Arquivo da tag: Bárbara Menezes (tradução)

Todos os Nossos Ontens (Cristin Terrill)

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“É apenas o começo, eu sei. Nunca fiz essa viagem que aquelas 14 versões passadas de mim fizeram, mas a ouvi ser explicada vezes suficientes para saber o que vem depois. Quando as partículas que estão rodopiando abaixo dos meus pés pelos quilômetros de canos, grandes o bastante para darem passagem a um caminhão, enfim baterem umas nas outras quase na velocidade da luz, a explosão será tão poderosa que partirá o próprio tempo. ” (Página 34)

Quatro anos no futuro (presente), Em está presa em uma base militar secreta. Finn também está preso ali, mas a única presença um do outro que eles podem sentir são suas vozes. Em um dia qualquer, Em descobre um papel no ralo de sua cela. Um papel contendo várias anotações, algumas de seu próprio punho (embora ela tenha certeza de que nunca viu o papel antes), e que lhe deixa uma missão: retornar no tempo e evitar a criação de uma máquina do tempo que vai destruir o mundo. Inúmeras vezes ela já tentou e inúmeras vezes ela acabou no mesmo presente terrível. Desistir não é uma escolha.

Quatro anos no passado encontramos Marina, uma garota tímida, idealista e apaixonada pelo melhor amigo James. Mas, quando finalmente ele parecia estar correspondendo aos seus sentimentos, a vida do garoto é despedaçada e a esperança de Marina de um futuro com James está cada vez menor. Continuar lendo

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Diga aos Lobos que Estou em Casa (Carol Rifka Brunt)

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“Observar pessoas é um bom hobby, mas você precisa ter cuidado. Não pode deixar que as pessoas o peguem olhando. Se o pegam, elas o tratam como um criminoso de primeira grandeza. E talvez estejam certas em fazer isso. Talvez devesse ser crime tentar ver nas pessoas coisas que elas não querem que você veja.” página 8.

Diga aos Lobos que Estou em Casa é o primeiro romance de Carol Rifka Brunt, com o qual ela ganhou o Prêmio Alex, da Young Library Services Association. O livro, que se passa em 1987, traz a história de June Elbus, uma garota de 14 anos que tem dificuldade em fazer amigos, tem um relacionamento deteriorado com Greta, sua irmã mais velha, e só se sentia ela mesma na companhia de seu tio (padrinho) Finn, um renomado pintor que perdeu sua vida para a AIDS. A perda do tio faz a vida de June desabar. Sua morte também traz para a vida da garota uma nova pessoa e desenterra algumas verdades dolorosas sobre sua família. E é esse redescobrir de June, o descobrir de uma nova amizade e o reatar de velhas relações, que Carol nos convida a desbravar em seu romance. Continuar lendo

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Uma Chance Para Recomeçar (Lisa Kleypas)

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Lisa Kleypas é muito conhecida por seus romances históricos, mas às vezes, também se envereda por algo mais contemporâneo. E é justamente uma série dessa leva que a Novo Conceito começou a publicar no final do ano passado. A série Friday Harbor conta com quatro livros publicados e um a caminho (?), dos quais, os três primeiros têm como protagonistas os irmãos Nolan, moradores da pequena ilha de San Juan. Uma Chance Para Recomeçar traz a história de Mark, o mais velho dos Nolan, da pequena Holly e de Maggie.

“Não há escolha além de você. Holly não conhece nem um pouco o Sam nem o Alex. Escrevo isso esperando que você nunca tenha de ler, mas, se estiver lendo… cuide da minha filha, Mark. Ajude-a. Ela precisa de você. Eu sei o quanto essa responsabilidade deve parecer enlouquecedora. Sinto muito. Sei que você não pediu isso. Mas você consegue. Vai descobrir como. Comece amando Holly. O resto virá por si.” (Página 11)

Victoria Nolan morreu em um trágico acidente de carro, deixando sua filha Holly sob responsabilidade do seu irmão Mark. Mark, um solteiro convicto, não se sentia muito preparado para o papel, mas assumiu o compromisso. Só que desde o acidente, Holly não diz uma palavra. E Mark acha que não está fazendo um bom trabalho… Continuar lendo

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Vermelho Como o Sangue (Salla Simukka)

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“Lumikki reconhecia aquela sensação. Ela se lembrava de ter olhado para si mesma no espelho em algum momento do outono da primeira série, um pouco antes do Natal, e de ter visto uma menininha assustada e chocada que nunca poderia ter acreditado que algo como aquilo pudesse acontecer com ela. Que algo assim tivesse existido. “Eu não sou mais eu.” Foi o que ela pensou. E era verdade. Ela se tornara outra coisa, um tipo diferente de menina.

Era uma vez uma menina que aprendeu a ter medo.”

(Página 135)

No interior da Finlândia, Natalia Smirnova tentou deixar o “emprego” e voltar para casa, mas a máfia não perdoa e ela é assassinada. No outro dia, três garotos com amnésia pelo uso de entorpecentes, invadem o laboratório de fotografia da escola para lavar dinheiro sujo de sangue.

Lumikki Andersson mora sozinha e estuda em uma conceituada escola. Ela não é uma garota de muitos amigos (para ser mais realista é melhor dizer nenhum) e algo de muito ruim aconteceu com ela no passado. Algo que a transformou em uma caçadora nata de esconderijos. Algo que a fazia sentir medo e o que levou-a a decidir deixar a casa dos pais e a cidade onde morava. E, por ter essa mania de se esconder, Lumikki acaba se deparando com o dinheiro sujo de sangue no laboratório da escola. Ela também descobre quem são os garotos e por descobrir demais, acaba se envolvendo em uma investigação que não queria e que frequentemente coloca sua vida em risco. Isso porque ela acaba presa em uma rede de corrupção envolvendo uma quadrilha internacional. Continuar lendo

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Incendeia-me (Tahereh Mafi)

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“Já estive aqui, digo a mim mesma. Já fui mais solitária do que isso, com menos esperança do que isso, mais desesperada do que isso. Já estive aqui antes e sobrevivi. Posso passar por isso.

Mas eu nunca havia sido tão completamente roubada. Amor e possibilidade, amizades e futuros: foram-se. Preciso começar do zero agora; enfrentar o mundo sozinha de novo. Tenho de fazer uma última escolha: desistir ou ir em frente.” página 16.

A tirar pelos acontecimentos que encerraram Liberta-me e foram revisitados sob um novo ponto de vista em Fragmenta-me, Incendeia-me, o último volume da trilogia Estilhaça-me, tinha tudo para começar com um ritmo frenético e com a batalha dos revolucionários do Ponto Ômega contra o Restabelecimento pegando fogo. Mesmo com todas as perdas e com o movimento revolucionário alquebrado, era de se esperar que um enfoque maior fosse dado a essa batalha para tentar consertar esse mundo desvalido. Contudo, Mafi decidiu focar a história exclusivamente em Juliette. E não, isso não é errado, afinal é justamente por ter esse foco que conseguimos perceber o quanto a personagem mudou ao longo do tempo e o quanto isso reflete-se no estilo da narrativa. A linguagem gráfica com textos tachados e o fluxo de consciência de alguém que se considerava louca, mudou para uma narrativa entrecortada e rápida, característica de alguém que ao libertar os próprios pensamentos viu-se tendo que enfrentar uma verborragia mental alimentada por seus medos e ao poucos chega ao que encontramos aqui: uma narrativa que vez ou outra pode até se mostrar entrecortada, quando a confiança capenga, mas no geral é feita em um texto claro, que transparece a força recém adquirida pela personagem. A forma como Mafi soube modificar sua personagem ao longo da história, inclusive imprimindo no texto as marcas desse processo é um dos pontos positivos de sua narrativa. Como disse manter o foco em Juliette não é errado, afinal é a partir dela que esperamos a catarse que promoverá a mudança nesse mundo, é ela a peça principal na luta contra o Restabelecimento. Só que todo esse movimento catártico fica relegado a segundo plano e o que antes tinha bastante espaço sim, mas não era o único foco, torna-se dominante em Incendeia-me: o romance. A história que tinha despontado como um romance em meio ao caos distópico, ganhou ares de história de heróis, ganhou uma verve política, e prometeu muito mais para no fim ser apenas um romance em meio ao caos distópico. Continuar lendo

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Fragmenta-me (Tahereh Mafi)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos ocorridos entre o segundo e o terceiro livro da trilogia Estilhaça-me e pode haver spoilers sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei dos livros anteriores, confira os links no final desta resenha. 

fragmenta-me

Assim como Destrua-me serviu de ponte para os acontecimentos narrados nos dois primeiros livros da trilogia de Mafi, agora cabe a Fragmenta-me preparar o terreno para os acontecimentos derradeiros envolvendo a luta dos rebeldes do Ponto Ômega contra o Restabelecimento. 

“O simples fato de ver o rosto dela ainda faz meu peito doer, mas a verdade é que eu não tenho mais ideia do que está acontecendo entre nós. Prometi a ela que encontraria uma maneira de passarmos por isto – e tenho treinado como um condenado, como sempre fiz -, mas, depois da noite passada, não vou mentir: estou um pouco apavorado. Tocar nela é mais sério do que já pensei. ”

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