Star Wars – Herdeiro do Jedi (Kevin Hearne)

Nesta nova leva de romances do Universo Expandido de Star Wars, sim estou me referindo apenas às obras cânones, já li livros que se passam pós-eventos dos filmes antigos e antes dos retratados na nova trilogia, outros que se passam poucos anos após a instauração do Império Galáctico e que até mesmo acompanham o nascimento e a derrocada do poderio de Palpatine. Em alguns, os protagonistas são os vilões (bem persuasivos e carismáticos) ou personagens pouco expoentes nos filmes, mas que ainda esperamos que venham a ter alguma importância na nova história central que descortina. A história de Kevin Hearne está ambientada entre os filmes IV e V, logo após os eventos que culminaram na explosão da primeira Estrela da Morte, e é protagonizada e narrada pelo ainda incipiente jedi Luke Skywalker.

“(…) eu sei que a Força é real. Pude senti-la.

Ainda a sinto, na verdade, mas acho que é como saber que há algo escondido na areia enquanto você desliza as mãos sobre ela. Você vê ondulações na superfície, sugestões de que algo está se movendo ali embaixo (talvez algo pequeno, talvez algo enorme), levando uma vida completamente diferente que você não vê. E sair atrás desse algo para ver o que está sob a superfície pode ser seguro e gratificante, ou pode ser a última coisa que fará na vida. Preciso de alguém para me dizer quando mergulhar nessas ondulações e quando recuar.” (Página 18)

Aqui encontramos um Luke ainda descobrindo a Força, que mal havia começado seu treinamento com Obi Wan Kenobi quando este fora derrotado por Darth Vader. Agora, determinado a seguir o caminho da Força e se tornar um jedi, ele está em busca de algo ou alguém que lhe ensine o caminho das pedras. Apesar de todo o potencial demonstrado por ele durante a incursão que destruiu a Estrela da Morte, Luke ainda é o rapaz cheio de dúvidas e inseguranças, com uma leve quedinha pela Princesa Leia e agora, separado de Han e Chewie, os novos amigos que partiram em busca de seus próprios negócios. Herdeiro do Jedi então é essencialmente um livro de autodescoberta, representando o início da mudança do jovem ingênuo e imprudente Luke no heroico e destemido piloto  e jedi Skywalker.

Após a batalha de Yavin, a Aliança perdeu sua base e ainda está em busca de novos lugares estratégicos que possam ser utilizados. Com o front de batalha temporariamente arrefecido, Luke está fazendo serviços para a Aliança, como a compra de equipamentos e armas. Hearne então aproveita isso para lançá-lo em serviços que o colocam em contato com indivíduos que possuem históricos com jedis, e cria aventuras envolvendo seres mirabolantes e missões quase que suicidas. Para lhe acompanhar, Hearne criou a personagem Nakari Kelen, uma humana do planeta de Pasher. Nakari é uma personagem que te cativa de cara, seus diálogos com Luke são espirituosos, e, durante a missão um romance começa a surgir (em algum lugar o deslocamento das atenções de Luke de Leia para outrem precisava ser trabalhado, Hearne soube aproveitar isso muito bem). Aliás, essas lacunas como os sentimentos de Luke por Leia, o uso da Força por Luke, e seu maior conhecimento sobre o funcionamento de um sabre de luz; que não foram trabalhadas nos filmes foram bem aproveitadas aqui. Um ponto bastante positivo da história de Hearne.

Mas, nem tudo funciona em Herdeiro do Jedi. Algumas partes são bastante descritivas e, como leitora que tem alguns de seus livros favoritos conhecidos por serem essencialmente descritivos, posso dizer que as descrições de Hearne deixaram a leitura bem arrastada. Ele “perde tempo” com descrições de situações que nada agregam à trama principal e o “entrou aqui para encher linguiça” acaba ficando bastante evidente.

Foi bom ler sobre o Luke ainda descobrindo os seus poderes, ainda marcados pelas perdas recentes e com todo o seu idealismo por lutar pelo bem comum. Foi muito interessante também que o desejo de Luke por aprender mais sobre os jedis, tenha sido fomentado (de formas diferentes, por personagens diferentes) em uma trilha que acabou levando-o até sua posterior jornada até o Mestre Yoda. O pesar fica pelo ritmo da narrativa de Hearne. Com uma boa limpada nas descrições e nas intervenções narrativas desnecessárias, a narrativa poderia ter ficado mais direta e ganhado uma agilidade que acrescentaria pontos ao livro. Dessa nova leva de livros do cânone, infelizmente, este foi o mais fraco que li até agora.

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Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

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