Arquivo do autor:Nubia Esther

Colecionando Textos #17

 

 

 

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Arquivado em Colecionando Textos, Editora Intrínseca

Leia Mulheres: Distopia

No mês de março foi a última vez que eu trouxe uma postagem desta coluna aqui no blog. Desde abril o meu ritmo de leitura deu uma desacelerada e o desânimo acabou se refletindo nas postagens do blog e eu acabei deixando algumas colunas do blog acumulando pó, portanto, essa é uma postagem para tentar resgatá-las e quiçá não as deixar relegadas ao esquecimento novamente.

Desta vez vamos falar sobre mulheres e distopia. A distopia é um gênero bastante abordado nos livros jovens adultos, e além disso, hoje também conta com uma grande quantidade de autoras publicando livros nessa temática, inclusive autoras brasileiras como a Bárbara Morais e a sua trilogia Anômalos e a Roberta Spindler com seu romance A Torre Acima do Véu. A lista de autoras que se enveredam por esses mundos distópicos, na maioria das vezes comandados por governos totalitários opressores, alguns com protagonistas jovens, outros com um poderoso e necessários discurso feminista, é imensa, mas seguindo minha rotina, trago apenas algumas poucas indicações de autoras das quais já li um ou mais trabalhos. Continuar lendo

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Tempo de Migrar Para o Norte (Tayeb Salih)

Tayeb Salih nasceu em uma pequena vila na região norte do Sudão. E, apesar de ter se formado em literatura pela Universidade de Cartum, na capital do Sudão, ele deixou o país em 1952 fazendo parte da primeira geração de sudaneses educados na Grã-Bretanha. Por sempre ter se mantido nessa transição entre seu país de origem e o que o acolheu, Tayeb manteve-se conectado às suas raízes orientais, ao mesmo tempo que ao carregar também o ocidente dentro de si, talvez nunca tenha se sentido plenamente em casa quando no seu país de origem. É essa dualidade que Tayeb traz para seu romance. A de um sudanês que se vê dividido entre diferentes costumes, raízes e modos de vida.

“No dia seguinte à minha chegada, acordei na mesma cama, no mesmo quarto cujas paredes haviam sido testemunhas da trivialidade da minha vida na infância e na adolescência. Entreguei meus ouvidos ao vento: é um som deveras conhecido por mim, que, em nossa terra, tem um alegre sussurro. O vento quando sopra entre as palmeiras é diferente daquele que passa pelos trigais. Ouvi o murmúrio da rola e, da janela, olhei para a palmeira do nosso quintal e constatei que a vida continua boa. Contemplando o tronco forte, as raízes fixadas na terra e a copa de folhas verdes, senti-me tranquilo. Não tenho mais a sensação de ser uma pessoa ao vento. Sou como aquela palmeira, uma criatura que tem origem, raiz e objetivo. ” (Página 6)

É assim que o narrador de Tempo de migrar para o norte quer nos mostrar sua felicidade por estar de volta ao Sudão despois de sete anos morando na Europa a estudos. Uma felicidade que acaba não se mostrando tão plena assim e que acaba sendo demonstrada por seu interesse excessivo em Mustafa Said. Um forasteiro que chegou à sua vila natal há cinco anos e se estabeleceu por lá. Um forasteiro que o narrador não demora muito a descobrir que fala inglês fluentemente o que a partir de então, o deixa bastante determinado em desvendar todos os segredos de Mustafa. Seria Mustafa outra alma dividida entre duas culturas assim como ele? Que segredos sórdidos ele estaria escondendo? O narrador tanto o faz que consegue que Mustafa lhe transforme em fiel depositário de sua história. Uma história de superação, de partida em direção ao norte em busca de um futuro melhor, da sedução pelo desconhecido habilmente empregada por Mustafa em seus relacionamentos, dos conflitos culturais e da ruptura interior que essa experiência provocou em Mustafa, eternamente condenado a jamais se sentir em casa, quer seja no exterior ou em seu país, e as ações extremas que isso acabou suscitando nele. Continuar lendo

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Endurance – Um ano no espaço (Scott Kelly)

“Havíamos acelerado de zero a 28 mil quilômetros por hora em apenas oito minutos e meio. Agora, flutuávamos no espaço. Olhei pela janela.

(…)

– Ei, o que diabos é aquilo? – perguntei (…)

– É o nascer do sol – respondeu Curt.

Um amanhecer orbital, o meu primeiro. Eu não fazia ideia de quantos outros veria. Agora já vi milhares, e a beleza deles nunca me cansa.

(..) Quando passamos sobre a Europa, vi uma linha azul e laranja pela janela que se estendia no horizonte à medida que aumentava. Para mim, parecia tinta colorida brilhante em um espelho, bem diante dos meus olhos, e eu soube imediatamente que a Terra seria a coisa mais linda que eu veria. ” (Páginas 230-231)

Ver a Terra do espaço já deve ter sido o sonho de uma a cada três crianças (na verdade essa proporção é inventada porque na realidade não faço a mínima ideia da quantidade de crianças que sonharam/sonham em ser testemunhas, mas imagino que seja um grande número). E para muitas (e eu me incluo nessa) o sonho pode até ter sido substituído, mas o interesse pelo espaço, a torcida pelas viagens tripuladas (e pelos lançamentos de sondas espaciais) e a curiosidade por tudo que cerca a carreira de um astronauta continua. Por isso, Endurance, o livro escrito por Scott Kelly, um astronauta que embarcou na missão de passar um ano na Estação Espacial Internacional (EEI), é cativante. O livro que é uma mistura de biografia, documentário e divulgação científica traz informações desde o processo de seleção de um futuro astronauta, seu treinamento e a designação das missões; passando pela história e funcionamento do programa espacial americano, seus sucessos, fracassos e tragédias; o início da colaboração internacional que culminou na construção da EEI e a transferência dos lançamentos tripulados para a agência espacial russa. Uma pequena informação: desde 2011, com a aposentadoria dos ônibus espaciais, astronautas não deixam a Terra a partir de lançamentos nos Estados Unidos. Agora eles são feitos a partir do Cosmódromo de Baikonur no deserto cazaque, a bordo das naves Soyuz. Continuar lendo

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Colecionando Textos #16

 

 

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TAG 50%

Até o ano passado, estava pouco adepta das metas e dos desafios literários. Este ano, as metas continuam flexíveis, mas acabei me envolvendo em alguns desafios literários (que já me renderam ótimas leituras). E, já que a primeira metade do ano já foi, achei legal responder a TAG 50% para manter um registro das minhas experiências literárias do primeiro semestre e quiçá estabelecer mais algumas metas para o resto do ano.

A TAG 50% foi criada pela Chami do canal Read Like Wild Fire (IsthatChami) e traduzida pelo Victor Almeida do canal Geek Freak, mas conta com alguns adicionais.

ALGUNS NÚMEROS:

Livros Lidos: 24

Livros novos na estante: 44

Livros passados adiante: 32

Gêneros literários lidos: aventura, biografia, clássicos, contos, crônicas, fantasia, ficção científica, histórias em quadrinhos, não ficção, realismo fantástico, romance histórico, romance contemporâneo, romance policial e YA (young adult).

Países lidos: li livros de 11 países diferentes, quase a quantidade total de países lidos no ano passado. Aos poucos estou conseguindo colocar mais diversidade e representatividade nas minhas leituras. Os que li foram: Austrália, Brasil, Canadá, Colômbia, Estados Unidos, Japão, Nova Zelândia, Reino Unido, Romênia, Sudão e Zimbábue.

Autores lidos: Dentre os 24 livros, foram 24 autores (não repeti nenhum este ano ainda!): nove homens e 15 mulheres.

Autores NOVOS lidos: este ano já conheci 18 autores novos, 5 homens e 13 mulheres.

Releituras? Nenhuma.

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Resumo do Mês

Postagem breve só para lembrar-vos do que rolou no blog este mês. Não deixem de conferir os links abaixo, caso tenham perdido alguns de nossos posts.

Resenhas:

Jogador n° 1 (Ernest Cline)

O que Alice Esqueceu (Liane Moriarty) – parceria Intrínseca

Black Hammer – Origens Secretas (Jeff Lemire, Dean Ormston & Dave Stewart) – parceria Intrínseca

Dôra, Doralina (Rachel de Queiroz)

Aleatoriedades:

Colecionando Textos #15

TAG – Histórias de Quintal

E, para não perder o costume, essas foram as postagens com mais visualizações no mês:

O menino do pijama listrado (John Boyne)

K-dorama: Best Love

K-dorama: City Hunter

Minha Vida Fora de Série – 4° Temporada (Paula Pimenta)

K-dorama: The Heirs

 

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Jogador n° 1 (Ernest Cline)

Este é daqueles livros que quando foi lançado foi bastante comentado, angariou uma boa quantidade de leitores, mas que não tinha me deixado com vontade de lê-lo. Mas, com o lançamento do filme (que não, ainda não conferi, mas que ainda pretendo, apesar dos comentários de insatisfação) o interesse no livro reacendeu e finalmente fiquei curiosa para saber mais sobre a história criada por Cline e o motivo dela ter conquistado um grande número de fãs.

Na Terra do futuro (nem tão futuro assim), o uso exacerbado da tecnologia acarretou uma Crise de Energia Global, que além de reduzir drasticamente a energia disponível para a população, também contribuiu para mudanças ambientais catastróficas. Plantas e animais extinguiram-se, muitas pessoas morreram e estão morrendo de fome e doenças, não há moradias suficientes e cada vez mais e mais guerras são travada por causa dos recursos que ainda restam. Morar nessa Terra não é uma tarefa fácil, bonita ou agradável, e isso tudo criou um ambiente perfeito para o desenvolvimento do OASIS (ou Simulação Imersiva Ontologicamente Antropocêntrica), uma utopia virtual global que permite aos usuários serem o que quiserem e viverem inúmeras experiências em quaisquer um dos muitos mundos criados com inspiração nos filmes, videogames e na cultura pop dos anos 1980. Você quer ter experiências no universo de Star Wars? Pode. Star Trek? É claro. Terra Média? Claro que sim. Disc World? Também. O OASIS se transformou numa verdadeira válvula de escape e se difundiu rapidamente. As pessoas estudam, trabalham e têm relacionamentos no OASIS. Aos poucos ele foi se tornando a realidade delas. Continuar lendo

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O que Alice Esqueceu (Liane Moriarty)

“- Quantos anos você tem, Alice?

– Vinte e nove, Jane – respondeu ela, irritada com o tom dramático da outra e sem entender aonde queria chegar. – A mesma idade que você.

Jane se afastou, olhou para George Clooney com uma expressão triunfante e disse:

– Acabei de receber o convite da festa de quarenta anos dela.

Este foi o dia em que Alice Mary Love foi à academia e, num descuido, perdeu uma década de vida. ” (Página 19)

O que fazer quando a vida te dá um tombo e te coloca para repensar todas as suas escolhas? E o pior, sem nem mesmo você fazer ideia de quais foram elas? O mundo de Alice virou de pernas para o ar quando um acidente a fez se esquecer dos últimos dez anos de sua vida. Em 1998, ela vivia um casamento feliz, esperava seu primeiro filho, era uma otimista nata e tinha um ótimo relacionamento com a família, especialmente com Elisabeth, sua irmã mais velha. Em 2008, seu casamento está por um fio, ela já é mãe de três filhos, tem um jeito um tanto quanto cínico, metódico e extremamente organizado de levar a vida, e seu relacionamento com a irmã anda bastante estremecido. Acordar como a Alice de 1998 em 2008 não está sendo uma tarefa fácil, mas talvez essa pode ter sido a melhor coisa que lhe aconteceu. Continuar lendo

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TAG – Histórias de Quintal

Esta TAG  foi criada pela Ângela do canal Ao sol, no quintal (vocês podem ver o vídeo dela clicando aqui). Já tem mais de um mês que ela publicou o vídeo da tag no canal e desde então muita gente já respondeu, eu cheguei atrasada, mas achei tão legal as perguntas que tive que responder. Então, vamos lá:

  1. Um livro triste.

Já li um bocado de livros triste, e sim, sou daquelas que choram lendo, dentre os livros mais recentes que li, posso destacar dois: Vozes de Tchernóbil (Svetlana Aleksiévitch) faz parte daquele rol de leituras angustiantes, que expõem a pequenez e escancaram a fragilidade da humanidade, mas também sua resiliência. Sobre o acidente nuclear de Tchernóbil há muito se fala, em livros, filmes, documentários, mas o registro feito por Svetlana talvez seja o retrato mais humano e empático dessa catástrofe. Todo dia a mesma noite (Daniela Arbex) traz a história da tragédia da Boate Kiss em Santa Maria – RS. Foi um livro que comecei a ler com receio de que trouxesse uma exposição exacerbada desse episódio ainda tão dolorido, mas o registro feito com muita sensibilidade e respeito pelas vítimas, mostrou-se importante frente a impunidade que até hoje perdura. É uma forma de não nos esquecermos, de não deixar que o clamor pela justiça seja sepultado. Continuar lendo

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