Breves Respostas Para Grandes Questões (Stephen Hawking)

“… a maioria das pessoas acredita que ciência de verdade é difícil e complicada demais. Não concordo com isso. Pesquisar sobre as leis fundamentais que governam o universo exigiria uma disponibilidade de tempo que a maioria não tem; o mundo acabaria parando se todos decidissem estudar física teórica. Mas a maioria pode compreender e apreciar as ideias básicas, se forem apresentadas de maneira clara e sem equações, algo que acredito ser possível e que sempre gostei de fazer. ” (Página 28) 

Stephen Hawking dedicou uma grande parte da sua vida profissional em popularizar a ciência. Não com o objetivo de tornar todos cientistas, mas contribuindo para que alfabetizando cientificamente um maior número de pessoas, isso contribuísse para o nosso desenvolvimento nos mais variados campos. Ainda temos muito em que melhorar, em vários campos a situação é desesperadora, mas a semente plantada por Hawking ainda terá muito o que germinar. Para quem tanto dedicou de sua vida em popularizar a ciência e em desvendar para os leigos os mistérios e a beleza do universo, este livro é uma bela despedida.

Breves Respostas Para Grandes Questões foi lançado postumamente, e, como de praxe em obras póstumas, há belos textos em sua homenagem, como o prefácio escrito pelo ator Eddie Redmayne que interpretou Hawking nos cinemas, a introdução escrita pelo físico teórico Kip S. Thorne e os posfácio escrito por sua filha Lucy. Mas, além disso, talvez por abarcar perguntas que durante muito tempo devem ter permeado a mente de Hawking, perguntas que de certa forma impulsionaram seus trabalhos, direcionaram seus esforços, ou representaram a esperança pelo futuro; ou justamente por isso, este é um livro em que o tom pessoal prevalece, tem um quê de autobiografia, um tête-à-tête em que se respira ciência.

São apenas dez perguntas, mas que proporcionam uma viagem do místico à ficção científica. E, você pode até não concordar com muito do que ele escreveu, ou achar algumas de suas ideias meio loucas, mas não dá para negar que Hawking levava o exercício da criatividade e da abstração aos extremos. Um baita exemplo para sempre nos lembrarmos de nunca nos impor limites, já bastam os limites que os outros nos impõem.

Para dar início a essa conversa, Hawking já começa com um questionamento de peso e controverso: Deus existe? Não é uma pergunta fácil assim como a resposta também não o é, e pode não agradar. Mas é mais uma oportunidade para aprender mais sobre a relação espaço-tempo e as leis da natureza. Eu não esperava outra resposta vinda de Hawking. Na pergunta Como Tudo Começou? Hawking faz um breve histórico das teorias propostas para explicar o início do universo e o quase dogma que impediu muitos cientistas de tentarem responder essa pergunta. Adentrando no campo das possibilidades, Hawking se envereda pela biologia, faz um ótimo histórico sobre o princípio da incerteza de Heisenberg e nos convida a um belo exercício de imaginação para responder se existe outra vida inteligente no universo, se podemos prever o futuro e se viagens temporais são possíveis. O Capítulo que traz a pergunta O que há dentro de um buraco negro? é onde ele demonstra seu texto poderoso e a facilidade com que sempre falou de temas áridos, elucidando-os para os leitores mais leigos. E claro, ele não poderia falar de ciência sem falar de política, de ética, de educação, meio ambiente e do futuro. Respondendo as perguntas: Sobreviveremos na Terra? Deveríamos colonizar o Espaço? A Inteligência Artificial (IA) vai nos superar? e Como moldaremos o Futuro? Hawking discorre sobre mudanças climáticas, Protocolo de Kyoto, a grande ameaça que o desenvolvimento exacerbado e sem controle da IA pode ocasionar para a humanidade, o poder da curiosidade, da imaginação e a força motriz gerada pelas dúvidas, e os cortes de verbas nas áreas de ciência e o perigo que isso pode representar para o futuro da humanidade, e que nossos governantes não conseguem enxergar! Eis as notícias de cortes de verbas no MCTI que não me deixam mentir. O que só evidencia o quão importante é falar sobre ciência, não só entre cientistas, mas para toda a sociedade. Algo que Hawking sempre fez em vida e que permanece como exemplo mesmo após sua partida.

No mais, essas perguntas foram colecionadas, pensadas, repensadas e respondidas tendo em mente ser textos únicos, então, é claro que ao compilá-las em um livro é de se esperar que algumas explicações sobre teorias acabem se repetindo em vários deles, mas a didática de Hawking transparece tão bem na escrita que é algo que se torna irrelevante. Vale muito a pena a leitura!

 

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Arquivado em Editora Intrínseca, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

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