As Luzes de Setembro (Carlos Ruiz Zafón)

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Comecei a ler a Trilogia da Névoa em 2013 e só agora a completei, mas mesmo tendo lido O Príncipe da Névoa há tanto tempo, foi impossível não perceber a grande semelhança entre a trama dele e do As Luzes de Setembro. Tanto é, que ao começar a leitura deste, tive que pegar meu exemplar de O Príncipe da Névoa para folheá-lo atrás de informações e ter a certeza de que realmente não havia relações entre os personagens dos dois livros. A semelhança é explicada pelo próprio Zafón:

“Escrevi As Luzes de Setembro em Los Angeles, entre 1994 e 1995, com a intenção de solucionar alguns elementos que não havia resolvido do jeito que gostaria em O Príncipe da Névoa. ” (Página 07)

Daí a grande proximidade entre os dois romances. Tanto pela locação (ainda que as cidades sejam diferentes, ambas são no litoral da França) quanto pelos elementos que se repetem: o mar, o farol, as pescas marítimas, a descoberta do amor juvenil, o garoto aventureiro e curioso. No Príncipe da Névoa há um jardim de estátuas fantasmagóricas e um misterioso naufrágio em As Luzes de Setembro há uma mansão repleta de autômatos e entidades assustadoras.

“À luz do dia, a casa de Lazarus Jann parecia um interminável museu de prodígios e maravilhas. Mas ao cair da noite, as centenas de criaturas mecânicas, os rostos das máscaras e os autômatos se transformavam numa fauna fantasmagórica que nunca dormia, sempre atenta e vigilante nas trevas que cobriam a casa, sem parar de sorrir, sem parar de olhar para nenhum lugar. ” (Páginas 58-59)

A trama se passa no verão de 1937, temporalmente a trama apresentada aqui é anterior aos fatos narrados no primeiro livro da trilogia. Há até mesmo uma leve referência ao pai de Max Carver e sua busca por uma casa no litoral.

Simone Sauvelle e seus dois filhos, Irene e Dorian, viviam em Paris até Simone ficar viúva e o acúmulo das dívidas do marido os lançar na penúria. Então, quando surge a oportunidade dela se mudar com os filhos para Baía Azul, uma cidadezinha no litoral da Normandia, para trabalhar como governanta em Cravenmoore, a casa de Lazarus Jann, um inventor e fabricante de brinquedos, mais do que depressa ela agarra a oportunidade. Ali a família se reergue, Simone tem um bom relacionamento com seu patrão, o espírito curioso de Dorian aflora e ele quer saber tudo sobre como os bonecos de Lazarus funcionam, e Irene descobre o amor com Ismael, primo de Hannah, a garota que trabalha como cozinheira em Cravenmoore. É por meio dos encontros e conversas de Irene e Ismael que tomamos conhecimento da lenda conhecida como As Luzes de Setembro que envolve a presença de uma misteriosa mulher na Ilha do Farol.

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Foto de Ben Shbeeb (Fonte)

A vida é boa, mas então Hannah é assassinada e a cidadezinha fica em polvorosa. Ismael tem certeza de que há mais por trás da morte da prima e decide investigar a morte dela com a ajuda de Irene. Os segredos de Cravenmoore, o passado de Lazarus e o mistério das luzes de setembro nos são então revelados. Assim como nos outros dois livros a “névoa” se faz presente. Há o sobrenatural, os perigos representados pelo oculto e a atmosfera sufocante tão característica das obras de Zafón.

A narrativa de As Luzes de Setembro é simples e transcorre em poucas páginas. Não há tanto espaço para apresentar os personagens e Zafón parte direto para a ação, é ruim por um lado pois não nos dá a oportunidade de nos ligarmos emocionalmente aos personagens, mas por outro lado ganhamos uma trama ágil, envolvente e de rápida leitura. Ideal para ler numa sentada só.

Vale lembrar que apesar de comporem uma trilogia, cada livro funciona perfeitamente como romance único. Não há ligação entre as tramas, não há compartilhamento de personagens e não existe uma ordem temporal entre eles. Dá para ler apenas um, dois, ou todos e na ordem que quiser. Se for para escolher só um deles para indicar, fico com O Palácio da Meia-Noite. Dos três é o que tem a trama mais sombria e os personagens mais cativantes.

 

Leia uma amostra aqui:

 

PS: Para quem já leu. Foi confusão minha ou a timeline da morte de Hannah realmente está confusa? Aconteceu na sexta-feira como sugere a ordem da narrativa ou no sábado como sugerido pelo diálogo dos personagens?

 

Conheça a Trilogia da Névoa:

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Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

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