Qualquer Outro Lugar (A. G. Howard)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no último livro da trilogia Splintered, por isso, pode conter spoilers, revelando partes dos conteúdos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos demais livros, confira os links no final desta resenha.

 

É chegada a hora de dizer adeus ao mundo psicodélico de Carroll revisitado com muita propriedade por Howard. Se no primeiro livro vivenciamos a descoberta do País das Maravilhas, de toda a efervescência dos seres intraterrenos e dos sentimentos de Alyssa e Jeb, e no segundo pudemos conhecer Morfeu (ser intraterreno mais exasperante que ele não há) mais a fundo e perceber que há um novo caminho que Alyssa poderá seguir (e até torcemos por essa escolha em vários momentos); agora Howard nos entrega mais do histórico familiar de Alyssa e nos dá outras facetas de Jeb e Morfeu para explorar enquanto nos deixa ansiosos (e ao mesmo tempo temerosos) pelo final que se aproxima.

Atrás do Espelho terminou com um episódio dramático que confinou Alison (a mãe de Alyssa) ao País das Maravilhas e enviou Jeb e Morfeu para Qualquer Outro Lugar, o mundo no qual as criaturas exiladas do País das Maravilhas são mantidas presas. Alyssa ficou para trás, com a fama de louca que durante muito tempo manteve sua mãe em um hospital psiquiátrico, e, para poder ir atrás de sua mãe, Jeb e Morfeu ela finalmente terá de contar a verdade sobre sua herança materna ao pai e devolver a ele o passado que lhe fora roubado quando ele ainda criança acabou refém da Irmã Dois no País das Maravilhas. Só assim ela poderá resgatar a confiança do pai novamente e contar com a ajuda necessária para ir até a Qualquer Outro Lugar resgatar Jeb e Morfeu e dali partir para o País das Maravilhas que está condenado desde que a Toca do Coelho fora destruída.

“Finalmente consigo reconhecer o que nunca me permitir admitir: sou descendente da Rainha Vermelha. Ela é uma parte permanente de mim. Agora posso aceitar isso porque sei que ela, um dia, teve coração. Um coração que sentiu perdas parecidas com as minhas: a ausência de uma mãe que ela adorava; o medo de perder a admiração do pai; o arrependimento por um erro tão monumental que lhe custou o amor de sua vida.“ (Página 30)

Desde o início Alyssa esteve dividida entre seu lado humano e seu lado intraterreno e isso sempre se refletiu nos seus relacionamentos com Jeb e Morfeu. Jeb conquistou nosso coração no primeiro volume com suas escolhas que sempre priorizaram o bem-estar de Alyssa, apesar disso, no segundo volume Morfeu conseguiu se intrometer e nos mostrar, que para o lado intraterreno da garota, não haveria melhor escolha do que ele. Neste último volume, uma escolha será exigida de Alyssa e Howard caprichou ao adicionar novas facetas aos garotos. Jeb ganhou um lado mais sombrio, atormentado pelo passado, mas ainda assim, totalmente apaixonado por Alyssa e capaz de fazer as escolhas mais difíceis para mantê-la a salvo. Morfeu continua sempre tentando passar todo mundo para trás, e, se isso por um lado pode ter desgastado um pouco nossa empatia por ele (o que não duvido que tenha sido a intenção de Howard), por outro, acabou sendo um aprendizado de aceitação. Em sua essência Morfeu não mudará, mas poderá se tornar um intraterreno melhor quando lhe for exigido. A escolha de Alyssa não se tornou nem um pouco mais fácil.

Quando terminei o primeiro livro achei que seria aquilo e que Howard não teria mais o que trabalhar, com o segundo veio a certeza de que o mundo psicodélico criado por Carroll tinha meandros de sobra para serem explorados e Howard provou fazer jus a essa missão. Terminei a leitura do segundo livro com as expectativas lá em cima e foi bom não ter me decepcionado com a leitura de Qualquer Outro Lugar. Nele, Howard amarrou todas as pontas soltas, explorou todas as potencialidades de seus personagens, manipulou nossos sentimentos e nos brindou com uma conclusão satisfatória e um tanto quanto agridoce.

 

Leia uma amostra aqui:

 

Conheça a série Splintered:

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Uma resposta para “Qualquer Outro Lugar (A. G. Howard)

  1. Pingback: Sussurros do País das Maravilhas (A. G. Howard) | Blablabla Aleatório

Gostou do post, então comenta!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s