Arquivo da categoria: Desafios Literários

Neurocomic (Hana Roš & Matteo Farinella)

Já pensou em aprender mais sobre neurociência lendo histórias em quadrinhos? É o que os neurocientistas Hana Roš e Matteo Farinella fizeram, com bastante didática e uma boa dose de imaginação, em Neurocomic.

Roš e Farinella nos convidam para uma viagem um tanto quanto bizarra enquanto nos explicam o que se sabe sobre o cérebro e seu funcionamento. Morfologia, farmacologia, eletrofisiologia, plasticidade e sincronicidade são todas etapas dessa jornada na qual o personagem narrador “cai” dentro de um cérebro e começa a explorar esse mundo peculiar. Continuar lendo

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Desafio Literature-se 2020

Como já comentei por aqui, este ano decidi fazer uma troca nos Desafios Literários dos quais participo desde 2018. Este ano decidi não fazer o Desafio Livrada! porque decidi experimentar o Desafio Literature-se idealizado pela Mell Ferraz do Literature-se, Vejam o vídeo de apresentação do desafio aqui.

Mas, por que a troca? Este ano decidi priorizar desafios que me fizessem finalmente ler os livros que tenho na estante, mais do que me tirar da zona de conforto por me levarem a ler algo que nunca leria por minha própria escolha. Deixarei essa tarefa à Tag Curadoria que a tem realizado com muita propriedade. Então, sem mais delongas, vamos às categorias e aos livros que escolhi para cada uma delas. Para algumas eu tenho mais de uma opção, ainda não decidi qual lerei, quem sabe os dois?

1. Um clássico pouco conhecido.

Uma galera escolheu Jude, O Obscuro do Thomas Hardy, mas como já o li ano passado, resolvi ficar com o romance da Harriet Beecher Stowe, que antes das novas edições era pouco conhecido. Na verdade, aqui é uma releitura, desta vez na edição completa (porque eu o li ainda na infância naquelas edições adaptadas).

Título escolhido: A Cabana do Pai Tomás (Harriet Beecher Stowe)

2. Romance Policial.

Vamos de Dennis Lehane nessa, preciso continuar a ler os livros da série Kenzie e Gennaro. É mais uma releitura, mas já tem mais de uma década que o li pela primeira vez e desta vez estou lendo ou relendo os livros dessa série na ordem cronológica.

Título Escolhido: Gone, Baby, Gone (Dennis Lehane)

3. Literatura de cárcere. Continuar lendo

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Úrsula e Outras Obras (Maria Firmina dos Reis)

“Senhor Deus! Quando calará no peito do homem a tua sublime máxima – ama a teu próximo como a ti mesmo –, e deixará de oprimir com tão repreensível injustiça ao seu semelhante! …. Àquele que também era livre no seu país…. Àquele que é seu irmão? ” (eBook)

Maria Firmina dos Reis, maranhense, mulher negra e a frente do seu tempo, publicou Úrsula em 1859. Esta obra que é considerada como sendo o primeiro romance abolicionista escrito por uma mulher, compõe junto com A Escrava (um conto abolicionista), Gupeva (um conto indigenista) e Cantos à beira-mar (reunião de poesias) o 11° volume da série Prazer de Ler da Edições Câmara.

No prólogo da primeira publicação (e incluída nesta) de Úrsula, Maria Firmina pede desculpas por estar publicando um livro de pouca formosura, pede para que ele seja aceito e que essa aceitação sirva de incentivo para ela e para outras autoras mais acanhadas que ela. É realmente muito triste que sua obra tenha permanecido desconhecida durante muito tempo. Mesmo que Úrsula e Gupeva sejam carregados de um tom dramático exacerbado e que o texto precisasse de um tratamento editorial de forma a deixar a narrativa mais concatenada, o tom da obra de Maria Firmina ressoou como obra de resistência no contexto do século XIX nos longínquos rincões maranhenses. Continuar lendo

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Balanço Literário: Desafios e Projetos Literários

Sei que já fiz um post de retrospectiva literária, mas o foco deste aqui é ser mais específico acerca dos desafios literários que me propus a participar e, sobre o andamento do Projeto Literário Volta ao Mundo em 198 Livros.

No ano passado decidi participar de três desafios literários: o Desafio Livrada!, o Desafio Viaggiando e o Desafio #LendoMaisMulheres2019 – edição especial autoras negras. Para este último acabei não postando uma lista de prováveis leituras aqui no blog, como fiz para os outros dois. Aliás, se vocês quiserem ver como ficou a lista final dos meus desafios, cliquem nos links aí em cima. Novamente eu flopei em todos e agora vocês podem estar se perguntando o porquê de eu continuar participando de Desafios se nunca consigo cumpri-los. Bem, como escrevi por aqui em uma postagem no ano passado, participar de desafios literários tem contribuído para ampliar meu horizonte de leituras me levando a cogitar a leitura, e em vários casos ler, obras que de outra forma talvez não lesse. Eles também me fazem olhar com outros olhos para minha estante e finalmente colocar como meta aquele livro que não via a hora de comprar, mas que acabou sendo esquecido pouco depois. Continuar lendo

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Muito Longe de Casa (Ishmael Beah)

““Quantas vezes mais vamos ter que enfrentar a morte até encontrar segurança?”, perguntou.

Ele esperou alguns minutos, mas nós três não dissemos nada. Ele continuou: “Toda vez que somos perseguidos por gente que quer nos matar, fecho os olhos e espero pela morte. Apesar de ainda estar vivo, sinto como se, a cada vez que aceito a morte, parte de mim morresse. Muito em breve eu vou morrer completamente e tudo que sobrar de mim será meu corpo vazio, andando com vocês. Ele será mais silencioso do que eu. ”” (Página 79)

Ishmael Beah, serra-leonense, até os dez anos de idade só tinha tido contato com a guerra pelos filmes e notícias de jornais. Aos 12 anos, a guerra o alcançou pela primeira vez. Em Muito Longe de Casa, Ishmael compartilha um bom pedaço (quiçá o mais impactante dele) de sua experiência como menino-soldado. Em um texto conciso e fluído, mas de “difícil” leitura pela crueza da verdade que encerra, Ishmael relembra como teve sua infância extirpada; como se perdeu dos pais em meio ao caos instaurado pelos ataques, e a vida em constante fuga na qual acabou portando fuzis AK-47; e, como quando achou que a guerra havia ficado para trás, ela adentrou na sua vida novamente.

Serra Leoa começou como um aglomerado de tribos africanas, espalhadas por um território que primeiramente começou a ser explorado pelos portugueses estabelecendo-se um comércio de escravos bastante lucrativo. Até que abolicionistas britânicos começaram a lutar pela alforria de escravos, de várias etnias e tribos, que se estabeleceram em Freetown (atual capital de Serra Leoa). Serra Leoa se torna colônia britânica. De um passado de exploração, passando por uma nova colonização mascarada de acesso à liberdade, Serra Leoa conquistou sua independência a duras penas e ela foi seguida por revoltas, golpes de estado, corrupção desenfreada e um crescimento do governo absolutista. É nesse contexto de um conflito armado iminente que Ishmael nasceu. Em 1991 a guerra civil explode. Em 1993 ela atinge a aldeia que Ishmael e seu irmão mais velho estavam visitando. Os sinais claros da guerra eram desesperadores, ainda mais para dois garotos que se viram impedidos de retornar e ir atrás de seus familiares. Continuar lendo

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Sejamos Todos Feministas (Chimamanda Ngozi Adichie)

“O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas do gênero. ” (e-book)

Influenciada pelo tom feminista da história de Charlotte Perkins Gilman, decidi finalmente conferir o pequeno livro, mas imenso em informações e discussões, da Chimamanda Ngozi Adichie, Sejamos Todos Feministas. Publicado pela Companhia das Letras aqui no Brasil, tem uma versão física e outra em e-book, esta última fornecida gratuitamente pela editora.

A obra é uma versão modificada de uma palestra que Chimamanda deu em dezembro de 2012 no TEDxEuston, uma conferência com foco na África. Chimamanda compartilha suas experiências de infância na Nigéria (mas que poderia ser em qualquer outro país) moldadas pelo machismo, que podam as ambições das meninas e acabam sendo tidas como normais. O que se torna normal acaba imperceptível e é aí que todos param de enxergar o quanto essas diferenças impactam a vida de meninas, garotas e mulheres. Usando seu país como exemplo, ela nos mostra como a mulher é colocada constantemente em segundo plano e o quanto de liberdade lhe é tolhida enquanto os homens têm passe livre para ir e vir. Com bons argumentos ela mostra o quanto isso é potencializado pelo direcionamento da criação das meninas em prol dos meninos. Uma criação que ensina às meninas que elas devem se preocupar com o que os meninos pensam delas, e aos meninos que eles devem crescer como homens duros e fortes. Como resultado temos homens com egos frágeis e mulheres que acreditam ser sua responsabilidade protegerem esse ego. Não se permitir alcançar todo seu potencial para não ameaçar aos homens é só mais uma consequência desastrosa dessa educação há tanto tempo internalizada. Continuar lendo

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Boca do Inferno (Ana Miranda)

 

Descobrir Ana Miranda foi um daqueles presentes que os desafios literários podem nos proporcionar. Quando tive que escolher um livro escrito por um xará de nome ou sobrenome para o Desafio Livrada de 2019, fiquei em dúvida entre Boca do Inferno e Dias e Dias, mas acabei optando pelo primeiro, seu romance de estreia que recebeu o Prêmio Jabuti de revelação em 1990. Com um livro recheado de figuras históricas (o governador Antônio de Souza de Menezes, Padre Antonio Vieira e o poeta Gregório de Matos só para citar alguns) e uma trama que inicialmente desenha-se bem complexa, a leitura no início é um pouco arrastada e demora a engrenar, mas a perseguição intensa, o jogo de gato e rato e a intromissão nos meandros dos conchavos políticos no estado da Bahia no século XVII, torna a trama de Miranda difícil de largar. Continuar lendo

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Heroínas Negras Brasileiras em 15 Cordéis (Jarid Arraes)

“Esquecidas da História

As mulheres inda estão

Sendo negras, só piora

Esse quadro de exclusão

Sobre elas não se grava

Nem se faz uma menção. ” (Página 97)

A autora nordestina Jarid Arraes tem se dedicado já há alguns anos em desvendar a história das mulheres negras que tiveram papéis importantes (mas que passaram despercebidos) na História do Brasil. Mas, mais do que conhecer, Jarid queria espalhar aos quatro ventos as histórias dessas mulheres. Vinda de uma família de cordelistas, foi natural que ela escolhesse o cordel como veículo para sua empreitada. Jarid escreveu muitos e muitos cordéis, destes, 15 foram reunidos no livro Heroínas negras brasileiras em 15 cordéis publicado pela Editora Pólen. Continuar lendo

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O Olho Mais Azul (Toni Morrison)

“Ela ergue os olhos para ele e enxerga o vácuo onde deveria haver curiosidade. E algo mais. A total ausência de reconhecimento humano – a vitrificada separação. Não sabe o que mantém o olhar dele suspenso. Talvez o fato de ser adulto, ou homem, e ela uma menina. Mas ela já viu interesse, nojo, até raiva em olhos de homens adultos. Ainda assim, esse vácuo não é novidade para ela. Tem gume; em algum ponto na pálpebra inferior está a aversão. Ela a tem visto à espreita nos olhos de todos os brancos. Deve ser por ela a aversão, pela sua negritude. Mas sua negritude é estática e medonha. E é a negritude que explica, que cria o vácuo afiado pela aversão em olhos de brancos. ” (Página 58)

O Olho Mais Azul, publicado em 1970, é o primeiro romance escrito por Toni Morrison. Ela que começou uma carreira literária tardia, é autora de obras emblemáticas, nas quais a questão racial e o protagonismo negro sempre se fazem presentes. Não obstante, Morrison também foi a única mulher negra a ter recebido um Prêmio Nobel de Literatura (em 1993). O olho mais azul foi a obra escolhida pela Djamila Ribeiro para a TAG Experiências Literárias no mês de março. Aliás, escolha mais do que certeira já que infelizmente a autora faleceu pouco tempo depois. Foi muito bom conhecer um pouco mais sobre a autora e começar a enveredar por suas obras.

O romance que se passa em Lorain, Ohio, no início dos anos 1940, traz a história de Pecola Breedlove. Uma garota que carrega consigo um sentimento de incompletude, de não pertencimento, de negação por não se achar merecedora de nada por causa de sua aparência. Por ser negra e considerada feia nada lhe é cabível? Por ser negra e considerada feia está destinada a uma vida de sofrimentos e anulações? Esses sentimentos pungentes fizeram Pecola desejar ardentemente ter belos olhos azuis. Olhos que a “tornariam gente” perante os outros. Continuar lendo

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O Palácio dos Sonhos (Ismail Kadaré)

“Havia quem dissesse, por exemplo, que os sonhos solitários das pessoas não passavam de uma fase passageira da humanidade; chegaria o dia em que os sonhos perderiam esta característica e. assim como outros gestos e atos humanos, passariam a ser vistos pelos outros. Assim como um fruto ou semente que passa certo tempo debaixo da terra, até chegar a hora de sair à superfície, também o sonho humano por enquanto estava oculto no sono, mas nada garantia que seria sempre assim. Um dia ele apareceria à luz do dia, ocuparia seu lugar ao lado do pensamento, da experiência e da ação do homem; e só Deus sabia se aquilo seria bom ou ruim, se o mundo ficaria melhor ou pior. ”

(Páginas 71 e 72)

Os sonhos e suas interpretações acompanham a humanidade desde os tempos idos, mas em O Palácio dos Sonhos, Ismail Kadaré alça novos patamares nas aplicações do mundo onírico. Na trama de Kadaré a Albânia continua fazendo parte do Império Otomano (na realidade, a Albânia tornou-se independente do Império Otomano em 28/11/1912 e fez parte dele por mais de 400 anos). E, para garantir a longevidade e o poderio do Império, os governantes controlam os sonhos de todos. O Tabir Saraj, também conhecido como Palácio dos Sonhos, é a instituição encarregada de coletar os sonhos de todos os cidadãos do Império, selecioná-los, classifica-los e interpretá-los com o intuito de isolar os “sonhos-chave” nos quais o destino do Império e do seu tirano poderá ser decifrado. Continuar lendo

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