Arquivo da categoria: Lendo aleatoriamente

Livros, leitura, autores, editoras.

Piano Vermelho (Josh Malerman)

Em Caixa de Pássaros, Malerman soube trabalhar muito bem o medo do impalpável, daquilo que não se pode ver, simplesmente porque vê-lo pode sanar sua curiosidade, mas também levá-lo à morte. Em Piano Vermelho, novamente o medo do desconhecido entra em cena, mas o sentido explorado é outro. Agora não temos mais de usar vendas, mas garantir um protetor auricular pode ser uma boa ideia.

A história começa com um paciente acordando em um hospital. O soldado Philip Tonka é considerado um sobrevivente sem precedentes, ficou em coma durante 6 meses e seus ferimentos são inexplicáveis. O que aconteceu com ele? E com seus companheiros de missão? O Exército irá querer respostas. O que Philip poderá revelar?

“As perguntas virão. Philip sabe disso. Perguntas sobre a África e sobre a origem do som. Perguntas sobre o restante do pelotão, sobre os Danes, sobre o que Philip ouviu e o que gravou lá. Perguntas mais malucas, também. Tipo: quem levou Ross? Quem levou os outros? E para onde? E por que você parece tão assustado, soldado Tonka, com essas perguntas tão simples?

As perguntas virão.

E, quando vierem, que parte Philip vai poder contar?

Que parte vai revelar? ” (Página 25)

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Então, eu reli #1: O Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien)

Ler apenas novos livros, ou além disso, ler novamente histórias já conhecidas? A Mell Ferraz do canal Literature-se fez um vídeo bem legal falando sobre releituras. Sim, todo leitor, por mais voraz que seja, sabe que mesmo que sua vida seja longa e próspera, ele nunca irá ler todos os livros que deseja ler. Faz sentido então ler novamente uma história que você já conhece? Alguns leitores pensam que não, eu sou daquelas leitoras que acha que por mais que você conheça o início e o fim da jornada, trilhar novamente esse caminho pode gerar gratas surpresas. Tirando alguns livros que já reli mais de uma vez e estão frescos na memória, há outros que já li há muito tempo e que lembro que me marcaram na época, mas que a trama em si já está difusa na memória, porque não os reler? Pode ser que eu me decepcione com alguns, mas posso a vir a me apaixonar novamente por outros, ou passar a gostar mais de algum que não do qual não gostei tanto assim. Isso foi o que me incentivou a criar essa nova seção aqui no blog. E, para estrear com o pé direito eu escolhi O Senhor dos Anéis do Tolkien. Quem já nos acompanha há um tempinho, sabe que a admiração por Tolkien e sua obra foi o que possibilitou que eu e a Mari nos conhecêssemos, no já antigo, mas firme e forte, fórum Valinor. Nada mais justo então que esse livro tantas vezes relido (não tanto quanto eu gostaria) ou pelo menos frequentemente consultado na época do fórum, fosse o escolhido.

Para falar dele, não vou fazer como costumeiramente faço em minhas resenhas, a obra já ultrapassou o patamar de hors concours tão longe, que não consigo fazer uma análise imparcial. Então, vou basicamente me focar nas surpresas que essa releitura me trouxe. No caso de O Senhor dos Anéis, temos uma versão cinematográfica (particularmente considero uma das melhores adaptações cinematográficas) e, ao contrário dos livros que havia relido há tempos, o filme eu revejo todos os anos, às vezes mais de uma vez, e o resultado é que as modificações feitas pelo Peter Jackson acabaram mascarando alguns fatos da obra tolkieniana. Eu sei que nos livros a Arwen tem um papel bem menor na trama do que nos filmes, que foi Glorfindel e não ela que levou Frodo até Valfenda e que Saruman não encontrou seu fim em Isengard, mas ao fazer essa releitura, percebi que o filme já havia modificado muito mais as minhas memórias da obra do que eu supunha. Continuar lendo

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Geekerela (Ashley Poston)

Antes de se tornar escritora profissional Ashley Poston era fangirl, mas daquelas que não se contentava apenas com os acontecimentos canon e que se dedicava a recriar e inventar novas situações para seus personagens favoritos nas tão conhecidas fanfics. Geekerela, mais do que uma releitura do clássico conto de fadas, é uma ode a todo o universo fandom*. Este livro é para aqueles que sofrem shippando um casal, seja ele canon ou não, que se derretem com aquele casal que é realmente um OTP, que quer ter aquela amizade que é um verdadeiro bromance e que às vezes até entra em verdadeiras guerras de ship, quer seja do mundo dos livros, séries ou filmes. É também para quem faz cosplay, escreve e/ou consome fanfics, para quem vibra a cada notícia de um livro que será adaptado para o cinema, para os mais puristas que acham que os filmes (ou séries) nunca estarão à altura do original, ou para aqueles que ficam animados, desde que o diretor não transforme tudo em um show de horrores. Se identificou com algum desses pontos (ou vários)? Então, você vai se identificar com Elle Wittimer e sua paixão por Starfield. Que é descrito com tantos detalhes pela Poston que cheguei a me perguntar que raios de série de ficção científica era essa da qual nunca havia ouvido falar, mas que já estava considerando pacas, mas que infelizmente nem existe mesmo. E, ainda que o romance seja o plot principal, é pelos detalhes e pelo que representam que Geekerela pega todo fã (seja do que for) de jeito.

Fala se não é essa a sua vontade também…

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A Profecia das Sombras (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do segundo livro da série As Provações de Apolo (The Trials of Apollo). Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

 

O segundo livro da série As Provações de Apolo já começa em ritmo frenético. No final do livro anterior, após Lester/Apolo e os outros semideuses salvarem o oráculo do Bosque de Dodona, uma profecia carimba de vez o passaporte de Apolo para o mundo das missões perigosas e nenhum reconhecimento (para seu eterno desgosto) dos semideuses. Aqui, já o reencontramos em viagem na companhia de Leo Valdez, Calipso e é claro, no dragão mecânico de Leo, Festus. Na busca pelo oráculo da vez, os garotos vão parar em Indiana e ali Lester descobre que o próximo integrante do Triunvirato é alguém que já teve muita importância para ele no passado e que ele não será o único “fantasma” que terá de enfrentar.

Com Lester atingindo plenamente o status quo de semideus, ao menos no que diz respeito a colocar a vida em risco para fazer um favorzinho a um deus, o deus do sol começa a perceber muitas das injustiças cometidas pelos deuses.

“Alguns metros à frente, um semideus desconhecido estava imóvel no chão. (…). Eu não sabia de que lado ele estava, mas isso não importava. Fosse como fosse, sua morte era uma perda terrível e desnecessária. Eu estava começando a achar que talvez as vidas dos semideuses não eram tão descartáveis quanto nós, deuses, gostávamos de acreditar. ” (Página 293)

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Leia Mulheres: Fantasia

Olha mais uma coluna precisando ser resgatada das camadas de pó…

Vamos ver se agora eu consigo mantê-la atualizada. Desta vez vamos falar sobre mulheres e fantasia. Quando falamos em livros de fantasia é comum nos atermos aos nomes de autores masculinos, ou porque eles têm maior visibilidade e um histórico mais antigo de publicação ou porque, infelizmente, algumas pessoas associam fantasia de qualidade à autores masculinos como se as mulheres não pudessem produzir excelentes obras também (xô preconceito!). A lista de autoras que se enveredam pelo mundo das palavras e criam mundos e personagens fantásticos não é pequena, mas hoje trago apenas uma pequena contribuição. Cinco autoras que merecem ser conhecidas porque gosta do gênero. Já aviso de antemão que a ausência da Ursula K Le Guin é proposital (afinal, se Tolkien é considerado o pai da fantasia, Le Guin bem pode ser a matriarca), mas é que eu guardei ela para a lista de sci-fi!

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Mais do que isso (Patrick Ness)

Ainda não conhecia o Patrick Ness, mas depois de ter lido Mais do que isso fiquei com vontade de ler suas outras obras, além do famoso Sete minutos depois da meia-noite (que já virou filme), outros livros dele também já foram publicados aqui. Ness é um escritor de ficção juvenil premiado e é conhecido pelo tom sombrio e pela prosa perturbadora de suas histórias. Monstros, cidades distópicas, guerras, um pouco de ficção científica e o que há além da morte, são temas frequentes em suas tramas. Em Mais do que isso não é diferente. Começamos essa história nos minutos finais e agonizantes da vida de Seth, com direito a uma descrição bastante pungente da situação. Algum tempo depois Seth acorda na casa onde viveu durante a infância, em outro continente. Ele está vivo? Como, se ele está certo de que morreu e seus momentos finais ainda estão vívidos na memória?

“Dá a impressão de ser real. Certamente ao toque, e definitivamente ao cheiro. Mas é também um mundo que apenas parece tê-lo dentro dele, então, o quanto dele pode ser real? Se essa é apenas uma velha lembrança empoeirada na qual ele está preso, talvez não seja nem mesmo um lugar, talvez seja apenas o que acontece quando seus minutos finais de morte passam a ser uma eternidade. O lugar da pior época de sua vida, congelado para sempre, deteriorando-se sem nunca morrer de verdade. ” (Página 72)

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TAG – Perfil Literário

Foto (modificada): Gaelle Marcel

Ressuscitando mais uma TAG, essa eu também vi no blog Momentum Saga, mas originalmente ela foi criada pelo Sem Serifa. Bom, originalmente parece ter sido do Who’s Geek, mas não consegui encontrar o post original.

1 – Qual seu estilo de livro favorito?

Eu não tenho um estilo de livro favorito, ou pelo menos não só um. Eu tento diversificar minha leitura, mas acabou frequentemente às voltas com um romance histórico, um romance policial, um livro de fantasia (amo os juvenis!) ou um livro de divulgação científica. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #102

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile .

Quase deixamos a coluna ser soterrada em camadas de poeira novamente…

Quero falar para vocês hoje sobre uma autora que conheci por suas obras sobrenaturais (e minha experiência não foi das melhores), mas que só ganhou minha admiração quando se aventurou pelo universo de Star Wars. Aliás, é dela um dos melhores livros do novo cânone da saga. É sério, se você é fã da saga e se aventura pelos livros também, não deixe de conferir Estrelas Perdidas da Claudia Gray.

Claudia Gray

 

Foto: Melissa Vincent – Del Rey/Random House

Claudia Gray é o pseudônimo utilizado pela autora americana Amy Vincent. Amy Vincent trabalhou como advogada e em 2003 ajudou no desmantelamento de um cartel internacional de contrabando de diamantes, o que levou muita gente a acreditar que o uso do pseudônimo poderia ser para se proteger dos integrantes remanescentes do cartel (o que a própria autora já desmentiu). Na verdade, o uso do pseudônimo não é para esconder seu passado dramático ou sombrio, para fornecer uma áurea de mistério, ou porque ela não ache seu nome real vendável, mas porque ela pensou que seria divertido escolher seu próprio nome, que foi baseado em uma de suas minisséries favoritas I, Claudius.

Desde criança ela sonhava em se tornar uma estabelecida autora de romances, mas a carreira como escritora só começaria efetivamente em 2008, quando ela publicou o primeiro volume da série Evernight pela HarperCollins. Atualmente Claudia mora em Nova Orleans e se dedica integralmente à escrita. Continuar lendo

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Agora e para sempre, Lara Jean (Jenny Han)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no terceiro e último livro da série Para todos os garotos que já amei e pode haver spoilers sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

Tudo começou com cinco cartas de amor, ou melhor dizendo, cartas de despedida para os garotos que Lara Jean já amou. Eram só para ela, mas depois que foram indevidamente enviadas, o mundo de Lara Jean não foi mais o mesmo. Ela, que se acostumou a mascarar seus sentimentos, teve de enfrentá-los (e todas as consequências decorrentes disso) e descobri-los. No primeiro livro acompanhamos o desenrolar de sua paixonite de longa data pelo amigo Josh (namorado de sua irmã mais velha) e seu namoro de mentira com Peter, que acabou lhe reservando grandes surpresas. Mas, mais do que isso nos encantamos pelas irmãs Song, especialmente a Kitty. O segundo volume era para ter sido o capítulo final, e se tivesse sido, arrisco dizes que teríamos nos despedido de Lara Jean e de tantos outros bons personagens com um gosto agridoce, mais acre que doce. Não é que ele seja ruim, só não conseguiu fazer jus às expectativas geradas pelo primeiro. Que bom que Han arriscou fazer uma nova tentativa e escrever uma nova despedida para Lara Jean. É isso que Agora e para sempre, Lara Jean é, uma despedida e um presente de Han para os fãs da série. Continuar lendo

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O Rei Corvo (Maggie Stiefvater)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos no quarto e último livro da série A Saga dos Corvos e pode haver spoilers sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

 

É sempre uma sensação agridoce terminar uma série. É triste porque é chegada a hora de despedir-se de personagens com os quais você sonhou junto, sofreu junto e nutriu esperanças, e ao mesmo tempo, é bom descobrir como as situações duvidosas se resolveram, qual era aquele segredo que o autor lhe escondeu desde o início e o futuro dos personagens. Se a conclusão faz jus a todo o resto da história, melhor ainda! Chegou a hora de me despedir dos garotos corvos, de Blue Sargent e toda a sanidade transvestida em loucura da Rua Fox 300.

A Saga do Corvos me apresentou Maggie Stiefvater e sua escrita única. Uma narrativa fluída, personagens complexos e uma trama repleta de informações: magia, ocultismo, mitologia, fatos históricos; todas devidamente explicadas e introduzidas de forma harmoniosa à trama. Stiefvater nos entregou uma quadrilogia com inúmeros personagens (nenhum esquecível, ainda que uns tenham sido mais marcantes que outros) e uma boa quantidade de tramas paralelas, que no fim se uniram para nos entregar uma saga que mais do que romance trouxe à tona discussões sobre crenças, sobre vida e morte, escolhas, oportunidades, aceitação e amizade. Talvez esteja aqui a maior força de sua história. Ao não focar no lado romântico da trama (tática adotada comumente nos livros do gênero), Maggie abriu espaço para que todos os personagens tivessem voz, crescessem perante os olhos do leitor e tivessem tanta importância quanto Blue e Gansey nessa jornada. Continuar lendo

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