Jogador n° 1 (Ernest Cline)

Este é daqueles livros que quando foi lançado foi bastante comentado, angariou uma boa quantidade de leitores, mas que não tinha me deixado com vontade de lê-lo. Mas, com o lançamento do filme (que não, ainda não conferi, mas que ainda pretendo, apesar dos comentários de insatisfação) o interesse no livro reacendeu e finalmente fiquei curiosa para saber mais sobre a história criada por Cline e o motivo dela ter conquistado um grande número de fãs.

Na Terra do futuro (nem tão futuro assim), o uso exacerbado da tecnologia acarretou uma Crise de Energia Global, que além de reduzir drasticamente a energia disponível para a população, também contribuiu para mudanças ambientais catastróficas. Plantas e animais extinguiram-se, muitas pessoas morreram e estão morrendo de fome e doenças, não há moradias suficientes e cada vez mais e mais guerras são travada por causa dos recursos que ainda restam. Morar nessa Terra não é uma tarefa fácil, bonita ou agradável, e isso tudo criou um ambiente perfeito para o desenvolvimento do OASIS (ou Simulação Imersiva Ontologicamente Antropocêntrica), uma utopia virtual global que permite aos usuários serem o que quiserem e viverem inúmeras experiências em quaisquer um dos muitos mundos criados com inspiração nos filmes, videogames e na cultura pop dos anos 1980. Você quer ter experiências no universo de Star Wars? Pode. Star Trek? É claro. Terra Média? Claro que sim. Disc World? Também. O OASIS se transformou numa verdadeira válvula de escape e se difundiu rapidamente. As pessoas estudam, trabalham e têm relacionamentos no OASIS. Aos poucos ele foi se tornando a realidade delas.

“Minha geração não sabia como era o mundo sem o OASIS. Para nós, ele era muito mais que um jogo ou uma plataforma de entretenimento. Sempre tinha sido parte da nossa vida. Havíamos nascido em um mundo feio, e o OASIS era nosso refúgio de felicidade. ” (Página 48)

Wade Watts cresceu no OASIS, ele que já nasceu nessa terra devastada, encontrou conforto e um pouco de felicidade no mundo virtual. Seu maior ídolo é James Halliday, o criador do OASIS. E, quando Halliday morre sem deixar herdeiros, sua imensa fortuna e o controle do OASIS são colocados em jogo. Halliday, que era Anorak no OASIS, criou uma caçada à easter eggs. Três chaves, três portões para serem explorados, três desafios para serem cumpridos, um prêmio final. Wade é um caça-ovo, jogadores do OASIS determinados a encontrarem os easter eggs de Halliday, e para isso dedica boa parte do seu tempo às coisas que Halliday tanto gostava. Filmes, séries, quadrinhos, famosas franquias, videogames. Inúmeras e inúmeras referências que fizeram de Jogador n° 1 uma verdadeira ode à cultura pop e nerd dos anos oitenta. Tudo isso aliado a uma caçada na qual também temos vilões, pessoas determinadas a explorar e cobrar pelo acesso ao OASIS, elitizando o serviço; que não poupam esforços, dinheiro, trapaças e violência para atingirem seu intento. E a cada nível, a cada chave encontrada, a caçada vai se tornando cada vez mais perigosa; aliados são conquistados e perdidos e recuperados; pinta um clima de romance no ar; e o ritmo da história é cada vez mais frenético.

No geral eu gostei da narrativa do Ernest Cline, mas ainda acho que em alguns momentos ele se perdeu em detalhes demasiados e descrições desnecessárias que diminuíram boa parte da dinâmica da história. Não foi à toa que em alguns momentos a história tenha se arrastado. Mas, tirando isso, todo esse ar oitentista, com inúmeras referências, mesmo que algumas passem despercebidas para alguém nascida no final dos anos oitenta e tenha sido uma criança mais noventista; renderam uma história com uma alta carga nostálgica, mas que ao mesmo tempo coloca em discussão assuntos sérios como o intenso uso da tecnologia, o uso indiscriminado dos combustíveis fósseis e a dualidade entre a vida real e a vida virtual e as implicações disso para o futuro da humanidade. Cline teve sucesso em criar uma história imersiva e de leitura rápida. E se o filme não foi o que os fãs esperavam, só posso agradecer por ele ter me dado a oportunidade de dar uma chance e conhecer esta história.

 

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