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Um Autor de Quinta #85

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

 Katherine-Boo

Katherine Boo

Katherine J. Boo nasceu no dia 12 de agosto de 1964. Ela cresceu nos arredores de Washington, D.C., para onde a família se mudou quando o pai assumiu o cargo de assessor de Eugene McCarthy. Ela graduou-se com honras na faculdade Barnard College filiada à Universidade de Columbia.

Boo é uma jornalista premiada e conhecida principalmente por seus trabalhos sobre pessoas de comunidades pobres e desfavorecidas. Sua carreira no jornalismo começou no Washington’s City Paper, até que foi contratada pelo Washington Post onde trabalhou de 1993 a 2003. Seu primeiro “trabalho grande”, aliás, foi um perfil do Al Gore, o tipo de trabalho que ela admitia que não fazia muito sua praia. Ela não queria escrever perfis sobre pessoas que estavam no poder, seu interesse residia em saber mais sobre as vidas dos mais pobres do país. Acompanhá-los, ouvi-los, descobrir como viviam, evidenciar os locais necessitados de reformas políticas e sociais. Em 2000, sua série de reportagens sobre casas de assistências (group homes) para pessoas com retardo mental lhe garantiu o Prêmio Pulitzer por Serviços Públicos. Segundo os juízes do prêmio, seu trabalho evidenciou a negligência para com essas casas (além de ter revelado dezenas de mortes inexplicáveis) e obrigou as autoridades a começarem reformas para suprir essas carências. Em 2003, Katherine se juntou ao staff do The New Yorker. Continuar lendo

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Em Busca de um Final Feliz (Katherine Boo)

“- Tudo ao nosso redor são rosas. – Era como o irmão caçula de Abdul, Mirchi, colocava as coisas. –E nós somos a bosta no meio disso.”

Aterrissagem no Aeroporto de Mumbai, Índia. (Travfotos; flickr.com / Creative Commons)

Aterrissagem no Aeroporto de Mumbai, Índia. (Travfotos; flickr.com / Creative Commons)

Do alto dos aviões, os tapumes que beiram o high-tech com seu brilho prateado não conseguem servir ao seu propósito. Annawadi e outros trinta assentamentos irregulares estão destinados a serem a primeira imagem na retina dos que chegam e a lembrança indesejada dos que deixam Mumbai pelo Aeroporto Internacional. A imagem que estava destinada a ser apenas isso, um retrato estático do encontro entre a opulência dos hotéis cinco estrelas e a miséria daqueles que vivem à sombra dos neons e do lixo gerado pelo consumo de luxo, ganha cor e escancara a vida borbulhante daqueles que lutam diariamente e buscam soluções as mais criativas o possível para se reinventar e criar um futuro que extrapole as fronteiras excludentes de Annawadi, que lhes permita vencer a barreira entre a pobreza e a vida levada pelos ricos.

TRIBHUVAN TIWARI

Foto: Tribhuvan Tiwari

Traduzir toda essa agitação em palavras para fazer um dos relatos mais detalhistas e reais da vida das castas mais baixas da Índia na era da globalização foi a tarefa que Katherine Boo, uma jornalista americana que passou mais de 20 anos fazendo reportagens dentro de comunidades pobres, tomou para si. Mas, mais do que narradora ela permitiu que os moradores de Annawadi contassem sua história e para isso de novembro de 2007 à março de 2011 ela vivenciou o dia-a-dia da comunidade e documentou a experiência dos moradores da favela, além de registros públicos conseguidos após várias petições. Foi assim que surgiu o livro Behind the Beautiful Forevers publicado em 2012 e traduzido e publicado pela Editora Novo Conceito este ano sob o título de Em Busca de um Final Feliz.

Em-Busca-de-um-Final-Feliz

“É fácil quando se está a uma distância segura, deixar de lado o fato de que as áreas pobres dentro da cidade são governadas pela corrupção, onde pessoas exaustas rivalizam em um terreno limitado e onde é dolorosamente difícil ser bom. O grande espanto é que, na verdade, algumas pessoas são boas e que muitas tentam ser.”

Quando a Novo Conceito disponibilizou a lista de lançamentos para a solicitação de exemplares, de início não havia pedido Em Busca de um Final Feliz para resenhar. Tinha receios de que a história descambasse para a “glamorização” da pobreza como bem citado pelo Zeca Camargo no prefácio, mas, ao mesmo tempo me vi curiosa para conhecer mais profundamente a Índia pouco mostrada e citada de forma superficial nos romances que li que se passavam naquele país. Pedi o livro e comecei a leitura sem esperar muito da obra, mas de repente me peguei cativada pelo relato de Katherine e pelos moradores de Annawadi. Abdul e seu negócio rentável de reciclagem de lixo que mantém a família Husain acima da linha da miséria, mas que de uma hora para outra, vê sua vida explodir depois das ações desesperadoras de Fátima Perna-Só; Kamble e a impossibilidade de arranjar emprego por não ter como fazer uma cirurgia, paga pelo governo, mas cobrada por baixo dos panos pelos médicos; Asha e sua busca incessante pelo poder, ainda que para isso tenha que mergulhar na mais sórdida corrupção; Sunil e a esperança ingênua de conseguir ‘ser alguém’ catando lixo; Manju e a esperança de se tornar a primeira mulher de Annawadi a se formar na faculdade e a vontade de se dedicar à educação em um país no qual 60% dos professores da rede pública não tem formação superior.

Pegando como ponto de partida, a ação desmedida de Fátima Perna-Só de atear fogo ao próprio corpo e acusar o pai, a irmã e o próprio Abdul de levarem-na a tal ato. Trabalho esse facilitado pelo sistema jurídico altamente corrupto, que não perde tempo em tentar extorquir todo dinheiro que puder dos que caem em suas teias. Boo vai contando uma história que poderia se passar por um romance de ficção e dos bons, mas, infelizmente é a história nua e crua retratada aqui e o quadro não é nada bonito, ainda que a esperança sempre esteja presente como uma boia salva-vidas solitária na qual todos se agarram como podem.

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