Arquivo da categoria: Resenhas da Núbia

Logo, Logo (Kelly Weinersmith & Zach Weinersmith)

Em Logo, Logo a bióloga Kelly Weinersmith e o cartunista Zach Weinersmith exploram dez campos tecnológicos em desenvolvimento. Sim, isso mesmo, é um livro de divulgação científica. Nele os autores fornecem em cada capítulo um panorama sobre a tecnologia que está sendo apresentada, em que ponto ela está no momento, quais são os pontos em que precisa melhorar e como seu desenvolvimento mudará nossas vidas (para o bem e para o mal). Também há espaço para notas históricas e políticas sobre figuras que tiveram sua importância no tema que está sendo discutido, e algumas dessas notas são bastante peculiares.

O livro está dividido em três seções que exploram tecnologias que vão do macro ao micro. Na primeira seção está em foco o universo e Kelly e Zach além de esmiuçarem as diferentes proposições teóricas para baratear o lançamento de foguetes, vão além e também discorrem sobre a mineração em asteroides visando a obtenção de matéria prima para a colonização humana do espaço. Pode parecer ficção científica, e realmente muita coisa ainda é, mas há também muita ciência básica e muita tecnologia envolvida, e as projeções são empolgantes. Continuar lendo

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As Últimas Testemunhas (Svetlana Aleksiévitch)

As Últimas Testemunhas, publicado originalmente em 1985, é o segundo livro de Svetlana. Nele ela resgata as memórias de quem era criança durante a devastação da Bielorússia na Segunda Guerra Mundial. Assim como em seus outros livros, neste ela segue experimentando esse gênero literário que muitos ainda relutam em chamar de literatura, o romance-testemunho. A compilação de um coro de vozes, palavras e memórias que podem não pertencer a Svetlana, mas que são ouvidas, sentidas e trabalhadas com empatia e sensibilidade palpáveis. São narrativas arrebatadoras, repositórios de períodos históricos que não podemos nos permitir esquecer.

“Talvez ela tivesse oito anos, talvez dez. Como ia adivinhar pelos ossinhos? Não eram pessoas que andavam ali, mas esqueletos…. Logo ela ficou doente, não conseguia levantar e ir para o trabalho. Eu pedia para ela… No primeiro dia inclusive eu a puxei até a porta, ela se segurou na porta mas não conseguia andar. Passou dois dias deitada, e no terceiro vieram pegá-la e levaram na maca. Só havia uma saída do campo: pela chaminé…. Direto para o céu… ” (Página 146)

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O Canto do Dodô (David Quammen)

“O que ele quis dizer é que um ecossistema – sob certas condições especificáveis – perde diversidade do mesmo modo que uma massa de urânio verte elétrons. Como um gotejamento incessante, extinções ocorrem, constantemente, sem nenhuma causa evidente. Espécies desaparecem. Categorias inteiras de plantas e animais deixam de existir. Quais são as condições especificáveis? Pretendo descrevê-las ao longo deste livro, e também investir contra a ilusão de que os ecossistemas decaem sem causa. ” (Página 12)

Lembro que fiquei com vontade de ler o livro do David Quammen assim que a Companhia das Letras anunciou sua publicação no Brasil (isso lá em 2008), simplesmente por causa do título (tá, também por ser um livro de divulgação científica da área da biologia). Mas ei, qualquer biólogo com um interesse maior em evolução tem um certo fascínio por espécies emblemáticas da história da Terra. As tartarugas e os tentilhões de Darwin, a rã-dourada-do-panamá, os araus-gigantes, o tilacino ou o dodô. Uma agigantada espécie de ave da família dos pombos que vivia em Maurício, aliás endêmica da ilha. Uma espécie que prosperou por um longo tempo, até que a caça perpetrada por nossa espécie a dizimou em menos de um século. Continuar lendo

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A Princesa Prometida (William Goldman)

A Princesa Prometida, de William Goldman, foi publicado em 1973. Em 1987 ganhou um filme (com roteiro do próprio Goldman) que fez da obra um grande sucesso e com grande influência na cultura pop, sendo comum as referências à história de Buttercup e Westley. Apesar disso tudo, tenho de confessar que não conhecia a história de Goldman, nem nas páginas, nem nas telas. E, se não fosse por esse relançamento da Intrínseca, talvez nunca conhecesse essa história que mistura elementos de comédia, aventura, fantasia, romances de capa e espada, histórias de amor e contos de fada. Com tantos elementos diferentes, a história bem poderia ter se tornado uma salada russa, mas Goldman conseguiu colocar ordem na balbúrdia e entregou uma trama fluida, divertida, emocionante e com alguns personagens bastante cativantes (outros você só irá odiar mesmo). Continuar lendo

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Um Banquete Para Hitler (V. S. Alexander)

“Eu, Magda Ritter, fui uma das quinze mulheres que provavam a comida de Hitler. Ele se preocupava obsessivamente com o risco de ser envenenado pelos Aliados ou por traidores.

Depois da guerra, ninguém, exceto meu marido, soube o que fiz. Não falei sobre isso. Não conseguia falar sobre isso. Mas os segredos que eu guardei tantos anos precisam ser libertados de sua prisão interior. Não tenho mais muito tempo de vida. ” (Prólogo, Página 7)

Durante a Segunda Guerra Mundial, Hitler manteve a seus serviços mulheres que atuavam como provadoras. O líder do Nacional-Socialismo se preocupava excessivamente que pudesse ser envenenado e essas mulheres eram usadas como barreiras de proteção. Magda Ritter foi uma dessas mulheres e é sua história que acompanhamos em Um banquete para Hitler. Seu trabalho que a colocou em proximidade com o Führer e, que apesar dos riscos, lhe garantiram uma vida confortável em tempos de guerra; o abrir dos olhos para todo sofrimento impingido pelo regime ao povo; a dor das perdas e a revolta que norteou suas ações derradeiras. Continuar lendo

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Pequenos Incêndios Por Toda Parte (Celeste Ng)

Celeste Ng, em Pequenos incêndios por toda parte, mostrou-se exímia em fazer histórias de pessoas comuns renderem intricadas tramas e narrativas cativantes. Em colocar em discussão assuntos tabu e questões de representatividade com muita naturalidade, desprovida de julgamentos e sem ser determinística entre o certo e o errado. Em mostrar como as escolhas, os mal-entendidos, a falta de comunicação e os atos de desespero espalham pequenos incêndios por aí. Uma casa incendiada na cidade modelo de Shaker Heights (onde tudo tem seu lugar) marca o início dessa trama na qual as pequenas amostras do presente, passado e futuro nos mantém fisgados à espera do porvir. Continuar lendo

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Voragem (Junichiro Tanizaki)

Publicado em 1931, o romance de Junichiro Tanizaki acompanha a história de Sonoko Kakiuchi, uma jovem casada que se apaixona por uma colega do curso de Arte e de repente se vê envolvida em uma trama de intrigas, paixão, chantagem e suspeitas.

Sonoko nunca teve uma vida conjugal feliz, presa a um casamento mais de conveniência do que qualquer outra coisa e no qual sempre faltou amor, por parte dela e do marido. Presa nessa vida monótona, para se distrair, decidiu começar a frequentar as aulas de pintura na Escola Feminina de Artes. Ali ela conhece Mitsuko, de quem primeiro se torna amiga e com quem logo se envolve romanticamente, desesperadamente. Um relacionamento conturbado e bombástico para a época, que não demora a se transformar em um triângulo amoroso com a inclusão de Watanuki, um interesse amoroso do passado de Mitsuko. Aqui começam as dúvidas. Quem é o real interesse amoroso de Mitsuko: Sonoko ou Watanuki? Sonoko foi só a desculpa que Mitsuko encontrou para continuar se relacionando com Watanuki? Como a inclusão deste na trama, a narrativa atinge ares de drama novelesco. As disputas pelo amor de Mitsuko, as escolhas feitas no afã da loucura para garantir um espaço na vida dela, as chantagens decorrentes dessas ações impensadas e os entrames psicológicos nos quais os personagens se veem envolvidos. Continuar lendo

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O Labirinto de Fogo (Rick Riordan)

Atenção, esta resenha trata sobre os acontecimentos do terceiro livro da série As Provações de Apolo (The Trials of Apollo). Por isso, pode conter spoilers, revelando parte do conteúdo dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos demais livros, confira os links no final desta resenha.

O Labirinto de Fogo é o terceiro livro da série As Provações de Apolo, que traz as aventuras e desventuras do adolescente Lester, na verdade o deus Apolo que foi expulso do Monte Olimpo e que agora precisa partir em missões para recuperar seus oráculos das mãos de sanguinários, cruéis e sádicos ex-imperadores romanos. Como já é de praxe nos livros do Riordan, cada livro traz uma missão a ser cumprida nele, mas na série de Apolo, são vários os ajudantes e boa parte deles são velhos conhecidos nossos. Os dois primeiros livros são repletos de humor, piadinhas, poesia e uma vibe que lembra muito os primeiros livros do Riordan. Neste, o humor tão característico é mantido, mas Riordan também nos mostra que é capaz de fazer escolhas difíceis. Continuar lendo

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Tempo de Migrar Para o Norte (Tayeb Salih)

Tayeb Salih nasceu em uma pequena vila na região norte do Sudão. E, apesar de ter se formado em literatura pela Universidade de Cartum, na capital do Sudão, ele deixou o país em 1952 fazendo parte da primeira geração de sudaneses educados na Grã-Bretanha. Por sempre ter se mantido nessa transição entre seu país de origem e o que o acolheu, Tayeb manteve-se conectado às suas raízes orientais, ao mesmo tempo que ao carregar também o ocidente dentro de si, talvez nunca tenha se sentido plenamente em casa quando no seu país de origem. É essa dualidade que Tayeb traz para seu romance. A de um sudanês que se vê dividido entre diferentes costumes, raízes e modos de vida.

“No dia seguinte à minha chegada, acordei na mesma cama, no mesmo quarto cujas paredes haviam sido testemunhas da trivialidade da minha vida na infância e na adolescência. Entreguei meus ouvidos ao vento: é um som deveras conhecido por mim, que, em nossa terra, tem um alegre sussurro. O vento quando sopra entre as palmeiras é diferente daquele que passa pelos trigais. Ouvi o murmúrio da rola e, da janela, olhei para a palmeira do nosso quintal e constatei que a vida continua boa. Contemplando o tronco forte, as raízes fixadas na terra e a copa de folhas verdes, senti-me tranquilo. Não tenho mais a sensação de ser uma pessoa ao vento. Sou como aquela palmeira, uma criatura que tem origem, raiz e objetivo. ” (Página 6)

É assim que o narrador de Tempo de migrar para o norte quer nos mostrar sua felicidade por estar de volta ao Sudão despois de sete anos morando na Europa a estudos. Uma felicidade que acaba não se mostrando tão plena assim e que acaba sendo demonstrada por seu interesse excessivo em Mustafa Said. Um forasteiro que chegou à sua vila natal há cinco anos e se estabeleceu por lá. Um forasteiro que o narrador não demora muito a descobrir que fala inglês fluentemente o que a partir de então, o deixa bastante determinado em desvendar todos os segredos de Mustafa. Seria Mustafa outra alma dividida entre duas culturas assim como ele? Que segredos sórdidos ele estaria escondendo? O narrador tanto o faz que consegue que Mustafa lhe transforme em fiel depositário de sua história. Uma história de superação, de partida em direção ao norte em busca de um futuro melhor, da sedução pelo desconhecido habilmente empregada por Mustafa em seus relacionamentos, dos conflitos culturais e da ruptura interior que essa experiência provocou em Mustafa, eternamente condenado a jamais se sentir em casa, quer seja no exterior ou em seu país, e as ações extremas que isso acabou suscitando nele. Continuar lendo

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Endurance – Um ano no espaço (Scott Kelly)

“Havíamos acelerado de zero a 28 mil quilômetros por hora em apenas oito minutos e meio. Agora, flutuávamos no espaço. Olhei pela janela.

(…)

– Ei, o que diabos é aquilo? – perguntei (…)

– É o nascer do sol – respondeu Curt.

Um amanhecer orbital, o meu primeiro. Eu não fazia ideia de quantos outros veria. Agora já vi milhares, e a beleza deles nunca me cansa.

(..) Quando passamos sobre a Europa, vi uma linha azul e laranja pela janela que se estendia no horizonte à medida que aumentava. Para mim, parecia tinta colorida brilhante em um espelho, bem diante dos meus olhos, e eu soube imediatamente que a Terra seria a coisa mais linda que eu veria. ” (Páginas 230-231)

Ver a Terra do espaço já deve ter sido o sonho de uma a cada três crianças (na verdade essa proporção é inventada porque na realidade não faço a mínima ideia da quantidade de crianças que sonharam/sonham em ser testemunhas, mas imagino que seja um grande número). E para muitas (e eu me incluo nessa) o sonho pode até ter sido substituído, mas o interesse pelo espaço, a torcida pelas viagens tripuladas (e pelos lançamentos de sondas espaciais) e a curiosidade por tudo que cerca a carreira de um astronauta continua. Por isso, Endurance, o livro escrito por Scott Kelly, um astronauta que embarcou na missão de passar um ano na Estação Espacial Internacional (EEI), é cativante. O livro que é uma mistura de biografia, documentário e divulgação científica traz informações desde o processo de seleção de um futuro astronauta, seu treinamento e a designação das missões; passando pela história e funcionamento do programa espacial americano, seus sucessos, fracassos e tragédias; o início da colaboração internacional que culminou na construção da EEI e a transferência dos lançamentos tripulados para a agência espacial russa. Uma pequena informação: desde 2011, com a aposentadoria dos ônibus espaciais, astronautas não deixam a Terra a partir de lançamentos nos Estados Unidos. Agora eles são feitos a partir do Cosmódromo de Baikonur no deserto cazaque, a bordo das naves Soyuz. Continuar lendo

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