, os altos impostos deixam muitos súditos descontentes, e a vinda dos refigiados da França aumenta seus números. Com a resistência na França, o armistício negociado é descartado e os franceses tomam de volta todos os territórios ingleses, à excessão de Calais.

Descontente, o povo marcha para Londres enquanto os nobres condenam um bode expiatório à morte para tentar aplacá-los, mas o rei o protege – em vão – e o exila. Um rei fraco, uma rainha odiada por seu povo, lordes em busca de poder e uma população descontente: essas são as peças do jogo de xadrez que foi a Guerra das Rosas.

Em “A Senhora das Águas”, da Philippa Gregory, o mesmo período é descrito. No entanto, Conn Iggulden divide a narrativa entre diversas personagens no mesmo livro, enquanto ela dá um livro a cada personagem. Com isso, eventos como a invasão de Londres por Jack Cade são narrados tanto pelo ponto de vista dos invasores quanto pelo dos defensores, ao passo que Jacqueta é apenas uma vítima exilada na Torre enquanto tudo ocorre.

Típico do estilo de Conn Iggulden, períodos de “espera” são eliminados da narrativa, fazendo-nos acreditar que tudo foi bem mais dinâmico (em comparação, nos livros da Philippa, ela também pula, mas indica o ano no começo do capítulo, então estamos cientes do tempo). Infelizmente, neste primeiro volume não ocorrem muitas lutas, e a história envolve BASTANTE política, mas a sede é um pouco saciada com a descrição da resistência em Maine – ainda assim, perdemos um pouco a chance de ver um dos pontos fortes de Conn Iggulden.

Tendo lido os livros anteriores do Conn (e talvez por já conhecer relativamente bem o período graças a outras narrativas e pesquisas), achei este meio cansativo em alguns momentos. Adorei a profundidade que ele deu, todo o contexto histórico, político e social, por trás da Guerra das Rosas. Isso, sem dúvida, ele faz melhor do que a Philippa Gregory fez, mas senti falta de descrições da cultra, que ele faz com maestria tanto com os romanos como com os mongóis.
Por fim, se você gosta da história da Inglaterra e gosta de Conn Iggulden, ele não vai decepcionar. É uma narrativa nova de uma história já bastante contada feita por um dos mestres da literatura histórica. Que venha Trinity (ainda sem nome em Português, mas previsto para o começo do ano que vem!)!

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Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Feanari

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