Arquivo do autor:Nubia Esther

Como Evitar um Desastre Climático (Bill Gates)

“(…) não conseguiremos chegar a emissões zero apenas – ou sobretudo – andando menos de avião e carro. Assim como foram necessários novos testes, tratamentos e vacinas para o novo coronavírus, precisamos de novas ferramentas para combater as mudanças climáticas: maneiras carbono zero de produzir eletricidade, fabricar coisas, cultivar alimentos, refrigerar e aquecer nossos edifícios e transportar pessoas e produtos pelo mundo. E precisamos de novas sementes e outras inovações para ajudar os mais pobres – muitos deles pequenos agricultores – a se adaptar ao clima mais quente.” (Página 21).

Para impedir o aquecimento global e evitar os piores efeitos das mudanças climáticas precisamos reduzir os 51 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa lançados anualmente na atmosfera para zero. Isso mesmo, zero! E isso tendo de aumentar a geração de energia e equalizar a sua distribuição, e em um assunto, que apesar de estar em voga, ainda encontra bastante resistência na sociedade e no meio político. É essa tarefa hercúlea, de falar sobre o aquecimento global e discorrer sobre prováveis soluções, que Bill Gates toma para si em “Como evitar um desastre climático”.

O aquecimento global pode ser inevitável, mas é possível desacelerar esse processo e isso é fundamental para pensarmos em visa a longo prazo. Com uma linguagem clara e concisa, mas bem referenciada e com inúmeras dicas de leituras extras, Gates em doze capítulos desmitifica o aquecimento global para o público leigo e transita por cada uma das atividades humanas que mais contribuem para a emissão de gases estufa, mostrando como o fazem, quais as possíveis soluções e os custos necessários para elas serem implementadas. Ele também se debruça sobre a tecnologia necessária para nos adaptarmos a um mundo mais quente; a importância das políticas públicas; e, sobre como cada um de nós pode contribuir para essa batalha.

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Colecionando Textos #77

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Colecionando Textos #76

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Estação Atocha (Ben Lerner)

“(…) quando imaginava – pressentimento terrível – um mundo privado até mesmo dos pretextos mais idiotas para escrever poemas (…), então eu intuía uma perda inestimável, uma perda não de obras de arte, mas da própria arte, e portanto infinita, o triunfo total do real, e me dei conta de que em um mundo assim eu engoliria uma cartela inteira de comprimidos brancos.” (Página 55).

Quando li a sinopse de Estação Atocha achei que a trama guardava muitas semelhanças com A Velocidade da Luz do Javier Cercas, a diferença residindo no caminho inverso traçado pelos protagonistas. Lá o protagonista espanhol ganha uma bolsa de estudos nos Estados Unidos, aqui é um americano, Adam Gordon, que parte para Madri com uma bolsa de estudos com um projeto para finalizar um longo poema sobre a Guerra Civil Espanhola. Mas, se o protagonista de Cercas respirava literatura, o de Lerner adora uma elucubração, principalmente quando o exercício o mantém alienado do seu projeto.

O romance de Lerner conta com muitas referências à literatura, música e artes visuais. Se você não tem uma leitura de apoio (com direito a ilustrações) como a da TAG, fazer uso da internet se torna essencial para poder visualizar as obras citadas pelo autor. Ainda que a desconexão artística vivenciada por Adam tente manter-nos alheios às artes que nos cercam, a imersão proporcionada pela narrativa de Lerner ainda assim nos convida a conhecer um pouco mais as obras de arte que seu protagonista entra em contato. Uma tarefa difícil, confesso, quando Adam é o que podemos chamar de cultivador da preguiça. Ele deixa a vida “levá-lo” no seu projeto, na sua experiência em um país no qual não se esforça realmente em aprender a língua, na sua entrega a arte. E ele é consciente disso. É como se fizesse questão de se manter em constante desconexão artística, mesmo quando imerso nela.

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Colecionando Textos #75

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Temporada de Furacões (Fernanda Melchor)

“(…) os cinco cercados por moscas verdes reconheceram enfim o que assomava sobre a espuma amarela da água: o rosto putrefato de um morto entre os juncos e as sacolas de plástico que o vento empurrava da estrada, a máscara preta que fervilhava com uma miríade de cobras negras, e sorria. ” (Página 18).

Quando Fernanda Melchor idealizou este livro, ela queria fazer um livro-reportagem. A notícia de um cadáver de um bruxo, encontrado num canal de irrigação em um vilarejo canavieiro, suspeito de ter sido morto por seu amante para vingar a doença que afligiu sua esposa supostamente por causa de feitiços feitos pelo bruxo em questão. Melchor queria enfocar o fato da bruxaria ser utilizada como motivo plausível para justificar crimes bárbaros, mesmo pelas autoridades policiais. Mas, as dificuldades de buscar dados em uma região dominado pelo narcotráfico e pela violência contra as mulheres, a fez optar por enveredar pelo campo da ficção.

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A Era da Escuridão (Katy Rose Pool)

“Sete Profetas que cercavam o Círculo de Pedras. Endarra, a honesta, com uma coroa de louros; Keric, o caridoso, oferecendo uma moeda; Pallas, o fiel, segurando um galho de oliveira; Nazirah, a sábia, carregando a tocha do conhecimento; Tarseis, o justo, segurando uma balança; Behezda, a misericordiosa, com as mãos estendidas; e o Viajante sem rosto. Sete estátuas para os sete homens e mulheres mais sábios da Antiguidade, que procuraram o conhecimento do destino do mundo para que pudessem servir melhor ao seu povo. Que tinham dado ao povo o poder das Quatro Graças dos Corpo. Que tinham vivido por mais de dois mil anos, guiando o seu destino. ” (página 93)

O Continente Pélagos é composto pelas cidades proféticas que foram fundadas pelos Sete Profetas, os homens e mulheres mais sábios da Antiguidade. Hoje, eles desapareceram deste mundo, assim como suas profecias, exceto uma, a que prenuncia a chegada da Era da Escuridão. É com essa premissa que Katy Rose Pool nos convida a mergulhar no primeiro volume de sua trilogia. Nesse mundo, habitado por pessoas comuns, guerreiros bem treinados e pessoas com dons sobrenaturais chamados de Agraciados, cinco jovens têm suas vidas entrelaçadas pelos meandros dessa antiga profecia.

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Colecionando Textos #74

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Adeus, Gana (Taiye Selasi)

Taiye Selasi é filha de pai ganense e mãe nigeriana, nascida em Londres, é a personificação do indivíduo afropolitano (“um africano marcado pela vivência em diferentes lugares do mundo” como bem colocado pelo autor e curador da obra na TAG Curadoria, José Eduardo Agualusa). E é esta personificação que ela traz para o seu primeiro romance, no qual foi mentorada por ninguém menos que a Toni Morrison. Assim como Selasi, os filhos de Kweku e Folasadé têm origem ganense e nigeriana, além de terem nascido fora do continente africano. E sua história, resume bem o que é o afropolitanismo ao falar sobre a diáspora provocada pelas guerras civis, o processo de imigração e a construção de uma família em uma cultura distinta.

“Seu coração é forte. Mas não é, e ele sabe disso. Está partido em quatro pontos. Só rachaduras no começo, não tratadas por anos. Sua mãe em Kokrobité, Olu em Boston, Kofi em Jamestown, Folasadé por toda parte. Aquela mulher, que está em toda parte dele, profundamente, na fáscia, no músculo, no tecido, na matéria, no sangue. Ele está morrendo de um coração partido. ”

(Página 111).

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Colecionando Textos #73

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