A Presa de Sharpe (Bernard Cornwell)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do quinto livro (ordem cronológica) da série As Aventuras de um Soldado nas Guerras Napoleônicas. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu e a Mari achamos de outros livros da série, confira os links no final desta resenha.

APresadeSharpe

Depois da Batalha de Trafalgar, eu confesso que esperava reencontrar um Sharpe mais feliz. Com algum dinheiro no bolso, uma posição efetiva como soldado nos Fuzileiros e, quem sabe, o amor de Lady Grace. Mas, a leitura deste quinto volume mostrou que se Cornwell pode deixar a vida de seu protagonista árdua e melancólica, ele o irá fazê-lo sem meias medidas. É assim que reencontramos Sharpe em 1807 (dois anos depois de Trafalgar): vagando solitário e sem dinheiro pelas ruas de Londres, desenganado com o amor e cansado de tentar ser um bom soldado e não reconhecerem o seu valor. Será o fim de sua carreira como oficial? Se ele pudesse ter vendido sua patente talvez fosse, mas como até isso lhe foi negado, restou ao acaso o papel de reunir velhos companheiros de batalhas indianas e garantir a Sharpe uma missão. Acompanhar o nobre oficial John Lavisser à Dinamarca. Lavisse irá propor um suborno ao príncipe herdeiro dinamarquês e quem sabe trazer a Dinamarca para o lado inglês e impedir uma guerra. Cabe a Sharpe mantê-lo a salvo dos franceses. Mas, se tem uma coisa que aprendemos com os livros anteriores é que sempre há um traidor e, se ele não é Haskewill (ainda estou me perguntando aonde o bendito foi parar e quando irá dar as caras novamente), será alguém bem próximo a Sharpe. Lavisser é claro, não é muito difícil perceber isso. Sharpe foi escolhido como substituto ao antigo soldado designado para proteger Lavisser e que acabou assassinado, e não demora para o nobre oficial tentar livrar-se de Sharpe também, mas é claro que não dá certo e agora é Sharpe que parte em seu encalço (por toda a Dinamarca) para desmascará-lo e fazê-lo pagar pela traição.

Dentre todos os livros até aqui, este é o que mais escancara o lado político das guerras. As batalhas empreendidas com pena, tinteiro e mata-borrão, espiões e vira-casacas; que têm o poder de transformar soldados em meras peças de um jogo maior. Foi o que tentaram fazer com Sharpe, só não contavam com sua resistência, perseverança (teimosia mesmo) e sua grande capacidade de fermentar o desejo de vingança. Acompanhar todos os caminhos e descaminhos dele em busca de Lavisser: seu reencontro canhestro com Wellesley, a nova empreitada com o capitão Joel Chase e parte de sua tripulação (que bom que Cornwell não despachou essa amizade ao esquecimento), sua “estadia” em Copenhague durante o grande arraso provocado pelo bombardeio inglês e finalmente, o grande embate com seu rival, rendeu uma ótima leitura. No início da trama o tom depressivo e fúnebre pode ter deixado a narrativa arrastada, mas com seu desenrolar, os diálogos ficaram mais espirituosos e sarcásticos, e o velho Sharpe deu as caras novamente.

Christoffer Wilhelm Eckersberg, The Bombardment of Copenhagen, the night between the 3rd and 4th of September, 1807, 1807.

Christoffer Wilhelm Eckersberg, The Bombardment of Copenhagen, the night between the 3rd and 4th of September, 1807, 1807.

 

C.W. Eckersberg: -Det frygtelige bombardement af København-, 1807. Det Kgl. Bibliotek.

C.W. Eckersberg: -Det frygtelige bombardement af København-, 1807. Det Kgl. Bibliotek.

Se Sharpe em Trafalgar foi a pausa, A Presa de Sharpe representou o período de indecisão necessário para que Sharpe decidisse que rumo tomar.

“Ia voltar ao alojamento, ao serviço de intendente, mas pelo menos com a promessa de que não seria deixado para trás quando o regimento viajar outra vez para a guerra. E haveria guerra. A França estava atrás daquele horizonte cheio de fumaça e agora ela era a senhora de toda a Europa, e até que a França fosse derrotada não haveria paz. Era um mundo de soldados, e ele era um soldado. ” (Página 328)

 

Leia uma amostra aqui.

 

Conheça a Série As Aventuras de um Soldados nas Guerras Napoleônicas (livros na ordem cronológica, como publicados no Brasil):

  1. O Tigre de Sharpe [Skoob][Goodreads][Resenha Núbia]
  2. O Triunfo de Sharpe [Skoob][Goodreads][Resenha Núbia]
  3. A Fortaleza de Sharpe [Skoob][Goodreads][Resenha Núbia]
  4. Sharpe em Trafalgar [Skoob][Goodreads][Resenha Núbia]
  5. A Presa de Sharpe [Skoob][Goodreads]
  6. Os Fuzileiros de Sharpe [Skoob][Goodreads]
  7. A Devastação de Sharpe [Skoob][Goodreads]
  8. A Águia de Sharpe [Skoob][Goodreads]
  9. O Ouro de Sharpe [Skoob][Goodreads][Resenha Mari]
  10. A Fuga de Sharpe [Skoob][Goodreads][Resenha Mari]
  11. A Fúria de Sharpe [Skoob][Goodreads][Resenha Mari]
  12. A Batalha de Sharpe [Skoob][Goodreads][Resenha Mari]

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3 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

3 Respostas para “A Presa de Sharpe (Bernard Cornwell)

  1. Daniel

    Realmente o início dessa nova aventura de Sharpe não era dos mais promissores, indicando inclusive que talvez nem acontecesse, já que ele tenta vender sua patente e desistir da carreira militar. Mas além do impedimento das regras do exército que não permitiram que ele concluísse esse plano houve também o seu orgulho, que falou mais alto, já que a ideia de terminar seus dias em sua terra natal como um “fracassado” não o agradava nem um pouco.
    Interessante também notar que mesmo ainda muito machucado emocionalmente pela perda de Grace e o filho que esperavam ele pensava em iniciar um novo relacionamento, com a filha do comerciante dinamarquês, demonstrando que Sharpe demora para se decidir sobre um caminho a tomar mas quando o faz “mergulha” de cabeça.
    Foi impressionante, e até mesmo um tanto tocante, a ingenuidade do exército da Dinamarca, que não acreditava que o exército inglês atacaria a cidade com foguetes, essa esperança deles algo saído dos livros de contos-de-fadas.

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  2. To doido para comprar esta saga ksks… Gostei do seu blog!

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