É assim que se perde a guerra do tempo (Amal El-Mohtar & Max Gladstone)

“Eu aprecio a sua sutileza. Nem toda batalha é grandiosa, nem toda arma é violenta. Mesmo nós que lutamos guerras através do tempo esquecemos o valor de uma palavra no momento certo, um ruído no motor do carro certo, um prego na ferradura certa… É tão fácil esmagar um planeta que o valor de um sopro em um banco de neve pode passar despercebido.” (Página 20).

Um dia em um campo de batalha Red encontra uma carta. Nela está escrito: “Queime antes de ler”. A carta é de Blue, outra agente, de uma facção rival. Uma carta de admiração? Uma armadilha? Uma declaração de uma vitória vindoura? Começa assim, uma correspondência entre Red e Blue.

            Entender o que são as personagens criadas por El-Mohtar e Gladstone não é tarefa fácil. São androides? Algo mais místico e fantasioso? Além do fato de que podemos associar Red a elementos cibernéticos e Blue a elementos vegetais nada mais nos é revelado. Mas, tirando as características que as colocam em campos distintos na batalha esmiuçada na trama, suas características físicas se tornam meros detalhes perante as características psicológicas de cada uma.

            A trama que tem um quê de Matrix, Efeito Borboleta e Jumper intercala-se com a troca de missivas. Uma troca que não respeita limites temporais ou físicos e que precisa ser cada vez mais criativa e discreta para manter ambas a salvo. Não há amarras no tempo e no espaço, com Red e Blue vamos da Londres vitoriana ao império quéchua, de inúmeras Atlântidas à travessia do exército de Gêngis Khan em uma remota floresta, enquanto ficamos na torcida pelo desenrolar dessa relação, da admiração ao amor, e por um futuro (ou melhor dizendo, uma possibilidade) para ela persistir mesmo com tudo e todos sendo contra. E no fim, quando tudo se esclarece, a beleza da trama é revelada. O jogo de palavras, a importância do tempo e espaço, o passado e o futuro confluindo várias possibilidades.

            Ficção científica? Romance epistolar? Fantasia a la Carroll? Talvez tudo isso e mais um pouco. Eis a beleza da história criada por El-Mohtar e Gladstone. Um romance a quatro mãos extremamente coeso e uniforme. Uma narrativa incisiva, polida e rica. Daqueles livros que prometem novos contextos e interpretações a cada releitura.


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Arquivado em Companhia das Letras, Editoras Parceiras, Resenhas da Núbia

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