O Navio dos Mortos (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do último livro da trilogia Magnus Chase e os Deuses de Asgard. Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

 

Com O Navio dos Mortos, as aventuras de Magnus e seus amigos chegam ao fim, pelo menos enquanto protagonistas de suas próprias histórias. Enveredar pela mitologia nórdica com o tio Rick foi uma experiência bastante divertida. O Hotel Valhala e suas peculiaridades, todos os melindres e as loucuras dos deuses e gigantes e a grande diversidade de personagens que Riordan colocou nas páginas dessa história, tornaram a trilogia Magnus Chase e os Deuses de Asgard uma leitura bastante atrativa. Mas, o principal mérito de Riordan é não subestimar seus leitores. Apesar de muitos torcerem o nariz para a forma como ele trabalha a mitologia em suas histórias, não se pode falar que ele deixa de fornecer maiores detalhes da mitologia só porque sua obra é direcionada ao público juvenil. E olha que a mitologia nórdica é cheia de peculiaridades, principalmente relacionadas à Loki, mas ó, você não irá ver Riordan modificar parentescos ou formas, ele sabe que a informação bem trabalhada é bem melhor que a suprimida ou modificada. É assim, que ao longo dos livros lemos sobre Loki e suas constantes mudanças de formas e gêneros que lhe renderam filhos bastante singulares; conhecemos o esperto anão Andvari e os detalhes da criação do sábio Kvásir; e, formos surpreendidos pela variedade de relacionamentos entre deuses e gigantes. Tudo isso em meio a muita referência pop e o tom humorado e um tanto quanto sarcástico que se tornou a marca de Magnus.

O final de O Martelo de Thor deixou os fãs da série mais famosa de Riordan alvoroçados, afinal, vinha aí uma missão envolvendo o mar e Magnus não tem lá muita sorte com os deuses e deusas marinhos. É claro que Riordan não iria se privar de trazer Percy para dar uma mãozinha. Mas, a participação de Percy e Annabeth é tão rápida que não dá tempo nem de sentir saudade. E no final nas contas, nem todo o treinamento planejado pelo filho de Poseidon poderia antecipar todas as pequenas missões que Magnus e seus amigos precisam cumprir para chegar até Loki e o Naglfar (o navio dos mortos) e impedir que ele zarpe com um exército de gigantes e zumbis até Asgard para dar início ao Ragnarök. E, se nos outros livros as missões mais importantes englobavam apenas o núcleo mais próximo de Magnus, agora todo o andar dezenove do Hotel Valhala é escalado. E a inclusão de J.T., Mestiço e Mallory deixou algumas missões bem mais divertidas e explosivas.

“Fui tropeçando até a popa do navio, onde tinha colocado meu saco de dormir. Eu me deitei, apreciando o som de Samirah fazendo sua oração noturna na proa, a poesia melódica suave e relaxante.

Pareceu estranho a Oração do Crepúsculo a bordo de um navio viking cheio de ateus e pagãos. Por outro lado, os ancestrais de Samirah enfrentavam vikings desde a Idade Média. Eu duvidava de que fosse a primeira vez que orações para Alá tinham sido ditas a bordo de um navio viking. O mundo, os mundos, eram bem mais interessantes por causa da mistura constante.” (Página 126)

No mais, Riordan continua trabalhando muito bem o discurso de tolerância e contra o preconceito. Quer seja com a religião de Samirah ou com o relacionamento de Alex e Magnus. Aliás, a forma como Riordan trabalhou a fluidez de gênero de Alex é deu uma sensibilidade cativante. Se as aventuras de Magnus me cativaram pelo humor nostálgico que remeteu às primeiras histórias de Riordan, foi o discurso social e de diversidade que me deixou ainda mais apegada à trama. E é claro que a rica mitologia nórdica foi um adendo mais do que bem-vindo. No fim, só senti falta de Riordan explorar mais algumas questões que permaneceram no ar (como as implicações de se alimentar do coração de um inimigo). Mas, levando-se em conta que ainda que o Ragnarök tenha sido evitado desta vez (e se você achar que isso é um spoiler você realmente não conhece os livros do tio Rick), ele um dia irá acontecer; e que os einherjar sempre terão novas missões, pode ser que ainda encontremos Magnus novamente e que sabe aí, Riordan nos forneça mais detalhes… A conversa entre as diferentes obras dele é uma das coisas que mais gosto em suas histórias. Já estou na torcida para que elas permaneçam frequentes.

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