Arquivo do autor:Nubia Esther

Rinha de Galos (María Fernanda Ampuero)

Rinha de Galos é uma coletânea de treze contos. Treze histórias nas quais María Fernanda Ampuero traz a realidade para a ficção e escancara a violência, em suas mais variadas facetas, mas sempre ali, tendo as mulheres como principais vítimas de suas vorazes garras. “Acho que escrevo como escrevo porque estou furiosa, porque a violência contra os mais fracos, principalmente meninos, meninas e mulheres, me enche de raiva e não sei como lutar para tornar visível toda essa violência. Escrevo para gritar, acho. Escrevo gritando.” Ressignificar, amplificar e divulgar a realidade, talvez seja um dos papeis mais significativos da literatura e Ampuero o faz com maestria. Com um texto potente e envolvente que escancara o Equador, mas que também ressoa muito o cotidiano de toda a América Latina.

“Certa noite, a barriga de um galo estourou enquanto eu o carregava nos braços como se fosse uma boneca, e descobri que aqueles homens tão machos que gritavam e atiçavam para que um galo rasgasse o outro de cima a baixo tinham nojo da merda, do sangue e das vísceras do galo morto. Assim, eu passava essa mistura nas mãos, nos joelhos e no rosto, e eles paravam de me importunar com beijos e outras idiotices.” (Página 9).

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Colecionando Textos #85

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É assim que se perde a guerra do tempo (Amal El-Mohtar & Max Gladstone)

“Eu aprecio a sua sutileza. Nem toda batalha é grandiosa, nem toda arma é violenta. Mesmo nós que lutamos guerras através do tempo esquecemos o valor de uma palavra no momento certo, um ruído no motor do carro certo, um prego na ferradura certa… É tão fácil esmagar um planeta que o valor de um sopro em um banco de neve pode passar despercebido.” (Página 20).

Um dia em um campo de batalha Red encontra uma carta. Nela está escrito: “Queime antes de ler”. A carta é de Blue, outra agente, de uma facção rival. Uma carta de admiração? Uma armadilha? Uma declaração de uma vitória vindoura? Começa assim, uma correspondência entre Red e Blue.

            Entender o que são as personagens criadas por El-Mohtar e Gladstone não é tarefa fácil. São androides? Algo mais místico e fantasioso? Além do fato de que podemos associar Red a elementos cibernéticos e Blue a elementos vegetais nada mais nos é revelado. Mas, tirando as características que as colocam em campos distintos na batalha esmiuçada na trama, suas características físicas se tornam meros detalhes perante as características psicológicas de cada uma.

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Colecionando Textos #84

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Ponto Cardeal (Léonor de Récondo)

“Quanto tempo é preciso para a gente ser a gente mesmo? E eu gostaria de perguntar isso a todos os que não precisam trocar de sexo. Quantos anos, décadas, para estar em conformidade? Conformidade de corpo, conformidade de sonhos, conformidade de pensamentos, com aquilo que somos profundamente, esta matéria bruta da qual sobram uns poucos restos antes que ela seja forjada, alisada, remendada pela sociedade, pelos outros e seus olhares, nossas ilusões e nossas feridas.” (Página 75).

A trama de Ponto Cardeal tem início com Mathilda se despindo e dando lugar à Laurent e sua vida baseada na negação dos seus anseios mais secretos. É assim que Récondo nos apresenta seu/sua protagonista, com seu sentimento permanente de inconformidade, sua experiência com a travestilidade e seu processo em direção à transexualidade.

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Colecionando Textos #83

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Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra (John Green)

“Maravilhando-me com a perfeição daquela folha, fui lembrado de que a beleza estética depende tanto de como e se você olha quanto do que vê. Do quark à supernova, as surpresas não acabam. O que está em falta é a nossa atenção, nossa habilidade e disposição para fazer o trabalho que a admiração requer.” (página 53)

Depois de me debulhar em lágrimas ou chorar de rir com as histórias ficcionais de John Green, quem poderia imaginar que na não ficção ele conseguiria o mesmo feito? Conseguiu, e com louvor.

Em Antropoceno: Notas Sobre a Vida na Terra, Green traz uma série de textos curtos sobre os mais variados temas: música, pandemias, extinção da vida na terra, dinossauros, cinema, aquecimento global… Cada texto é finalizado com uma escala de estrelas, de uma a cinco, como nas resenhas de livros, mas estendendo essa experiência para a vida.

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Colecionando Textos #82





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Colecionando Textos #81

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Pequena Coreografia do Adeus (Aline Bei)

Pequena Coreografia do Adeus é facilmente uma das minhas melhores leitura do ano de 2021. Não conhecia nada da Aline Bei, já tinha ouvido elogios ao seu romance de estreia “O Peso do Pássaro Morto” (que agora quero desesperadamente ler), mas nada tinha me preparado ao choque de me ver imersa em uma narrativa na qual a prosa transmuta-se em poesia.

“outra coisa divertida aos meus olhos era a Música
(…)
sem canto, só nota
igual àquela que saía do caminhão de gás, deixando a rua mais bonita por alguns instantes e depois
saudosamente bonita, quando o caminhão acabava de passar.”
 (página 25)

É Júlia Terra quem nos convida a conhecer sua história, essencialmente, a obra de Bei é um romance de formação. Conhecemos Júlia em sua infância e acompanhamos suas experiências, principalmente as familiares, até a vida adulta. É seu núcleo familiar, ou para ser mais precisa, a forma como ele vai se esgarçando com o passar do tempo, que dita o ritmo da vida de Júlia. O casamento conflituoso dos pais, a separação, as relações conturbadas entre mãe e filha e pai e filha e a necessidade de amor que sempre acompanhou Júlia. É em meio a essa fragmentação familiar que ela precisa construir sua identidade, não é uma tarefa fácil.

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