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Mais do que isso (Patrick Ness)

Ainda não conhecia o Patrick Ness, mas depois de ter lido Mais do que isso fiquei com vontade de ler suas outras obras, além do famoso Sete minutos depois da meia-noite (que já virou filme), outros livros dele também já foram publicados aqui. Ness é um escritor de ficção juvenil premiado e é conhecido pelo tom sombrio e pela prosa perturbadora de suas histórias. Monstros, cidades distópicas, guerras, um pouco de ficção científica e o que há além da morte, são temas frequentes em suas tramas. Em Mais do que isso não é diferente. Começamos essa história nos minutos finais e agonizantes da vida de Seth, com direito a uma descrição bastante pungente da situação. Algum tempo depois Seth acorda na casa onde viveu durante a infância, em outro continente. Ele está vivo? Como, se ele está certo de que morreu e seus momentos finais ainda estão vívidos na memória?

“Dá a impressão de ser real. Certamente ao toque, e definitivamente ao cheiro. Mas é também um mundo que apenas parece tê-lo dentro dele, então, o quanto dele pode ser real? Se essa é apenas uma velha lembrança empoeirada na qual ele está preso, talvez não seja nem mesmo um lugar, talvez seja apenas o que acontece quando seus minutos finais de morte passam a ser uma eternidade. O lugar da pior época de sua vida, congelado para sempre, deteriorando-se sem nunca morrer de verdade. ” (Página 72)

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De Repente Acontece (Susane Colasanti)

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Minhas duas outras experiências com livros da Susane Colasanti (Esperando por Você e Tipo Destino) não foram muito positivas. Eu gostei dos personagens criados por ela, me diverti durante a leitura, mas no final restou a sensação de que ficou faltando algo. Faltam diálogos mais profundos (e antes que comentem, YA não é sinônimo de superficialidade) e faltou um maior aprofundamento nas temáticas sociais bastante frequente em suas tramas.

Em De Repente Acontece Colasanti traz a história de Sara e Tobey.  Dois adolescentes que estão para começar o último ano da escola e não poderiam estar caminhando para direções mais distintas.

Sara está preocupada em entrar para a universidade dos seus sonhos, mas também não quer ser apenas a nerd que sempre foi. Ela quer se reinventar, e no processo encontrar um amor verdadeiro. Tobey não leva a escola a sério e não quer saber de universidade. Sua única preocupação é sua banda e a Batalha das Bandas… Ele também está apaixonado por Sara. Mas ela, só tem olhos para Dave, e Tobey não é muito de colocar a cara a tapa. Continuar lendo

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Todos os Nossos Ontens (Cristin Terrill)

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“É apenas o começo, eu sei. Nunca fiz essa viagem que aquelas 14 versões passadas de mim fizeram, mas a ouvi ser explicada vezes suficientes para saber o que vem depois. Quando as partículas que estão rodopiando abaixo dos meus pés pelos quilômetros de canos, grandes o bastante para darem passagem a um caminhão, enfim baterem umas nas outras quase na velocidade da luz, a explosão será tão poderosa que partirá o próprio tempo. ” (Página 34)

Quatro anos no futuro (presente), Em está presa em uma base militar secreta. Finn também está preso ali, mas a única presença um do outro que eles podem sentir são suas vozes. Em um dia qualquer, Em descobre um papel no ralo de sua cela. Um papel contendo várias anotações, algumas de seu próprio punho (embora ela tenha certeza de que nunca viu o papel antes), e que lhe deixa uma missão: retornar no tempo e evitar a criação de uma máquina do tempo que vai destruir o mundo. Inúmeras vezes ela já tentou e inúmeras vezes ela acabou no mesmo presente terrível. Desistir não é uma escolha.

Quatro anos no passado encontramos Marina, uma garota tímida, idealista e apaixonada pelo melhor amigo James. Mas, quando finalmente ele parecia estar correspondendo aos seus sentimentos, a vida do garoto é despedaçada e a esperança de Marina de um futuro com James está cada vez menor. Continuar lendo

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A Menina da Neve (Eowyn Ivey)

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Em seu romance de estreia, Eowyn Ivey buscou inspiração no folclore russo, o conto de Snegurochka ou The Snow Maiden, para dar vida a sua própria menina da neve e criar uma história que mistura drama, vida cotidiana, natureza selvagem e mistério, com um toque de conto de fadas.

A história se passa no Alasca, em 1920. Lá encontramos Jack e Mabel, um casal de meia-idade recém-chegados ao lugar. Eles nunca puderam ter filhos, e quando Mabel ficou grávida, perdeu o bebê. A mudança para o Alasca foi a derradeira tentativa de deixar o passado trágico para trás e se verem livres dos olhares de pena dos familiares e amigos. Só que nas terras frias e inóspitas do norte, o casamento de Mabel e Jack é praticamente inexistente e ambos estão vivendo praticamente como dois estranhos sob o mesmo teto. Na primeira neve daquele ano, uma abertura, uma pequena aproximação, e o casal faz um boneco de neve, ou para ser mais precisa, uma menininha de neve na qual Mabel coloca luvas e um cachecol vermelho. Naquela mesma noite a menina de neve desaparece, o cachecol e as luvas também e Jack vê (?) uma garotinha e pegadas infantis na neve. Pronto, tem início a história do casal com a garotinha da neve. Será ela um ser fantástico nascido da neve modelada por Mabel e Jack? Ou é apenas uma garotinha sozinha acostumada a viver na natureza selvagem do Alasca? Será ela apenas um fruto da imaginação de Mabel e Jack? Continuar lendo

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Encontrando-me (Cora Carmack)

Encontrando-Me

“Aventuras não acontecem se você estiver preocupado com o futuro ou apegado ao passado. Elas só existem no presente. E elas sempre, sempre surgem na hora mais inesperada e da forma mais improvável. Uma aventura é uma janela aberta, e um aventureiro é a pessoa disposta a rastejar pelo peitoril e saltar. ” (Página 3)

Encontrando-me encerra a série Losing It e depois de termos lido sobre Bliss e seu relacionamento com Garrick e o de Cade com Max, agora os holofotes são direcionados à Kelsey Summers a melhor amiga de Bliss. Antes de falar mais sobre a história, é importante frisar que apesar dos três livros constituírem uma série, eles podem ser encarados como obras únicas e podem ser lidos em qualquer ordem, isso porque os eventuais spoilers já são bem esperados e não são tão surpreendentes assim. Dos três aliás, Fingindo é o que mais se distancia de todos, há uma breve participação dos protagonistas do primeiro livro logo no início e só, em Encontrando-me as “participações” de Bliss são mais frequentes.

Em Encontrando-me, Kelsey está fazendo uma viagem como mochileira pela Europa Oriental depois de ter terminado a faculdade. Para os pais ela disse que estava indo para a Europa conhecer o mundo e amadurecer como pessoa, aos professores disse que estava indo reunir vivências para se tornar uma atriz melhor, aos amigos que estava indo festejar. Mas, na verdade Kelsey estava fugindo de sua vida em uma família desregulada que nunca lhe deu atenção e que no caso do pai acha que o dinheiro tudo pode comprar e tudo releva. Além disso, ela também guarda memórias de coletar momentos (bons e ruins) que a ajudem a aguentar sua vida quando chegar a hora de voltar para casa. E é com esse propósito em mente, e com o cartão de crédito sem limites do pai, que ela está vivendo de festas, sexo e bebidas (muitas bebidas), mas esta vida louca já não está sendo o suficiente… e talvez, um estranho que ela encontra em um bar e que parece determinado a resgatá-la das situações ruins, possa ajudá-la. Continuar lendo

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172 Horas na Lua (Johan Harstad)

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“Seu recém-descoberto respeito por Armstrong e Aldrin apenas cresceu. Nenhuma palavra parecia capaz de captar a beleza e a lugubridade deste lugar. Mas eles haviam conseguido. Especialmente Aldrin. Ele saíra do módulo e comunicara à Terra as únicas palavras possíveis. Magnífica. Magnífica desolação. ” (Página 132)

172 horas na Lua, do norueguês Johan Harstad, foi publicado originalmente em 2012 e este ano a Novo Conceito decidiu publicar o livro no Brasil. Eu confesso que não sou muito fã de livros com uma vibe meio de terror, mas o fato de Harstad ter situado sua história na Lua, fazendo um resgate da era de ouro das viagens espaciais e as campanhas da Nasa, foi algo que me deixou curiosa e me fez pedir o livro para avaliação.

A trama de Harstad tem início em 2010 quando um grupo de alto escalão do governo norte-americano decide que quer realizar novas expedições à Lua, mais especificamente à estação lunar DARLAH2, nunca antes utilizada. Os interesses são escusos e envolvem uma misteriosa entidade avistada durante a última missão ao satélite terrestre. Mas, para mascarar os reais interesses e atrair a atenção da mídia, eles decidem “vender o projeto” como uma espécie de viagem a uma Disney high-tech, leia, enviar adolescentes à Lua junto com os astronautas! E eles decidem fazer disso um concurso internacional. Aliás, o site da inscrição citado no livro, realmente existe e acredito que deva ter sido funcional (aceitando as inscrições e tudo o mais) na época do lançamento do livro. E é assim, que em 2018, conhecemos a norueguesa Mia, a japonesa Midori e o francês Antoine, os três jovens escolhidos para viver essa aventura. Continuar lendo

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Zac & Mia (A. J. Betts)

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“Nunca fui boa com números, nunca precisei ser. Mas entendo esse número. Cinquenta e cinco é claramente um dos resultados possíveis quando se joga uma moeda para cima. Os números são o que são. Não dá para discutir.

Tudo mais desaparece exceto um número frio e um rapaz que está olhando para as estrelas como se as conhecesse.

(…)

Talvez os números o atormentem da mesma forma que minha perna me atormenta. Talvez nós dois estejamos vivendo como frações. ” (Página 172)

Zac tem 17 anos e já luta há um bom tempo contra a leucemia. Para ele, a rotina do hospital, a visita das enfermeiras, do psicólogo e o esmiuçar das atividades do seu sistema digestório já é algo comum e com os quais ele já aprendeu a conviver. Por achar que já inflige dor o suficiente à sua família, Zac tenta ser o paciente modelo. Aquele que não liga de assistir programas de culinária com a mãe, mesmo quando até mesmo água é difícil de engolir, e que reserva os momentos solitários da madrugada para ir à cata de estatísticas envolvendo outros pacientes como ele, porque sabe que se fizesse isso durante o dia sua mãe iria ficar muito mais preocupada. Zac já atingiu um nível de conhecimento da ala oncológica, que lhe permite fazer piada de si mesmo e da situação em que se encontra. O que só reforça seu pragmatismo e nos cativa definitivamente.

Dessa vez ele está no hospital para ganhar uma medula nova. E tirando esse “pequeno” detalhe, a estadia poderia ser bem semelhante à todas as outras antes desta. Mas, desta vez, no quarto ao lado está uma nova paciente. Mia, uma garota raivosa, irritante, bonita e com um gosto musical bastante duvidoso. A garota nova vive às discussões com a mãe e não está enfrentando o início do seu tratamento muito bem. E Zac, com batidas na parede, uma amizade no Facebook e bate-papos na madrugada, toma para si a missão de tentar ajudá-la nessa fase difícil. Continuar lendo

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Fragmentados (Neal Shusterman)

Fragmentados

Fragmentados é daqueles livros que você começa a ler sem maiores pretensões: “ah, mais uma distopia, deve ser legal…”, mas, de repente se vê imerso em uma história repleta de reflexões políticas, sociais e éticas e tudo isso em uma história com um ritmo frenético, personagens interessantes e uma trama que te fisga desde o início.

Na Terra futura imaginada por Shusterman, houve uma Segunda Guerra Civil conhecida como “Guerra de Heartland”. Foi um conflito longo e sangrento entre os grupos “Pró-Vida” e “Pró-Escolha” – é, se você logo lembrou das discussões recentes sobre aborto e a ingerência da bancada religiosa na vida de toda a sociedade, você não está muito longe do cerne utilizado por Shusterman para criar a sua história. A diferença, é que no mundo imaginado por Shusterman, a “Lei da Vida” foi criada para satisfazer ambos os grupos e assim acabar com a guerra. E é aqui que Shusterman escancara o quão longe podemos ir em prol dos próprios interesses, ainda que as perspectivas não sejam nenhum um pouco razoáveis. Isso porque, a Lei da Vida declara que a vida humana é intocável desde o momento da concepção até que a criança complete 13 anos. Dos 13 aos 18 anos, os adolescentes podem ser “abortados” retroativamente, basta um dos pais ou o responsável por ela assim o determinar. A única condição é que a vida desses jovens “tecnicamente” (por pura e simples determinação da lei) não tenha fim. Assim, eles são encaminhados para campos de colheita, onde serão fragmentados e então, “viverão” aos pedaços nas vidas de outras pessoas. Nenhum pedaço é desperdiçado e a prática é extremamente comum e aceita pela sociedade. Continuar lendo

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Eu te Darei o Sol (Jandy Nelson)

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“Ao contrário de quase qualquer outra pessoa no planeta, desde as nossas primeiras células estávamos juntos, viemos para este mundo juntos. Por isso é que quase ninguém nota que Jude fala por nós dois, por isso é que conseguimos tocar piano somente a quatro mãos, nunca sozinhos, por isso é que nunca brincamos de joquempô, porque nunca, em treze anos, escolhemos coisas diferente. É sempre assim: duas pedras, dois papéis, duas tesouras. Quando não nos desenho assim, eu nos desenho como pessoas pela metade. ” (Página 26)

Noah e Jude são gêmeos e apesar de sempre terem se visto como uma única entidade, conforme cresciam começaram a se tornar competitivos. Competiam pela afeição dos pais, pelos amigos e amores e por uma vaga na melhor escola de artes da Califórnia. Conforme o traço competitivo vai se acentuando, Noah e Jude vão colecionando mal-entendidos que frequentemente os fazem machucar um ao outro e a si próprios no processo.

Nelson escolheu contar a história desses dois irmãos de maneira pouco ortodoxa. A narrativa é feita do ponto de vista de Jude e Noah, mas não é nem um pouco linear. Noah nos conta seu ponto de vista dessa história a partir dos seus treze anos. Jude nos entrega seu lado a partir dos dezesseis.

Com Noah descobrimos o garoto com dificuldade em fazer amigos, que teme em assumir seus verdadeiros sentimentos, que constantemente é alvo de bullying, que não tem uma relação amorosa com o pai e que desde que se entende por gente vive às voltas com pranchetas, papéis, lápis e tintas, e que mesmo na ausência de tais ferramentas é capaz de fazer pinturas mentais das situações vividas por ele. E esses “quadros mentais” pontuam toda a sua narrativa, que não estranhamente foi intitulada por Nelson de O Museu Invisível. Não é muito difícil ter empatia quase que instantânea por Noah e torcer o nariz para algumas atitudes da Jude de treze anos. Mas, aos 16, encontramos uma garota que almeja desesperadamente fazer as pazes com o seu passado e consertar o relacionamento com o irmão. Jude não é mais a garota popular, guarda uma mágoa do passado que a fez se isolar do mundo, tem um pendor para a hipocondria e segue piamente a “bíblia” herdada da avó, um aglomerado aleatório de superstições, simpatias e máximas com as quais elas nos brinda ao longo de toda sua narrativa. Jude é A História da Sorte. Continuar lendo

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A Lista (Cecelia Ahern)

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 “Esmagada e espremida, esgotada e desmoralizada, vendo tudo ser arrancado dela, Kitty refletiu que isso era o que ela causara a Colin Maguire, enquanto os repórteres se chocavam contra ela. Ela continuou caminhando, um passo à frente do outro; era tudo o que conseguia fazer. Queixo empinado, não sorria, não chore, não caia, caminhe. ” (Página 37)

Kitty Logan tem 32 anos, é jornalista e não está vivendo uma boa fase em sua vida. Kitty foi responsável por uma matéria que acabou se tornando um escândalo, destruiu a vida de pessoas e agora está sendo processada. Para piorar, Constance sua amiga e mentora há mais de dez anos, está muito doente. Em uma de suas últimas conversas com a amiga, Kitty pergunta a Constance se houve uma história que ela sempre quis escrever e nunca o fez. Constance pede para Kitty pegar um arquivo intitulado “Nomes” e retornar ao hospital para que ela lhe conte sobre o que se trata. Mas, Kitty não tem tempo de saber mais sobre a história da amiga. Constance morreu, seu emprego na TV foi para o espaço e o emprego na revista fundada por Constance está por um fio, seu melhor amigo perdeu a paciência com ela e seu namorado a deixou.

Poderia ser considerada uma coitada, mas a verdade é que tirando a tragédia da perda da amiga, todas as outras perdas ocorreram em decorrência dos seus atos. Então, Ahern não nos vende sua protagonista como a coitada sofredora que precisa dar a volta por cima, e reside aí o maior acerto desta obra. Kitty é a mulher que fez escolhas erradas, agiu errado (e muito) e que agora precisa repensar seus atos e se reencontrar sem ter o alicerce que sempre esteve ao seu lado para o que desse e viesse, sua miga Constance. Mais real, impossível. Continuar lendo

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