Arquivo da categoria: Editoras Parceiras

Fogo contra Fogo (Jenny Han & Siobhan Vivian)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no último livro da trilogia Olho por Olho, por isso, pode conter spoilers, revelando partes dos conteúdos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos demais livros, confira os links no final desta resenha.

 

Com muitas páginas a menos do que Dente por Dente, e mesmo em meio ao luto que permeia toda a primeira parte da trama, Fogo contra Fogo entrega uma narrativa fluida e ágil que lembra muito à do primeiro livro. Nele Han e Vivian enfocaram mais os sentimentos e os relacionamentos de seus personagens. A culpa e o luto que caminham de mãos dadas. A paixão, o ciúme e a amizade, relações que surgem justamente entre quem já esperávamos, mas também entre quem nem cogitávamos. Tudo isso envolto em uma camada de romance sobrenatural que prenuncia tragédia desde o começo.

Dente por Dente terminou em tragédia. Os acontecimentos serviram para que Mary finalmente percebesse a verdade sobre si mesma (ainda que Kat e Lillia nem desconfiem) e para as coisas na Ilha Jar desandarem de vez. Rennie morreu e o luto abateu-se sobre a escola. Kat lida com a tristeza da perda daquela que durante muito tempo fora sua melhor amiga. Lillia lida com a culpa de seu breve relacionamento com Reeve. E Mary, após descobrir do que é capaz e percebendo que está presa à Ilha Jar, decide se tornar uma espécie de anjo vingador dos oprimidos da ilha, enquanto alça seus planos de vingança à novos patamares. Continuar lendo

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Tartarugas até lá embaixo (John Green)

Eu preciso começar esta resenha enfatizando como é difícil escolher uma só citação em um livro do John Green. Mesmo nos livros de que menos gostei (O Teorema Katherine e Cidades de Papel) tenho várias passagens favoritas. Mas, em Tartarugas até lá embaixo ele realmente se superou. Suas construções de frases estão ainda mais refinadas, as relações transtextuais ainda mais presentes e alguns de seus personagens realmente calaram fundo. Aza, a protagonista, é daquelas personagens que dá vontade de colocar no potinho e proteger, e ao mesmo tempo, alguns de seus pensamentos/sentimentos representam um espelho um tanto quanto incômodo de se olhar.

“- Quero ler para você algo que a Virginia Woolf escreveu: “(…) Uma simples colegial, quando se apaixona, tem Shakespeare ou Keats para expressar o sentimento em seu lugar, mas deixem um sofredor tentar descrever uma dor de cabeça a um médico e a língua logo se torna árida.” O ser humano é tão dependente da linguagem que, até certo ponto, não conseguimos entender o que não podemos nomear. Por isso presumimos que as coisas sem nome não são reais. Usamos termos genéricos, como maluco ou dor crônica, termos que ao mesmo tempo marginalizam e minimizam. Dor crônica não exprime a dor inescapável, persistente, constante, opressiva. E o termo maluco chega até nós sem um pingo do terror e da preocupação que dominam você. E nenhum dos dois transmite a coragem das pessoas que enfrentam esse tipo de dor, e é por isso que eu encorajaria você a enquadrar sua condição mental numa palavra que não maluca.” (Páginas 88  e 89)

Tartarugas até lá embaixo começa com um mistério. O desaparecimento do bilionário Russell Pickett, foragido da polícia, que deixou para trás os dois filhos e desde a fuga não fez nenhum contato. Muitas pessoas querem achar Russell e até mesmo uma recompensa de 100 mil dólares foi estipulada. Aza Holmes, estudante do ensino médio, tem seus próprios problemas para lidar e ela realmente não quer dar uma de Sherlock nessa história, mas sua melhor amiga, Daisy Ramirez, quer muito essa grana e com o empurrão necessário acaba envolvendo Aza nessa busca. É assim que Aza acaba reencontrando Davis, seu amigo de infância e filho do bilionário. Continuar lendo

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Sussurros do País das Maravilhas (A. G. Howard)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no livro extra da trilogia Splintered, por isso, pode conter spoilers, revelando partes dos conteúdos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos demais livros, confira os links no final desta resenha.

 

Não há dúvidas de que a trilogia repleta de seres insanos, dramas familiares e romance criada por Howard angariou muitos fãs. E, como boa fã daqueles que a inspiraram nessa jornada (Lewis Carroll e Tim Burton) e motivada por seu apego aos personagens que criou Howard não conseguiu dar um adeus definitivo ao País das Maravilhas em Qualquer Outro Lugar. Ainda havia histórias sussurrando em seu ouvido para serem libertadas. Revisitando detalhes do início, do meio e do fim dessa história, Howard nos fornece mais informações sobre alguns personagens importantes da trama e traz um conto que merecia ter entrado como epílogo no último volume da trilogia. Continuar lendo

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Matéria Escura (Blake Crouch)

Com a experiência de quem está acostumado a entregar roteiros frenéticos, Blake Crouch nos entrega em Matéria Escura uma mistura de ficção científica e thriller psicológico de tirar o fôlego. Não surpreende a Sony ter comprado os direitos de adaptação (para filme ou série) lá em 2014 quando Crouch tinha apenas cerca de 150 páginas de sua história escritas. Este é daqueles livros que irá agradar os fãs mais vorazes de ficção científica, afinal tem temas tão teóricos e abstratos como multiverso, mecânica quântica e neurociência, mas também garante adeptos entre os fãs de um bom thriller e romances investigativos. E isso é garantido pelo fato dele não banalizar a parte científica da trama, tornando-a superficial demais, mas também não aprofundando demais, o que poderia tornar a leitura hermética para os leitores que pouco se enveredam pelo gênero. Aliás, Matéria Escura pode ser uma boa escolha para quem quer começar a se aventurar por esse gênero literário.

Começamos essa história conhecendo Jason Dessen, um professor universitário que poderia ter sido um cientista brilhante se a vida não tivesse lhe exigido uma escolha na qual ele precisou abdicar de um lado importante de sua vida; o mesmo vale para sua esposa Daniela, uma artista plástica com grande potencial e que agora é professora de artes no ensino fundamental. O fato de um amigo de Jason ter ganhado um importante prêmio por causa de um trabalho no campo da neurociência, acaba fazendo Jason colocar sua vida em perspectiva e duvidar de suas escolhas por um breve momento. O que poderia ter ficado por isso mesmo, se Jason não tivesse sido sequestrado, dopado e lançado em uma vida que ressoa à sua a não ser pelo fato de que: ele não é casado com Daniela, seu filho Charlie nunca nasceu e ele é um importante cientista no campo da física quântica. Qual vida de Jason é real? Ele tem certeza de que aquela em que ele é um pai de família e professor universitário, mas os fatos mostram que nesse lugar onde está também havia um Jason. Continuar lendo

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Até que a Culpa nos Separe (Liane Moriarty)

Tudo começa com uma menção a um episódio traumático. Com quem? Não é muito difícil supor acertadamente. Como? É o que Moriarty nos convida a descobrir. Suas implicações? Permeiam toda a narrativa. A forma de contar essa história não é muito diferente da adotada pela autora em seus outros livros, muito pelo contrário, o vislumbre da tragédia, o retorno no tempo, o vai vem frequente na linha temporal da trama e a forma como ela nos apresenta seus personagens, que vejam só, são cheios de defeitos e não criados propositadamente para encantar o leitor, são estratégias bem recorrentes em seus outros livros. Pode-se dizer que essa é a fórmula Moriarty para escrever livros. É mais do mesmo? De jeito nenhum! O foco das histórias de Moriarty está na vida cotidiana de seus personagens, nas relações familiares, na dinâmica do relacionamento entre amigos, nos mal-entendidos, nas pequenas rusgas diárias, nas manias e nos segredos que cada um guarda para si. Transformar o ordinário em extraordinário, com uma boa pitada de drama, de romance e de suspense, é o que torna cada uma das histórias de Moriarty únicas.

“Erika notou um terror bruto e uma urgência aguda naquela única palavra: Clementine!

Sabia que ela era a amiga que gritara o nome de Clementine naquela noite, mas não tinha qualquer recordação disso. Não havia nada além de um branco onde deveria estar aquela memória, e se ela não conseguia se lembrar de um momento como aquele, bem, isso significava que havia um problema, uma anomalia, uma discrepância; uma discrepância extremamente significativa e preocupante. ” (Página 133)

Em Até que a culpa nos separe tudo começa com um churrasco. Era para ter sido inofensivo, apenas uma comemoração, mas terminou em tragédia. Meses depois os envolvidos ainda lidam com a culpa e com as implicações de tudo o que ocorreu aquele dia, bem, de boa parte dele já que ainda há minúcias que permanecem obscuras mesmo para alguns dos envolvidos. Para recontar o que aconteceu, Moriarty divide a tarefa entre todos os presentes. São muitas e muitas versões entrecortadas e Moriarty é exímia em nos manter em suspenso, no limite entre a curiosidade e a compulsão por desvelar os segredos alheios. Continuar lendo

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Sem Gentileza (Futhi Ntshingila)

“Foi naquele dia, quando a bolsa de auxílio-doença da mãe foi suspensa, que Mvelo parou de pensar mais do que um dia por vez. Aos quatorze anos, aquela menina que antes adorava cantar e dar risada parou de ver o mundo em cores. E passou a vê-los em tons cinzentos e opacos. Teria que pensar como adulta para manter sua mãe viva. Estava em meio à escuridão. ” (Página 9)

Ter começado o projeto de leitura “Volta ao Mundo em 198 Livros” ampliou consideravelmente meu horizonte de leituras. Não somente em direção aos clássicos, como também em direção aos autores contemporâneos. Foi estimulada pelo projeto que decidi escolher o livro da Futhi Ntshingila para ser o representante da África do Sul no projeto. Futhi é jornalista e mestra em Resolução de Conflitos. Ela tem dois livros publicados, ambos marcados pela característica de fornecerem voz às mulheres ignoradas historicamente. Uma literatura feminista em essência e sul-africana em suas raízes.

Sem Gentileza traz a história de Zola e Mvelo. Mãe e filha vivem nos guetos da África do Sul, em um período pós apartheid, mas ainda assim muito marcado por ele. Negras e pobres, tiram da resiliência a força para sobreviver em uma sociedade marcada pelo medo pungente da aids, e na qual os direitos das mulheres são cerceados pela conduta machista que impregna toda a sociedade. Uma sociedade na qual a prática de testes de virgindade é utilizada para combater o abuso infantil disseminado, mas que acaba por colocar um alvo de pureza nas testas das garotas que se tornam vítimas de estupros dos soropositivos que acreditam nos boatos de que ficariam curados se deitassem com uma virgem. A intenção pode até ser de proteção, mas acaba se tornando uma ameaça e uma ferramenta de humilhação e julgamento das mulheres testadoras com as garotas. Continuar lendo

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Caraval (Stephanie Garber)

Caraval é um lugar mágico e é também um jogo. Mestre Lenda do Caraval, o responsável pela empreitada, antigamente levava seu mágico espetáculo por todo o Império e suas ilhas conquistadas. Mas, após misteriosos eventos que culminaram na morte de uma mulher que participava do jogo, Mestre Lenda restringiu os espetáculos à sua ilha particular e conseguir um convite para participar não é fácil.

As irmãs Scarlett e Donatella vivem na pequena ilha de Trisda, governada por seu cruel e poderoso pai, o Governador Dragna. Desde pequena Scarlett sonha conhecer o Mestre Lenda e começou a enviar cartas para ele aos dez anos de idade. Sete anos depois, a garota agora já de casamento marcado (arranjado pelo pai) envia uma última carta, de despedida. E é claro que dessa vez ela tem sua resposta e com direito a convites para que ela e Donatella participem do Caraval. Mas, ir ao Caraval pode colocar o casamento de Scarlett em risco, e, mesmo que ele tenha sido engendrado por seu pai, ela enxerga nele a chance de salvar a si e sua irmã faz garras sádicas do pai. Mas, Donatella é da opinião de que o risco é válido e de que elas podem escapar do pai por si mesmas e de quebra, conhecer o mágico e misterioso Caraval. Ao aportarem na ilha de Caraval, Donatella desaparece e Scarlett precisa encontrá-la o mais rápido possível. Mas, para isso ela terá de jogar o Caraval. Ela terá apenas cinco noites para encontrar sua irmã e vencer essa jornada. Continuar lendo

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Piano Vermelho (Josh Malerman)

Em Caixa de Pássaros, Malerman soube trabalhar muito bem o medo do impalpável, daquilo que não se pode ver, simplesmente porque vê-lo pode sanar sua curiosidade, mas também levá-lo à morte. Em Piano Vermelho, novamente o medo do desconhecido entra em cena, mas o sentido explorado é outro. Agora não temos mais de usar vendas, mas garantir um protetor auricular pode ser uma boa ideia.

A história começa com um paciente acordando em um hospital. O soldado Philip Tonka é considerado um sobrevivente sem precedentes, ficou em coma durante 6 meses e seus ferimentos são inexplicáveis. O que aconteceu com ele? E com seus companheiros de missão? O Exército irá querer respostas. O que Philip poderá revelar?

“As perguntas virão. Philip sabe disso. Perguntas sobre a África e sobre a origem do som. Perguntas sobre o restante do pelotão, sobre os Danes, sobre o que Philip ouviu e o que gravou lá. Perguntas mais malucas, também. Tipo: quem levou Ross? Quem levou os outros? E para onde? E por que você parece tão assustado, soldado Tonka, com essas perguntas tão simples?

As perguntas virão.

E, quando vierem, que parte Philip vai poder contar?

Que parte vai revelar? ” (Página 25)

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Geekerela (Ashley Poston)

Antes de se tornar escritora profissional Ashley Poston era fangirl, mas daquelas que não se contentava apenas com os acontecimentos canon e que se dedicava a recriar e inventar novas situações para seus personagens favoritos nas tão conhecidas fanfics. Geekerela, mais do que uma releitura do clássico conto de fadas, é uma ode a todo o universo fandom*. Este livro é para aqueles que sofrem shippando um casal, seja ele canon ou não, que se derretem com aquele casal que é realmente um OTP, que quer ter aquela amizade que é um verdadeiro bromance e que às vezes até entra em verdadeiras guerras de ship, quer seja do mundo dos livros, séries ou filmes. É também para quem faz cosplay, escreve e/ou consome fanfics, para quem vibra a cada notícia de um livro que será adaptado para o cinema, para os mais puristas que acham que os filmes (ou séries) nunca estarão à altura do original, ou para aqueles que ficam animados, desde que o diretor não transforme tudo em um show de horrores. Se identificou com algum desses pontos (ou vários)? Então, você vai se identificar com Elle Wittimer e sua paixão por Starfield. Que é descrito com tantos detalhes pela Poston que cheguei a me perguntar que raios de série de ficção científica era essa da qual nunca havia ouvido falar, mas que já estava considerando pacas, mas que infelizmente nem existe mesmo. E, ainda que o romance seja o plot principal, é pelos detalhes e pelo que representam que Geekerela pega todo fã (seja do que for) de jeito.

Fala se não é essa a sua vontade também…

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A Profecia das Sombras (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro da série As Provações de Apolo (The Trials of Apollo). Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

 

O segundo livro da série As Provações de Apolo já começa em ritmo frenético. No final do livro anterior, após Lester/Apolo e os outros semideuses salvarem o oráculo do Bosque de Dodona, uma profecia carimba de vez o passaporte de Apolo para o mundo das missões perigosas e nenhum reconhecimento (para seu eterno desgosto) dos semideuses. Aqui, já o reencontramos em viagem na companhia de Leo Valdez, Calipso e é claro, no dragão mecânico de Leo, Festus. Na busca pelo oráculo da vez, os garotos vão parar em Indiana e ali Lester descobre que o próximo integrante do Triunvirato é alguém que já teve muita importância para ele no passado e que ele não será o único “fantasma” que terá de enfrentar.

Com Lester atingindo plenamente o status quo de semideus, ao menos no que diz respeito a colocar a vida em risco para fazer um favorzinho a um deus, o deus do sol começa a perceber muitas das injustiças cometidas pelos deuses.

“Alguns metros à frente, um semideus desconhecido estava imóvel no chão. (…). Eu não sabia de que lado ele estava, mas isso não importava. Fosse como fosse, sua morte era uma perda terrível e desnecessária. Eu estava começando a achar que talvez as vidas dos semideuses não eram tão descartáveis quanto nós, deuses, gostávamos de acreditar. ” (Página 293)

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