Eu Sou Malala (Malala Yousafzai)

“Há um ano saí de casa para ir à escola e nunca mais voltei. Levei um tiro de um dos homens do Talibã e mergulhei no inconsciente do Paquistão. Algumas pessoas dizem que não porei mais os pés em meu país, mas acredito firmemente que retornarei. Ser arrancada de uma nação que se ama é algo que não se deseja a ninguém. ” (Página 11)

No dia 09 de outubro de 2012, no Vale do Swat, no Paquistão, Malala que nessa época já defendia abertamente o direito de meninas terem acesso à educação, sofreu um ataque perpetrado pelo Talibã. Depois daquele dia Malala não voltou mais para casa, não retornou mais ao Paquistão*. Agora, como cidadã do mundo, destinada a carregar na alma a saudade de seu país, Malala se tornou porta voz pelo direito à educação para todos e todas, no mundo inteiro. Principalmente das meninas que historicamente são sistematicamente silenciadas e diminuídas. Eu Sou Malala, publicado antes dela ser agraciada com o Prêmio Nobel da Paz, traz as suas memórias, da infância no Vale do Swat, aos momentos de terror do atentado, até os momentos de fé e sua recuperação no Reino Unido.

O livro está estruturado em cinco partes. Na primeira parte “Antes do Talibã” acompanhamos a história da família de Malala, desde antes do nascimento da garota, quando seu pai ainda na juventude já sonhava e lutava para se tornar um educador. Aliás, o pai de Malala é fundamental em sua história. Por ser progressista, Ziauddin nunca impôs restrições, tão comuns nas famílias mais tradicionais, à filha. Malala nasceu sendo comemorada, quando garotas não eram bem quistas, e foi criada para acreditar em possibilidades, quando o costume em seu país é limitar o futuro das mulheres. A história é de Malala, mas ela também nos fornece um bom apanhado da história de formação do Paquistão e também de suas minúcias políticas: a origem sangrenta do Paquistão, as diferenças entre os xiitas e os sunitas, as restrições culturais sofridas pelas mulheres, os golpes de estado e as alianças financeiras com os EUA e a Arábia Saudita, as cobranças de propina que dificultaram sobremaneira a abertura da escola de seu pai, a pressão dos grupos religiosos para impedir que garotas estudassem e a resistência engendrada por Ziauddin. Na segunda parte, “O Vale da Morte” podemos ler sobre o fortalecimento do Talibã no Paquistão, o que acarretou em perdas sistemáticas das liberdades femininas. Há também mais detalhes sobre os embates travados por seu pai para garantir que as meninas continuassem a estudar e as primeiras ameaças por causa disso. Malala também fala sobre os primórdios do seu envolvimento com ações em prol da educação. Na terceira parte, “Três Meninas, Três Balas” Malala compartilha muito sobre o período de guerra entre o exército paquistanês e o Talibã, a guerra ao terror e a caçada à Bin Laden, além das ameaças do Talibã que acabaram se concretizando.

As duas últimas partes: “Entre a Vida e a Morte” e “Uma Segunda Vida” trazem os momentos de tensão após o atentado, a luta empreendida por Malala, a importância das ajudas internacionais, sua transferência para o exterior e todos os tratamentos pelos quais passou. Aqui fica evidente o quão Malala escapou por um triz, e a força de sua resiliência. Mesmo sendo alvejada e quase perdendo a vida por causa de suas convicções, mesmo tendo de abandonar seu país, ela nunca pensou em desistir do que acreditava ser o certo e mais do que nunca percebeu que era preciso continuar a lutar por uma educação para todos, sem exceções.

Para escrever seu livro de memórias, Malala contou com a ajuda da jornalista e correspondente no Paquistão, Christina Lamb. E, mais do que um livro de memórias, Eu Sou Malala, é também um repositório histórico e político dessa região tão marcada por conflitos, desde a sua origem.

*Malala não retornou ao Paquistão para morar, mas em 2018 ela tornou a pisar o solo de seu país. Foi uma visita rápida e marcada por um forte esquema de segurança, mas que deve ter mitigado um pouco da saudade e alimentado sua esperança de um futuro retorno.

Este foi o livro que escolhi para representar o Paquistão no Projeto Volta ao Mundo em 198 Livros.

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Arquivado em Desafios Literários, Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia, Volta ao Mundo em 198 Livros

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