Um Banquete Para Hitler (V. S. Alexander)

“Eu, Magda Ritter, fui uma das quinze mulheres que provavam a comida de Hitler. Ele se preocupava obsessivamente com o risco de ser envenenado pelos Aliados ou por traidores.

Depois da guerra, ninguém, exceto meu marido, soube o que fiz. Não falei sobre isso. Não conseguia falar sobre isso. Mas os segredos que eu guardei tantos anos precisam ser libertados de sua prisão interior. Não tenho mais muito tempo de vida. ” (Prólogo, Página 7)

Durante a Segunda Guerra Mundial, Hitler manteve a seus serviços mulheres que atuavam como provadoras. O líder do Nacional-Socialismo se preocupava excessivamente que pudesse ser envenenado e essas mulheres eram usadas como barreiras de proteção. Magda Ritter foi uma dessas mulheres e é sua história que acompanhamos em Um banquete para Hitler. Seu trabalho que a colocou em proximidade com o Führer e, que apesar dos riscos, lhe garantiram uma vida confortável em tempos de guerra; o abrir dos olhos para todo sofrimento impingido pelo regime ao povo; a dor das perdas e a revolta que norteou suas ações derradeiras.

A ideia deste livro partiu de uma história publicada pela Associated Press que narrava a vida de Margot Woelk que foi uma provadora de Hitler e que manteve sua profissão em segredo até completar 95 anos. Apesar de não pretender escrever uma biografia velada da provadora, V. S. Alexander enxergou aí a oportunidade de escrever um livro ambientado durante a Segunda Guerra Mundial e que tivesse uma narrativa mais próxima do Terceiro Reich. Um ponto de vista um pouco menos explorado nos romances que exploram essa temática. Justamente por isso, o início dessa trama, ao não escancarar o sofrimento do povo, perde muito em carga empática. Nos bunkers e moradias hitlerianas a vida segue boa, com boas acomodações e boa comida, ainda que para ter direito a elas Magda tenha de colocar a própria vida à prova ao menos uma vez por dia.

Aliás, a parte histórica é muito bem concatenada e a transição entre o ambiente indolor, feliz e farto (ao menos para o Reich), para o repleto de dor, sofrimento e perdas é marcante. Tornando a dor ainda mais pungente quando finalmente ela é percebida por aqueles incluídos no sistema protegido do Reich. Quando Magda a sente em sua própria pele, a dor transparece.  Ao abrir espaço para mostrar o outro lado da guerra, Alexander mostra que se tratando do povo, não houveram ganhadores e perdedores na guerra. Ele rompe as barreiras ente o bom e o mau e mostra que independentemente de que lado estavam e da nacionalidade, muitos sofreram e outros tantos impingiram dor a outrem.

Por outro lado, boa parte da narrativa gira em torno do relacionamento de Magda e Karl, um capitão da SS. Mas, infelizmente o desenvolvimento dos sentimentos entre os dois não convence. O relacionamento é tão mecânico que fica até difícil torcer para um final juntos para os dois. Não ter conseguido imprimir força e realismo ao casal foi algo que acabou diminuindo um pouco a força do romance. Mas, tirando isso, a trama de Alexander é pungente, com uma narrativa ágil e fluída e desdobramentos interessantes. Um bom romance histórico (mesmo com as licenças poéticas), principalmente se você relevar a parte do romance.

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