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Para Poder Viver (Yeonmi Park)

“Ao longo de minha jornada, vi os horrores que seres humanos podem infligir uns aos outros, mas também testemunhei atos de ternura e bondade e sacrifício nas piores circunstâncias imagináveis. Sei que é possível perder parte de sua humanidade para sobreviver. Mas também sei que a centelha de dignidade humana nunca se extingue por completo e que, se lhe forem dados o oxigênio da liberdade e o poder do amor, poderá voltar a crescer.

Esta é a história das escolhas que fiz para poder viver. ” (Página 18)

Para Poder Viver é o livro autobiográfico da norte-coreana Yeonmi Park. Nascida em uma família que caiu em desgraça perante o governo, de uma vida confortável (na medida do possível) acabou na miséria. O desespero provocado pela fome, pelas condições insalubres de moradia e pelo regime ditatorial norte-coreano, levou primeiro a sua irmã mais velha, e depois ela e sua mãe, a fazerem a arriscada travessia do Rio Yalu, que separa Hyesan (sua cidade natal) de Chaingbai, e se aventurarem na China. Uma jornada que começa perigosa e se torna desesperadora. É aqui que Yeonmi descobre o poder da resiliência e encontra dentro de si a força necessária para enfrentar as dificuldades. Da Coreia do Norte até a chegada e o asilo político na Coreia do Sul, houveram o desapontamento com os líderes de sua nação, o terror de ter tido o pai preso e enviado para um dos piores campos de trabalho forçado, a esperança do retorno dele para casa, o desalento da situação familiar cada vez mais crítica perante a sociedade, o anseio por algo que não se sabe bem o que é, o terror de ter a liberdade (tão próxima) retirada de suas mãos e um novo tipo de encarceramento, a fuga (quase suicida) pelo deserto e o reencontro com a esperança. Continuar lendo

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Persépolis (Marjane Satrapi)

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Depois de um tempo me dedicando às graphic novels mais fofinhas e coloridas, decidi que era chegada a hora de partir para uma com um tema mais sóbrio e Persépolis, que já estava há um bom tempo na estante, foi a escolhida, marcando assim a minha estreia em dois nichos dos quadrinhos: as graphic novels autobiográficas e os quadrinhos iranianos.

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Marjane Satrapi nasceu em Rasht, no Irã, em 1969. Aos dez anos se viu obrigada a usar o véu islâmico e a frequentar uma escola só para garotas. Ela vivenciou a derrubada do Xá em 1979 por meio de uma revolução popular que posteriormente acabou se transformando em um regime ditatorial. Com a violência perpetrada pelo regime cada vez mais frequente e a guerra contra o Iraque contribuindo para fazer ainda mais vítimas, Marjane ficou cada vez mais revoltada contra o sistema. E isso só foi possível porque a garota apesar de não ter a cultura do país renegada de sua educação, foi criada em um ambiente bastante aberto às discussões políticas e sociais e à cultura ocidental. Uma educação progressista que a tornou naturalmente questionadora e a colocou em rota de colisão contra o governo, motivo pelo qual os pais tiveram que a enviar para morar no exterior durante uma grande parte de sua adolescência. Depois de retornar ao Irã, onde concluiu seus estudos, Marjane mudou para a França onde atua como autora e ilustradora. Foi ali, na França, que ao ser questionada sobre sua história por seus amigos, surgiu Persépolis. Uma obra autobiográfica escrita em francês e publicada originalmente em quatro volumes, que foram traduzidos e reunidos em um volume único pelo selo Quadrinhos na Cia da editora Companhia das Letras (a obra também foi publicada no formato original de quatro volumes). Continuar lendo

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Love me do (Paolo Hewitt)

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“O nome era reflexo dessa ideia de vínculo, da mentalidade de bando por eles construída, a qual os fez atravessar a beatlemania relativamente ilesos e que – como mostra este livro – dura até hoje. Os Beatles eram uma gangue de quatro personalidades distintas que criaram sua própria família.(…)

Os Beatles se amavam e brigavam na mesma medida, como irmãos, o que só acrescenta mais charme à coisa toda.”

 pág. 7”

 

Paolo Hewitt, jornalista conhecido por seus livros de não-ficção sobre moda, música e cultura popular, traz neste livro cinquenta momentos históricos do quarteto mais famoso de Liverpool e do mundo. Assim que vi que Love me do seria um dos lançamentos de abril da editora Verus, meu lado beatlemaníaco foi acionado e depois que li o primeiro capítulo disponibilizado por eles, o qual, diga-se de passagem, eu devorei, sabia que tinha que tê-lo em mãos. Então, desculpe-me antecipadamente caso eu me empolgue, ou esta resenha acabe ficando repleta de elogios, como fã da banda foi impossível me conter.

Em Love me do, Hewitt traz um apanhado geral da história dos Beatles e faz isso destacando, esmiuçando e opinando sobre alguns eventos significativos da carreira da banda. Cinquenta fatos para comemorar os cinquenta anos de lançamento do álbum de estreia da banda, que também empresta seu nome ao livro (a obra foi publicada originalmente em 2012, Love me do o álbum de estreia do grupo foi lançado em 1962). Mais de cinquenta anos que longe de arrefecer o sucesso que o grupo experimentou em seu auge, só fizeram perdurar a influência de suas músicas por várias gerações. E foi esse fascínio, quase mítico, que levou Hewitt a enveredar mais profundamente na história do grupo para trazer à tona alguns fatos conhecidos e outros tantos obscuros que fizeram e fazem dos Beatles uma das melhores bandas de todos os tempos. Continuar lendo

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Na África Selvagem (Mark Seal)

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Muitos jovens quando decidem que querem ser biólogos, se sentem primariamente encantados pela vida marinha. Isso nunca aconteceu comigo. Não que um bando de baleias jubartes ou de grandes arraias seja feio, mas quando criança o que me deixava fascinada não eram os programas que abordavam o mundo azul. Os que me fascinavam eram os que mostravam as grandes planícies africanas e suas matizes de laranja. Então, é claro que não poderia deixar de ler o livro do Mark Seal, um livro que nos permite conhecer um pouco mais sobre a aventura que é ser um cinegrafista da vida selvagem, um livro que nos conta a história de uma mulher africana que morreu lutando pela preservação da biodiversidade do seu país.

No dia 13 de janeiro de 2006, Joan Root, cineasta da vida selvagem junto com o ex-marido Alan Root e ambientalista, foi assassinada em sua casa à beira do Lago Naivasha no Quênia com tiros de fuzis AK-47 aos 69 anos. Essa poderia ter sido mais uma notícia e parado por aí, mas Mark Seal enxergou aí a oportunidade de mostrar para o mundo quem foi Joan Root. A Joan que durante muito tempo foi companheira de profissão de seu ex-marido e aquela que após a separação encontrou na defesa da natureza sua razão de viver. O livro é baseado em entrevistas, depoimentos e nos diários e cartas que Joan escrevia. E está repleto de fatos sobre a vida de Joan, mas, além disso, de dados curiosos e fatos sobre a vida de outros grandes naturalistas. Só para citar alguns exemplos: você sabia que foi o casal Root que apresentou os gorilas-das-montanhas à zoóloga Dian Fossey? Ou que Stephen Jay Gould dizia que uma conversa com Joan acabava por render-lhe ótimos exemplos para serem utilizados em seus livros de divulgação científica? Continuar lendo

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Um Louco Sonha a Máquina Universal (Janna Levin)

Não é só o mundo literário que coleciona figurinhas intrépidas, diferentes, loucas, dementes… o desenvolvimento científico sempre foi pautado por personagens no mínimo estapafúrdios, que nada deixavam a desejar a imagem que fazemos do típico cientista maluco. Confesso que dá medo, ainda mais quando você está inserida no mundo acadêmico e científico, sei lá vai que um belo dia você acorda acha que o mundo não está certo, literalmente perde uns parafusos e decide acabar com a própria vida? Sai pra lá!

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