Moribito – O Guardião do Espírito (Nahoko Uehashi)

Moribito é uma série de fantasia que começou a ser publicada em 1996 e conta com dez volumes. A história criada por Naholo Uehashi inspirou mangás e foi transformada em anime pela Production I.G com direção de Kenji Kamiyama (de Ghost in the Shell). No primeiro volume, Uehashi traz as aventuras de Balsa, Chagum e o espírito Nyunnga Ro Im. Balsa é uma mulher de 30 anos, habilidosa lanceira e guarda-costas itinerante que presenciou um acidente envolvendo o segundo príncipe de Nova Yogo (Chagum) e o resgatou. Acontece que um espírito que coloca um ovo em um hospedeiro humano a cada cem anos, escolheu Chagum para ser o portador da vez e Balsa, atendendo às súplicas da Segunda Rainha, agora é a responsável por manter o garoto a salvo. De um monstro que caça e se alimenta dos ovos do Nyunga Ro Im e dos servos do Mikado (o rei) que ordenou a morte do próprio filho, por causa dos seus interesses políticos. Nessa jornada eles terão a ajuda de Tanda, amigo de infância de Balsa e xamã em formação e de Torogai uma exímia mestre xamã.

O ritmo da narrativa é frenético. Uehashi não poupa nas descrições de cenas de lutas, com direito a muito clangor de espadas, lançamentos de lanças e shurikens e sangue, muito sangue. Balsa é a típica heroína, mesmo não querendo ser reconhecida pela alcunha. Depois que toma para si a tarefa de proteger alguém, dá tudo de si e mais um pouco e é impossível não ser cativada pela personagem.

Essa é uma história que envolve lendas e a identidade cultural de um povo que foi subjugada pela cultura do conquistador. Em Nova Yogo viviam apenas os yakoo antes da chegada da família real do Mikado, e na trama, Uehashi trabalha bem essa apropriação cultural, na qual partes do fabulário dos yakoos, diretamente relacionadas à sobrevivência do povo, por causa dos interesses das classes dominantes, foram pouco a pouco mascaradas e substituídas por outras.

“- Por que você acredita na lenda dos yakoo, mas rejeita a história do nosso antepassado divino? – perguntou ele.

(…)

– (…) porque sei por experiência própria que os mais fortes manipulam as lendas dos mais fracos para atender a seus próprios interesses, e não o contrário.

(…)

– Não, Balsa. Embora, na maioria das vezes, isso seja verdade, acho que os oprimidos também embelezam suas próprias lendas. Se não o fizessem, não teriam como manter o orgulho. Mas acredito na história de Nyunga Ro Im. Ela já era contada muitos séculos antes de o Mikado vir para estas terras…” (Página 78)

 

Mas, talvez o principal ponto positivo da trama de Uehashi esteja no desenvolvimento de seus personagens. O crescimento deles, especialmente de Balsa e Chagum, ao longo da trama são expressivos. Quem diria que ela tão sisuda e ele tão arredio se tornariam tão carismáticos no decorrer de suas jornadas? Uehashi trabalhou essa transformação muito bem.

Meu maior receio ao começar a ler Moribito, foi que por se tratar de um primeiro volume, de uma longa série, a trama não tivesse conclusão. Ainda bem que meus temores foram infundados e a jornada de Balsa e Chagum foi completada. É claro que Uehashi deixa uma breve menção que indica que virão outras aventuras, mas, elas não influem nesta, o que foi muito bom uma vez que apenas o primeiro volume da série foi publicado por aqui. Seria bem legal continuar acompanhando as aventuras desses personagens. Ajuda aí Editora WMF Martins Fontes!

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