Arquivo da tag: Antonio de Macedo Soares (tradução)

O Diário de Zlata (Zlata Filipović)

Se tem algo que o projeto de leitura ‘Volta ao Mundo em 198 Livros’ me proporcionou, foi uma boa “chacoalhada” na minha lista de leituras, quer seja com a aquisição de títulos desconhecidos, com a retirada de pó de títulos “esquecidos” na estante, ou com o incentivo que faltava para ir atrás de títulos que já tinha um bom tempo que desejava ler. Desde que comecei o projeto, sabia que queria ler como representante da Bósnia e Herzegovina o diário escrito por Zlata Filipović entre o período que antecedeu e durante os primeiros anos da Guerra da Bósnia. Quando se fala em guerra e diário, é impossível não se lembrar de Anne Frank, mas a história de Zlata, além do ponto de vista infantil da guerra e suas consequências, não guarda semelhanças com a história da garota alemã. Para início de conversa, seu diário foi publicado em 1993 (no Brasil em 1994) em plena época de conflito. As primeiras fotocópias do diário foram publicadas quando Zlata ainda mantinha seus registros e a publicação aconteceu por influência da UNICEF que queria mostrar a situação das crianças durante a guerra no país para o resto do mundo. Entre o tempo desde as primeiras fotocópias até a edição definitiva que ganhou o mundo, Zlata praticamente se tornou uma espécie de correspondente de guerra. Situação esta, que sem dúvida contribuiu para que ela e a família entrassem na mira da mídia e das autoridades políticas da Europa. A última entrada do diário é do dia 17 de outubro de 1993, mais tarde naquele ano, pouco antes do Natal, ela e os pais receberam a permissão para deixar Saravejo (o que era praticamente impossível sem alguma influência externa) e foram refugiados em Paris. Diferentemente de Anne, Zlata saiu calejada, mas viva da experiência.

A edição brasileira (a que eu tenho é a reimpressão feita em 1997 da edição de 1994) conta com um prefácio escrito por Leão Serva. Serva é jornalista e escritor e foi correspondente durante a Guerra da Bósnia. Com um livro extremamente paradidático para se trabalhar conflitos armados em salas de aula e recomendado para figurar nas bibliotecas escolares, a inclusão do prefácio de Serva tornou a leitura ainda mais completa e contextualizada. Ele dá uma boa pincelada sobre a situação geopolítica da Bósnia e países limítrofes no passado até os dias que antecederam a explosão da guerra civil. Que na época da publicação do diário por aqui, ainda não havia acabado. Continuar lendo

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Maus (Art Spiegelman)

maus

Depois de inúmeros romances e filmes retratando a Segunda Guerra Mundial e os horrores do Holocausto de forma tão trágica e massacrante, é impossível não se perguntar se a sensibilidade, a emoção e o horror conseguiriam ser bem retratados em uma graphic novel. Foi essa a tarefa que Art Spiegelman tomou para si lá em 1973, quando a primeira parte do primeiro volume de Maus foi publicada, este que só seria finalizado em 1986 e que ganharia um segundo (e final) volume finalizado em 1991. A tarefa foi concluída com sucesso, tanto é que no ano seguinte, foi agraciado com o Prêmio Pulitzer de literatura. Na edição brasileira publicada em 2005 pela Companhia das Letras (pelo selo Quadrinhos na Cia.) todas essas partes foram reunidas em um volume único.

Maus, palavra alemã para rato, traz a história de Vladek Spiegelman, pai do autor, um judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz. A história de Art vai se desenrolando perante nossos olhos como uma conversa e para isso ele se coloca como personagem. É Art, que depois de adulto e durante suas visitas ao seu idoso pai, que o convence a compartilhar sua história. São essas conversas, marcadas pela relação não tão próxima entre pai e filho e pelas interrupções de Vladek para corrigir partes da história já anteriormente narradas que encaminham a trama de Spiegelman aos anos pré-Guerra e aos anos de embate propriamente dito. Continuar lendo

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