Arquivo da categoria: Lendo aleatoriamente

Livros, leitura, autores, editoras.

Os Prós e os Contras de Nunca Esquecer (Val Emmich)

“As pessoas acham que eu não devia sentir falta das coisas porque tenho a lembrança delas guardada na caixa do meu cérebro, mas essas lembranças só me fazem sentir mais falta das coisas. É por isso que foi tão difícil agir normalmente hoje no restaurante, enquanto todo mundo bebia daquelas taças chiques: porque eu estava vendo a vovó Joan de verdade, sentada à mesa com a gente. Eu queria falar com ela sobre a minha música, mas não podia porque ela não estava ali . ” (Página 192)

Síndrome da memória autobiográfica altamente superior, lembrar-se com detalhes de tudo o que viveu, é assim com Joan a protagonista de Val Emmich em Os prós e os contras de nunca esquecer. Mas, a garotinha de 10 anos carrega consigo um grande medo, o de ser esquecida. Gavin, o outro protagonista dessa história, acabou de perder o grande amor de sua vida e as lembranças dele ainda machucam. Ambos começam essa história em lados opostos dos Estados Unidos, mas a trama não demora a convergir.  Gavin cantava na banda do pai de Joan, e Sidney, o marido de Gavin, era o melhor amigo desde sempre da mãe dela. E é claro que o casal se oferece para receber Gavin em casa e ajudá-lo nesse momento em que a perda ainda é tão recente. Joan, apesar de entender o sentimento de perda, está com outras preocupações em mente. Como compor uma música que a torne famosa (e inesquecível) e quem sabe evitar no processo que o pai tenha de fechar o estúdio de gravação, seu paraíso infinito particular. E é claro que Joan quer a ajuda de Gavin, mas tem de convencê-lo a ajudar. Continuar lendo

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Ponciá Vicêncio (Conceição Evaristo)

“Veio-me à lembrança o doloroso processo de criação que enfrentei para contar a história de Ponciá. Às vezes, não poucas, o choro do personagem se confundia com o meu, no ato da escrita. Por isso, quando uma leitora ou um leitor vem me dizer do engasgo que sente, ao ler determinadas passagens do livro, apenas respondo que o engasgo é nosso. ” (Prefácio, Página 7)

Acompanhando as redes sociais literárias, o nome de Evaristo sempre surgia aqui e ali, mas com a campanha para sua indicação à Academia Brasileira de Letras, suas obras ficaram em destaque e a vontade de finalmente conhecer os escritos dessa autora mineira só aumentou. Ter conhecido a Maya Angelou por seu intermédio na curadoria da TAG Experiências Literárias, só aumentou a sensação de que as palavras de Evaristo ressoariam em mim. Foi assim com Ponciá Vicêncio, a primeira publicação solo da autora. Com um texto enxuto, mas com uma trama rica em apontamentos sociais, Evaristo nos traz a história de Ponciá, neta de escravos libertos, que cresceu nas terras do sinhô coronel de quem “herdou” até o sobrenome, e que parte para a cidade grande em busca de um futuro melhor. Continuar lendo

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Breves Respostas Para Grandes Questões (Stephen Hawking)

“… a maioria das pessoas acredita que ciência de verdade é difícil e complicada demais. Não concordo com isso. Pesquisar sobre as leis fundamentais que governam o universo exigiria uma disponibilidade de tempo que a maioria não tem; o mundo acabaria parando se todos decidissem estudar física teórica. Mas a maioria pode compreender e apreciar as ideias básicas, se forem apresentadas de maneira clara e sem equações, algo que acredito ser possível e que sempre gostei de fazer. ” (Página 28) 

Stephen Hawking dedicou uma grande parte da sua vida profissional em popularizar a ciência. Não com o objetivo de tornar todos cientistas, mas contribuindo para que alfabetizando cientificamente um maior número de pessoas, isso contribuísse para o nosso desenvolvimento nos mais variados campos. Ainda temos muito em que melhorar, em vários campos a situação é desesperadora, mas a semente plantada por Hawking ainda terá muito o que germinar. Para quem tanto dedicou de sua vida em popularizar a ciência e em desvendar para os leigos os mistérios e a beleza do universo, este livro é uma bela despedida. Continuar lendo

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Hazel Wood – A Origem do Azar (Melissa Albert)

Alice Proserpine tem 17 anos e passou a maior parte da sua vida na estrada com a mãe, nunca parando muito tempo em um só lugar, principalmente por causa das ondas de azar que sempre pareceram procurá-las. Elas também sempre fugiram da notoriedade para lá de estranha da avó de Alice, uma famosa escritora de contos de fadas sombrios. Na verdade, escritora de um livro só, contendo horripilantes histórias de fadas que se passam em um lugar chamado Recôndito e que tem um fandom que pode ser tão assustador quantos seus personagens.

O nome da protagonista da história da Melissa Albert me confundiu e acabei começando a leitura de Hazel Wood imaginando se tratar de uma releitura da famosa história de Lewis Carroll, o que teria sido legal é bom frisar. Mas, mais do que o País das Maravilhas, Melissa em sua obra (que será uma trilogia) faz uma homenagem aos contos de fadas, dos Irmãos Grimm à Angela Carter. Continuar lendo

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O Deserto dos Tártaros (Dino Buzzati)

O Deserto dos Tártaros foi publicado em 1940 e é considerada a obra-prima do italiano Dino Buzzati. A história, que tem uma grande carga filosófica, versa sobre a espera. Sobre engolir sapos, esperando posteriormente desfrutar de um lauto banquete. Mas, como bem colocado por Antonio Candido em sua resenha do livro, a obra de Buzzati é um romance de desencanto. Não há muito o que esperar do porvir, porque a vida, ah, essa só reserva frustrações. Contudo, por mais que a tristeza esteja reservada para o fim e que a melancolia seja companheira ao longo de toda a narrativa, isso não diminui a beleza poética do texto de Buzzati, um romance no qual os anseios e as renúncias são praticamente personagens.

“Do deserto do norte devia chegar a sorte, a aventura, a hora milagrosa, que, pelo menos uma vez, cabe a cada um. Para essa vaga eventualidade, que parecia tornar-se cada vez mais incerta com o tempo, os homens consumiam ali a melhor parte das suas vidas.” (Página 54)

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Então, eu reli #3: Harry Potter e a Câmara Secreta (J.K. Rowling) – edição ilustrada

Depois de ter descoberto o maravilhoso mundo mágico, e de finalmente se sentir querido, Harry não está disposto a voltar a viver entre seus tios trouxas, ainda que as férias de Hogwarts sejam torturantes já que é para lá que ele deve voltar. No início do segundo ano em Hogwarts é justamente esse medo que Rowling trabalha aqui. Com a inclusão de Dobby, o elfo doméstico e um dos personagens mais emblemáticos da saga, a possibilidade de não retornar à Hogwarts e depois de poder ser expulso dela ou mesmo vê-la fechada para sempre por causa dos acontecimentos tenebrosos que marcaram o segundo ano de Harry, se torna real. O início da trama da Câmara Secreta, tanto no livro quanto no filme, sempre me deixou aflita. Eu adoro o Dobby, mas sua introdução, com tudo o que ele apronta para “salvar” o Harry é de nos fazer puxar os cabelos, mas, ao mesmo tempo, como ficar com raiva de uma criaturinha tão esquisita, mas tão fofa? Jim Kay conseguiu exprimir isso muito bem em suas ilustrações. Continuar lendo

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Aru Shah e o Fim dos Tempos (Roshani Chokshi)

A Saga Pândava, escrita por Roshani Chokshi, e que será uma tetralogia, marca a estreia do Selo Rick Riordan Apresenta. Se enquanto você lia as aventuras de Percy Jackson e os outros semideuses gregos e romanos, ou ainda dos irmãos Kane ou Magnus Chase, você desejou que Riordan fosse além e nos apresentasse outras mitologias, eis aqui a resposta. Em seu novo projeto com a editora Disney/Hyperion ele se torna curador de novos autores provindo de diversas culturas e que poderão nos mostrar um pouco mais de sua ancestralidade em suas histórias.

Coube a Chokshi trazer toda a riqueza da mitologia hindu em uma história protagonizada por duas garotas de cerca de 12 anos: Aru e Mini. A mãe de Aru Shah trabalha no Museu Arqueológico de Arte e Cultura Indiana e Aru praticamente cresceu entre as peças expostas ali e sempre foi avisada para não tocar na lâmpada (a Diya de Bharata) que fica na Galeria dos Deuses. Só que Aru sempre se sentiu deslocada na escola cheia de crianças ricas e mimadas e escolheu se resguardar sob mentiras. E, como mentira tem perna curta, um dia três de seus colegas visitam o museu de surpresa e a pegam na mentira. Para se safar da saia justa, Aru decide então lhes mostrar a lâmpada amaldiçoada. É assim que Aru acabou libertando Sono, um demônio ancestral com sede de destruição. Para evitar o fim do mundo, ela contará com a ajuda de Mini e de suas ligações míticas com o OutroMundo. A saber, elas são reencarnações dos irmãos Pândavas, príncipes guerreiros semideuses. Sim, há semideuses na Índia também, ainda que as relações de parentesco não sejam da forma como estamos acostumados (isto é, com deuses tentando levar vidas normais no mundo dos mortais). E, em meio ao desenrolar dessa trama, Chokshi vai nos desvelando as lendas, os seres míticos e toda a riqueza da mitologia hindu. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #107

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile.

Jenny Han

Minha primeira experiência com a escrita de Jenny Han não me fez cair de amores por ela, a trilogia Olho por Olho escrita à quatro mãos com a Siobhan Vivian, apesar de ser cativante em alguns pontos, deixou muito a desejar. Foi sem maiores pretensões que comecei a ler sua obra solo Para todos os garotos que já amei e foi assim que me vi fisgada por seus personagens cativantes, por sua narrativa fluida e por uma trama que torna difícil largar o livro antes de chegar ao final.

A norte-americana Jenny Han nasceu no dia 03 de setembro de 1980 em Richmond na Virginia. Atualmente ela mora no Brooklyn em Nova York. Han cursou a Universidade da Carolina do Norte e posteriormente fez um mestrado em escrita criativa voltada para jovens leitores, na mesma época trabalhou em uma livraria e uma biblioteca voltadas para o público infantil. Trabalhar nesse universo dos romances infanto-juvenis, juvenis e YA sempre foi muito natural para ela. Shug (2006), seu primeiro livro, foi escrito enquanto ela ainda estava na faculdade e é voltado para o público infantil. Em 2009 começou a escrever para o público jovem adulto e desde então não parou mais. Sua trilogia mais recente, Para todos os garotos que já amei, se tornou um sucesso mundial e ganhou uma adaptação feita pela Netflix. E sim, teremos um segundo filme! Continuar lendo

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Colecionando Textos #27

 

 

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Desafio Literário Viaggiando 2019

O segundo desafio literário que decidi participar este ano foi o recém criado Desafio Viaggiando proposto pela Camila Navarro (veja o vídeo de apresentação do desafio aqui). Para quem não sabe a Camila é a idealizadora do Projeto 198 Livros aqui no Brasil e foi por influência dela que resolvi embarcar nessa viagem de ler um livro de cada país, então, claro que me animei em participar de um desafio que irá contribuir para dar um gás ao meu xodó dentre os meus projetos de leitura para a vida. São apenas dez categorias e somente uma regra, escolher livros de países diferentes para cada categoria. Vejam as minhas escolhas:

  • 1. Um livro censurado em seu país de origem.
  • Foi a categoria que mais tive dificuldade em escolher um título, por falta de conhecimento mesmo, acabei tendo de apelar para a Svetlana.

    Título escolhido: A guerra não tem rosto de mulher (Svetlana Aleksiévitch)

  • 2. Um livro que retrate uma religião não-cristã.Estou ensaiando ler a história de Malala há muito tempo, acho que finalmente é chegada a hora.

    Título escolhido: Eu sou Malala (Malala Yousafzai)

  • 3. Um livro sobre a ditadura.Pensei em colocar a Lygia Fagundes Telles aqui, mas como já selecionei um do Brasil em outra categoria, vamos explorar a ditadura chilena com a Isabel Allende.

    Título escolhido: A Casa dos Espíritos (Isabel Allende)

  • 4. Um livro que retrate a situação das mulheres.Vamos de Venezuela nessa categoria.

    Título escolhido: Ifigênia (Teresa de la Parra)

  • 5. Um livro que retrate a vida de imigrantes.Tenho vários livros aqui que se encaixam nessa categoria, mas vamos de Amin Maalouf porque quero garantir o Líbano para o projeto.

    Título escolhido: Os desorientados (Amin Maalouf)

  • 6. Um livro sobre uma guerra fora da europa.A história de Ismael Beah até poderia ser ficção, mas na verdade é o retrato nu e cru de um sobrevivente de uma guerra que transformou crianças em soldados e dizimou milhares de serra-leoneses.

    Título escolhido: Muito longe de casa (Ismael Beah)

  • 7. Um livro sobre genocídio.Outra guerra civil que dizimou milhares, dessa vez no Camboja.

    Título escolhido: À sombra da figueira (Vaddey Ratner)

  • 8. Um livro sobre colonialismo.Vou de Jean Rhys nessa porque quero ler mais sobre a Dominica.

    Título escolhido: Vasto mar de sargaços (Jean Rhys)

  • 9. Um livro sobre escravidão.Maria Firmina dos Reis é a primeira autora negra de que se tem notícia na literatura brasileira, foi também uma abolicionista e escreveu histórias em que defendeu os direitos dos negros. Nada mais justo do que escolher um livro dela para esta categoria.

    Título escolhido: Úrsula e outras obras (Maria Firmina dos Reis)

  • 10. Um livro sobre um conflito ainda vigente.Infelizmente há muitos e muitos livros que se encaixam nesta categoria. Acabei escolhendo o livro do Atiq Rahimi que escolhi para representar o Afeganistão no projeto 198 livros.

    Título escolhido: Syngué sabour: pedra de paciência (Atiq Rahimi)

O desafio proposto pela Camila ficou bem legal né, nos propõe a ampliar bastante nossos horizontes de leitura. E aí, ficou animado(a) para participar também? Para quem quiser acompanhar as leituras do pessoal este ano, fiquem de olho na hashtag #desafioviaggiando nas redes sociais.

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