Duna (Frank Herbert)

Apesar de já ter um certo costume em ler ficção científica, confesso que às vezes caio em algumas armadilhas montadas por pressupostos. Narrativa árida, trama confusa, muitos personagens, background de mundos, classes sociais e política difícil de desemaranhar. Foi o que me manteve afastada de Duna durante um bom tempo. Comprei o livro quando a Editora Aleph lançou lá atrás, guardei na estante, lançaram uma nova edição, troquei a minha antiga por esta e tornei a colocar na estante. E, ainda bem que veio o filme do Villeneuve e minha mania de assistir ao filme só depois de ter lido o livro reinou. A história de Frank Herbert me pegou de jeito. Publicado em 1965, quem diria que um planeta sedento por água poderia ressoar tanto em nossa atualidade? Talvez resida aí a beleza das histórias de ficção científica bem escritas. Há sempre algo que pode ser interpretado à luz do que estamos vivendo. Lembrar que isso foi imaginado há mais de cinquenta anos, torna a história ainda mais envolvente.

“- Grave isto na memória, rapaz: um mundo é sustentado por quatro coisas… – ela ergueu quatro dedos nodosos – … o conhecimento dos sábios, a justiça dos poderosos, a prece dos justos e a coragem dos bravos. Mas tudo isso de nada vale… – ela cerrou o punho – … sem um governante que conheça a arte de governar. Faça disso a ciência de sua tradição!” (página 53)

A trama de Herbert tem início com a determinação imperial para que o clã Atreides substitua os Harkonnen no comando exploratório do Planeta Arrakis, onde a água é o bem mais precioso, mas é o mélange, uma especiaria abundante e exclusiva do planeta, que é explorado a exaustão pelas organizações imperiais. Com o duque Atreides vão sua concubina Lady Jéssica, pertencente às Bene Gesserit, uma organização feminina de cunho político, mas com influências antigas e profundas e que envolvem até mesmo experimentações com linhagens (praticamente especialistas em reprodução humana); e Paul. A existência de Paul por si só já é extraordinária, as Bene Gesserit são doutrinadas para terem apenas filhas, Jéssica deu as costas aos seus ensinamentos ao gerar um garoto. Mas, além disso, sobre ele pairam os anseios de que ele possa ser o Kwisatz Haderach, o oráculo masculino tão aguardado pela Bene Gesserit e sobre quem há diversas lendas espalhadas. Soma-se a isso os interesses escusos do imperador, as tramoias dos que não querem perdeu seu poderio (por menor que seja), um país inóspito, mas repleto de segredos com seus habitantes bastante peculiares e uma lenda com potencial para se transformar em uma cruzada. É assim que Herbert nos prende à sua narrativa enquanto mergulhamos em todos os pormenores de Arrakis.

E, se algumas dúvidas surgirem ou a ansiedade pelo futuro reinar durante a leitura. Herbert tem uma boa solução. Seus excertos, que abrem cada capítulo, narram pedaços da vida de Muad’Dib (que é como os fremen, habitantes de Arrakis, chamam o Kwisatz Haderach) e trazem vislumbres do futuro, mas é importante frisar, sem nada entregar da trama. O que foi uma sacada genial do autor. Já sabemos o que esperar em linhas gerais da história, mas a jornada que nos levará até aquele momento é imprevisível, nebulosa e a detentora da força da obra de Herbert. Acompanhar Paul em sua transformação de garoto com muito potencial, herdeiro de uma casa ducal crescente em poder e que entrou na mira imperial para ser derrotada, a um líder junto aos fremen, entregue em sua dedicação à Arrakis a aos planos exuberantes de seus habitantes, mas sem perder a visão geral e o foco na batalha mais ampla que terão de enfrentar é maravilhoso. Uma jornada do herói bastante digna e contundente. Mas, não posso deixar de citar Lady Jéssica que também teve sua própria jornada para percorrer. Uma jornada que começou com um ato de rebeldia que acabou por mudar as engrenagens de seu mundo, e, que ainda que acompanhe passo-a-passo a jornada de Paul, tem um caminho diferente a ser trilhado, com implicações que ainda nos são desconhecidas. Não foi à toa que Duna influenciou tantas outras obras desde então e continua sendo uma história tão épica decorrido tanto tempo de seu lançamento. Agora mais do que nunca quero continuar a acompanhar a saga envolvendo esse mundo extraordinário imaginado por Herbert.

Leia uma amostra aqui:

Conheça a série:

Duna

Messias de Duna

Filhos de Duna

Imperador Deus de Duna

Hereges de Duna

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Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

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