Leia Mulheres: Temas Sérios/Sociais

Desde que eu comecei esta pequena coluna aqui no blog, já falei de autoras que escrevem livros de não ficção, romances e graphic novels com protagonistas fortes e senhoras do seu destino, outras que ajudaram a formar muitos leitores com suas histórias infantis e infanto-juvenis e outras que provam por A mais B que mulher sabe escrever livro de fantasia sim senhor e que muitos de seus livros podem ser repletos de aventuras. Este ano vamos começar falando sobre temas mais sérios ou de cunho social, que estas autoras da lista não tiveram dúvidas em abordar ou até mesmo dedicar uma obra inteira a eles.

Katherine Boo

A americana Katherine Boo é jornalista premiada e é bastante conhecida por seus trabalhos que colocam em evidências as pessoas de comunidades pobres e desfavorecidas negligenciadas pelas autoridades. Livro mesmo, ela só publicou um, Em Busca de um Final Feliz, no qual ela faz um retrato pungente e detalhista da vida das castas mais baixas da Índia, no caso dos moradores de Annawadi, um dos mais de trinta assentamentos irregulares em Mumbai, reduto dos que vivem abaixo da linha da miséria e destinados a viverem cercados pela opulência dos hotéis cinco estrelas. Para escrever seu livro, Katherine conviveu, ouviu, acompanhou os moradores de Annawadi e registrou seus relatos de novembro de 2007 a março de 2011.

Futhi Ntshingila

A escritora sul-africana é formada em jornalismo e tem mestrado em Resolução de Conflitos, hoje ela trabalha no escritório presidencial em Pretória. Futhi só tem dois livros publicados, e apenas sua obra mais recente Sem Gentileza foi publicada aqui no Brasil pela Editora Dublinense. Fuhti faz uma literatura feminista em essência e sul-africana em suas raízes. Em Sem Gentileza, ela acompanha a trajetória de uma mãe e sua filha na dura realidade de um país marcado por uma epidemia de AIDS em pleno apartheid, uma sociedade essencialmente machista, na qual as mulheres, ainda mais as negras e pobres, precisam lutar constantemente contra as barreiras que as cerceiam, as humilham e as colocam em sérios riscos de vida por serem vítimas de práticas arcaicas e supersticiosas. Não é uma leitura fácil e justamente por isso bastante necessária.

 

Até agora, os livros citados, trazem histórias essencialmente polifônicas, mesmo Sem Gentileza que traz como protagonistas Mvelo e Zola abre espaço para muitas outras vozes em suas páginas. Os livros a seguir têm por característica focarem no drama íntimo do personagem principal, ainda que muitas vezes ele acabe resvalando nas pessoas que os rodeiam.

Laurie Halse Anderson

Foto: Fonte

Laurie Halse Anderson é conhecida por abordar em suas histórias temáticas difíceis, com uma grande carga dramática, mas fazendo-o de forma sensível. No Brasil, apenas dois livros seus foram publicados: Garotas de Vidro no qual ela aborda a anorexia e Fale!, sua obra mais icônica e que já foi até adaptada para o cinema. Publicada em 1999, a história de Fale! continua forte e repleta de significados mesmo com o passar dos anos. Nele, Anderson traz a história de Melinda uma adolescente que sofreu violência sexual e que encontrou no silêncio um alento para superar o episódio, mas, quando o silêncio faz mais mal do que bem e seu algoz segue incólume, Melinda precisa encontrar sua voz e na fala achar a força, não para esquecer, mas para enfrentar o seu algoz.

Kathryn Erskine

Apesar de escrever livros para crianças, Esrkine não se priva de trabalhar temas com grande carga dramática em suas histórias. Seu livro mais emblemático é Passarinha que traz como protagonista Caitlin, uma garota de 10 anos, portadora de Asperger e que de repente se vê privada da presença do seu irmão mais velho, assassinado em uma tragédia escolar. A trama se passa na Virgínia e a chacina empreendia pelo atirador solitário que 16 de abril de 2007 assassinou 32 pessoas no Instituto Politécnico da Universidade da Virgínia foi o episódio catalisador que levou Erskine a escrever sua história. Passarinha é uma história sobre o luto, sobre como eventos desse tipo abalam a vida dos envolvidos e como podemos lidar com isso, e, sobre como pode ser ainda mais difícil para uma criança portadora de Asperger passar por um momento de perda, principalmente daqueles responsáveis por fazer a ponte entre ela e o mundo exterior, o que Devon era para Caitlin. A pessoa que a melhor compreendia no universo. Adentrar ao mundo dessa garotinha, escrito com a propriedade de quem tem uma filha com a síndrome, é um baita exercício de empatia.

R.J. Palacio

Foto: Fonte

Extraordinário de Raquel Jaramillo Palacio pode não ter uma tragédia como mote, mas assim como a história de Caitlin, a história do garotinho Auggie Pullman, também é um exercício de empatia e tolerância. Auggie tem a síndrome de Treacher Collins, uma condição genética que provoca deformações faciais e que venho acompanhada de muitas visitas a médicos e cirurgias que lhe impediram de frequentar a escola como uma criança normal. Agora, seus pais acham que é chegada a hora dele ir para uma escola, é quando sua jornada em busca de aceitação e, sobretudo respeito começa. Auggie é um garoto gentil e otimista e é sob a lente do otimismo que Palacio trabalha o bullying escolar. Alguns podem até achar piegas, mas não há dúvida de que a história de Auggie é um belo exemplo de superação. Em tempos sombrios, é um alento ter uma história que propaga a gentileza. O livro foi publicado em 2012 (no Brasil em 2013), mas agora entrou em foco novamente devido a estreia de sua adaptação cinematográfica estrelada por Julia Roberts, Owen Wilson e Jacob Tremblay no papel de Auggie.

PS: Olha aí de novo o uso das iniciais em detrimento do nome completo da autora para a publicação.

Em tempo, para quem está planejando ler mais livros escritos por mulheres em 2018. No Instagram está rolando um desafio, dê uma olhada na hashtag #lendomaismulheres2018.

Os posts mais antigos dessa série podem ser acessado via tag (Leia Mulheres) no final deste post ou no menu principal em Colunas.

 

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