Mistério no Centro Histórico (Tailor Diniz)

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No prefácio de Crime na Feira do Livro (2010), a obra na qual Diniz nos apresenta o detetive Walter Jacquet, o autor havia comentado sobre a dificuldade em dar continuidade a outras histórias com o personagem, uma pendenga que foi solucionada por ele. Em Mistério no Centro Histórico Diniz resgata seus personagens e nos convida a enveredar novamente pela cidade de Porto Alegre. Estão de volta Walter Jacquet, seu amigo Joãozinho e Inácia, a governanta de Joãozinho que tem o dom de fazer comentários certeiros e por vezes hilários.

Apesar de editorialmente ser mais recente do que Crime na Feira do Livro, a trama de Mistério no Centro Histórico é mais antiga. Enquanto a trama sobre o assassinato de Adavílson Doceiro tem lugar em 2008, neste os acontecimentos se passam em 2002, isso porque a ideia para essa história tem raízes antigas. A trama que envolve um suposto atentado terrorista no centro histórico de Porto Alegre, a criação de um romance e a confrontação dos fatos pelo uso da lógica, surgiu de um projeto de mestrado apresentado por Diniz à PUCRS há cerca de dez anos.  A proposta não foi selecionada, mas Diniz decidiu não abandonar a trama e finalizar a história.

Na trama, Joãozinho Macedônio, aspirante a escritor, finalmente consegue escrever uma novela baseada em um fato real, a explosão de uma bomba no centro histórico de Porto Alegre. Por depositar todas as suas esperanças nesse manuscrito, ele logo pede que seu amigo – o detetive Walter Jacquet recém-chegado dos EUA para uma temporada na cidade – avalie a sua história. Bomba explodindo em lugar diferente do sugerido por uma denúncia anônima, muitos interesses políticos e uma pressa suspeita em capturar o autor do atentado, incitam Walter a utilizar a lógica para desconstruir passa-a-passo o caso (e para desespero de Joãozinho de sua novela) e enveredar por suas próprias investigações.

“- Se “A” está para “B” e eu não tenho “B”, “A” é falso. Isso se chama lógica, meu caro. E lógica é ciência. ”

(Página 157)

A despeito de toda teoria lógica que está presente na narrativa, o texto de Diniz é fluído e a leitura agradável. E, suas descrições das ruas de Poa realmente conseguem nos transportar para as ruas da capital gaúcha. No fim, toda essa mistura de políticos inescrupulosos, especulação imobiliária, o medo de ataques terroristas fomentando o preconceito contra alguns grupos étnicos e o apego de um aspirante a escritor à sua obra, renderam uma trama policial bastante interessante e Diniz não deixa pontas soltas e, ainda que a reviravolta não tenha sido tão surpresa assim (ei, leitores de romances policiais sempre querem chegar aos fatos antes dos investigadores), ela encerra o caso muito bem. Eis um autor que os fãs de romances policiais deveriam dar uma chance. Espero que o autor continue criando outras histórias protagonizadas por Jacquet.

PS: minha única ressalva (e tristeza) fica por conta do trabalho de revisão que poderia ter sido melhor.

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Arquivado em Editoras Parceiras, Edtora Dublinense, Resenhas da Núbia

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