Arquivo do autor:Nubia Esther

Colecionando Textos #37

 

 

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Syngué Sabour: Pedra-de-paciência (Atiq Rahimi)

Syngué sabour é uma pedra considerada mágica, segundo a crença você deve lhe falar seus segredos e tormentos. A pedra escuta, até que um dia, cheia deles, explode, libertando o lamuriante de todo o sofrimento. Reside nessa crença o mote da trama de Atiq Rahimi. O curto romance vencedor do Prêmio Goncourt em 2008, se passa basicamente em um quarto de uma casa afegã ainda que seja possível entreouvir os acontecimentos fora deste.

No quarto, uma mulher velando o marido em coma enquanto lá fora as bombas caem sobre a cidade. A narrativa se restringe à casa da mulher e seu marido. Quando dali ela sai, nada nos é narrado e a passagem do tempo é marcada pelas respirações do moribundo. O mundo externo é intuído pelas bombas, tiros, sons rotineiros dos habitantes e sermões diários do mulá. Aos poucos, o silêncio da situação começa a ser quebrado pela mulher: uma lamúria, uma lamentação, uma reclamação…. Esta, sem ter mais ninguém com quem contar ou conversar, aos poucos começa a fazer de seu marido o fiel depositário de suas palavras, sua syngué sabour. Ao longo das confissões, uma pincelada da cultura afegã nos é desvelada. E a situação política e o estado de guerra são mostrados. Continuar lendo

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Colecionando Textos #36

 

 

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As Meninas (Lygia Fagundes Telles)

A Lygia Fagundes Telles não é figurinha carimbada nos ensinos médio da vida, talvez por isso tenha demorado tanto a ler uma obra dela. Finalmente chegou o momento e decidi começar com uma de suas obras mais icônicas. Publicado em 1973, o romance As Meninas traz como protagonistas Lorena, Lia e Ana Clara. Três moças sem nada para fazer uma vez que a universidade está em greve e que ficam às voltas com amores, manifestações e tramoias, enquanto a vida de todas se entrelaça no pensionato de freiras em que moram.

Antes de falar mais sobre a trama, é preciso apresentar as meninas. Lorena é o que as outras classificam de “princesa em sua torre de marfim”. Herdeira de uma família abastada, tem tudo do bom e do melhor, tem todas as vontades satisfeitas pela mãe, e morar no pensionato é o seu grito de independência. Tem a vida marcada por uma tragédia familiar que é citada várias e várias vezes ao longo da narrativa. A baiana Lia é estudante de ciências sociais e em suas veias corre o sangue do ativismo político. Está envolvida com grupos da esquerda armada e seu namorado foi preso pelo regime. E, Ana Clara, a que tem aparência de modelo, grávida de Max (a quem parece amar), noiva de outro (por ser rico), que se entrega sem receios aos prazeres mundanos e às drogas. Vive a almejar uma vida de riqueza, para que possa enterrar nas pilhas de dinheiro seu passado miserável e opressor. Continuar lendo

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Colecionando Textos #35

 

 

 

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Colecionando Textos #34

 

 

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A Velocidade da Luz (Javier Cercas)

Para ser bem sincera fiquei mais cativada pelas palavras de João Anzanello Carrascoza, responsável pela curadoria da TAG Experiências Literárias em janeiro, do que por seu indicado, o autor espanhol Javier Cercas. Não é que a narrativa de Cercas deixe a desejar, muito pelo contrário já que seu texto é bastante fluido, mas é que já é de praxe Cercas transformar seus narradores em alteregos e a imagem que isso constrói em alguns momentos não é muito legal, sobretudo o machismo inerente do autor. Que sim, talvez seja espelho da época retratada no romance e per se, apesar de incômodo, é admissível. É por isso, que relevando isso, a narrativa de Cercas é envolvente e em A Velocidade da Luz ele traz para os holofotes uma narrativa sobre a literatura, ou melhor sobre como se produz literatura. Um prato cheio para qualquer amante dos livros.

A trama abarca mais de vinte anos e tem início nos anos 1980 quando o narrador, espanhol e aspirante a autor, desembarca para uma temporada em uma pequena cidade dos Estados Unidos. Ali, ele conhece Rodney Falk, um veterano da Guerra do Vietnã, com quem trava diálogos bastante eloquentes. Continuar lendo

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Colecionando Textos #33

 

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O Coração é um Caçador Solitário (Carson McCullers)

Em dezembro do ano passado, a TAG Curadoria trouxe mais um romance escrito por uma jovem autora. Assim como Carmen Laforet em Nada, Carson McCullers publicou O coração é um caçador solitário na década de 1940 quando só tinha 23 anos. O romance foi publicado em 1944 e está ambientado no final dos anos 1930, após a Grande Depressão e anterior à Segunda Guerra Mundial, que já dava seus primeiros sinais.

Carson McCullers traz uma história representativa do gênero southern gothic que foi responsável por romper as amarras da literatura elitista norte-americana e trazer os relegados à marginalidade para o centro das tramas. São essas as vozes que ela traz para seu romance polifônico. Cinco personagens solitários. Em busca de companhia, atenção, liberdade e representação. Singer, um surdo mudo que sempre carregou uma sensação de não pertencimento, que por ter aprendido falar não se sentia inteiramente pertencente ao grupo dos surdos mudos por ter ido além, nem ao dos falantes e ouvintes por se considerar aquém, que por um momento encontrou essa sensação de liberdade junto ao amigo Antonapoulos e logo se viu privado disso, vivendo na eterna saudade da liberdade de usar suas mãos para se comunicar, de não ficar preso aos parcos diálogos usando o papel. Mick, uma garota de 12 anos sempre às voltas com os irmãos menores, que anseia por conseguir um pouco de espaço e pequenos momentos de solidão em meio a balbúrdia da hospedaria da família para se dedicar aos seus projetos pessoais. Que sonha com o futuro, almejando mudanças que lhe permitam viver a música e viver de música. Jake, um bêbado revolucionário, que decidiu permanecer nessa pequena cidade e inspirar revoluções, ainda que não encontre um solo fértil para isso. Copeland, um médico negro, de certa forma também revolucionário, que sonha com futuros melhores para os negros. Que a sua maneira tenta garantir um mínimo de dignidade aos doentes e oprimidos, mas que na maioria das vezes não consegue se fazer entender em suas ambições. E, Biff, dono do New York Café, restaurante que todos os personagens frequentam. E, talvez, por ter a oportunidade de observar a todos, é Biff que se entrega a uma espécie de voyeurismo. Ávido por desvendar os segredos alheios enquanto esconde os seus à sete chaves. Continuar lendo

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Colecionando Textos #32

Citação32

 

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