Simon vs. A Agenda Homo Sapiens (Becky Albertalli)

Simon vs. a agenda Homo Sapiens

Simon tem 16 anos e é gay, mas ninguém sabe. Bem, para falar a verdade, uma pessoa sabe. Blue, o garoto com que Simon (sob a alcunha de Jacques) troca e-mails. Um garoto com quem cada vez mais Simon se identifica. Mas, esse relacionamento permanece no mundo virtual, livre das inibições e receios que o encarar frente a frente poderia provocar. Ainda mais por ambos estudarem na mesma escola, e, não terem se assumido como gays ainda. Só que essa história é abalada quando Martin, um colega da turma de Simon, descobre sobre a troca de e-mails e começa a chantageá-lo. Uma ameaça que pode colocar em xeque esse relacionamento imberbe. Como Simon irá reagir a essa chantagem e o quanto de mudanças ela irá provocar na vida do garoto é o cerne dessa trama. Para ter uma chance real com Blue, Simon precisará convencer o misterioso garoto a se revelar; terá que manejar a chantagem de Martin; e, acima de tudo, aceitar as mudanças e arriscar-se fora de sua concha, assumindo seus verdadeiros desejos e sentimentos.

“Você não acha que todo mundo devia ter que sair do armário? Por que o comum é ser hétero? Todo mundo devia ter que declarar o que é; devia ser uma coisa bem constrangedora, não importa se você é hétero, gay, bi ou sei lá o quê. ” (Página 130)

“É mesmo muito irritante que hétero (e branco diga-se de passagem) seja o normal e que as pessoas que precisam pensar sobre sua identidade sejam só aquelas que não se encaixam nesse molde. ” (Página 131)

A história é narrada em primeira pessoa, por Simon, e os capítulos alternam-se entre a “narrativa principal” e os e-mails trocados por Jacques e Blue, que garantem diálogos humorados e algumas vezes até mesmo sarcásticos. E é assim, despretensiosamente, que Albertalli te prende à história. A leitura flui e você não quer parar até descobrir quem é Blue e se os dois garotos um dia irão se encontrar e ficar juntos.

Em tempos sombrios, no qual imperam a falta de empatia e o preconceito atinge patamares catastróficos e violentos, a história de Becky Albertalli chega levantando a bandeira do amor (e do direito de amar sob todas as cores, formas e gêneros) e da tolerância. A história de Simon e Blue é sobretudo fofa, pauta-se mais na construção da identidade dos jovens do que na discussão de assuntos mais sérios e críticos envolvendo questões de gênero e sexualidade. Mas afinal, não é isso que se espera de um livro voltado aos públicos infanto-juvenil e juvenil. O objetivo de Albertalli foi criar uma história com a qual às crianças e adolescentes LGBT e com inconformidade de gênero (ela é psicóloga e durante sete anos trabalhou com esse público) pudessem se identificar, e acho que Simon e Blue cumprem bem esse papel. Mas, além disso, a história de amor desses dois garotos e a construção da identidade de Simon pode ajudar as pessoas a entenderem que toda forma de amor é válida e merece ser respeitada. Simon vs. a Agenda Homo Sapiens é daquele tipo de livro que te cativa pelos personagens, lhe coloca um sorrido bobo no rosto em vários momentos e, que merece ser divulgado e lido pelo maior número possível de pessoas. Que um dia possamos ter mais Calens do que Omares.

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