P.S.: Ainda Amo Você (Jenny Han)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no segundo livro da duologia Para todos os garotos que já amei e pode haver spoilers sobre fatos do primeiro livro. Para saber o que eu achei dele, confira os links no final desta resenha.

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“…é difícil redefinir uma coisa que nunca teve definição clara. Éramos duas pessoas fingindo nos gostar, fingindo ser um casal, então o que somos agora? E como as coisas poderiam ter sido se tivéssemos começado a nos gostar sem o fingimento? Teríamos chegado a namorar? Acho que nunca vou saber. ” (Página 36)

Depois do final em suspenso de Para todos os garotos que já amei, é claro que parti para a leitura de P.S.: Ainda Amo Você com altas expectativas. Mas, elas eram tão altas, que a leitura deste segundo volume acabou sendo uma decepção. Os personagens criados por Han continuam carismáticos (alguns ainda mais, né Kitty) e a narrativa fluída, mas a trama dessa continuação não faz jus ao que foi narrado no primeiro livro.

Em P.S.: Ainda Amo Você reencontramos Lara Jean poucos dias após os confrontos que animaram o natal das irmãs Song. O relacionamento de Lara Jean e Peter era apenas um contrato, um fingimento, mas, no processo, Lara Jean acabou se apaixonando de verdade por Peter, e ao que parece, é correspondida. Agora eles precisam aprender como estar num relacionamento de verdade, precisam enfrentar seus passados (Genevieve, a ex-namorada e ex-amiga, continua firme e forte em seu intento) e, quando um garoto do passado se junta a essa história, os sentimentos de Lara Jean ficam um tanto quanto oscilantes…

O foco da vez é a mudança no relacionamento de Lara Jean e Peter, e como isso, alguns personagens ficaram relegados ao banco de reservas. Margot até tem suas participações esporádicas garantidas, mas à Josh, aquele que tanto espaço tivera antes, só coube o papel de figurante. Mas, voltando ao casal principal, o que mais gostei dos dois no primeiro livro foram os diálogos espirituosos, sarcásticos e sinceros que tinham um com o outro. Não havia o medo latente de magoar o outro, de ser incompreendido, de manter o interesse. Essa mudança faz todo o sentido perante a nova dinâmica do casal, mas não há como negar que os diálogos da forma como eram antes fizeram falta. E, talvez, além de marcar essa nova fase do relacionamento, Jenny Han também estava com propósitos escusos em mente, como preparar o terreno para a chegada de John Ambrose McClaren. Ei Han, para que um triângulo amoroso seja viável, não precisa queimar o filme de um dos vértices. Você foi injusta com o Peter e com todos nós que torcemos por esses dois. Detonou tanto o garoto, que me vi desejando fortemente que Lara Jean partisse para outra. Isso não se faz!

Mas, se no romance Han escorrega, o mesmo não se pode dizer dos outros relacionamentos dessa história. A dinâmica familiar da casa das irmãs Song continua ótima. É aqui que ela insere e trabalha bem a cultura coreana (ei, eu gosto de doramas!); que discute questões de gênero (mesmo que de forma bem tímida); e, escancara todas as formas de suporte familiar: o responsável e protetor do pai, o apoio sincero das irmãs, e o repleto de esperança das filhas. É aqui que há choro e muitos e muitos risos. Kitty continua sendo a rainha, dona de comentários bastante pertinentes (e hilários) e agora com um pendor para a Família Soprano e seriados da HBO (ninguém segura essa menina!). Kitty rouba o protagonismo de Lara Jean, essa é a verdade. E quando essa garotinha decide arrumar uma namorada para o pai, ela passa a perna nas irmãs.

Outro núcleo que ganhou bastante destaque foi o da casa de repouso dos idosos. Stormy reinou naquele local e ela contribuiu com alguns diálogos impagáveis e um dom para cupido para ninguém colocar defeito. Me peguei várias vezes querendo cenas dela e Kitty juntas, seria explosivo!

É realmente uma pena que no principal foco do livro, Han não tenha conseguido desenvolver bem a trama. Por exemplo, o caso envolvendo o encontro amoroso de Lara Jean e Peter no ofurô ganhou grandes dimensões e serviu de problematização para a discussão de questões de gênero, do famoso dois pesos, duas medidas. Passamos então a esperar por uma conclusão condizente, questionadora, mas o assunto é resolvido com uma simples varrida para debaixo do tapete. Além disso, as dúvidas, receios e medos de Lara Jean atingem patamares elevados de mimimi. E as ações de Peter alimentam esse comportamento, o que nos faz odiar o garoto em vários momentos. Realmente não deu para engolir a desconstrução de personagens antes tão cativantes.

 

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1 comentário

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