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Sagrado (Dennis Lehane)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do terceiro livro da série dos detetives Kenzie & Gennaro e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos dos livros anteriores. Para saber o que eu achei dos outros livros, confira os links no final desta resenha.

Sagrado_lehane

Dando continuidade aos meus planos de ler a série protagonizada pelos detetives Kenzie e Gennaro na ordem cronológica, chego ao terceiro volume. E, após as perdas recentes e a violência escancarada que adentrou às vidas de Patrick e Angie há poucos meses (Apelo às Trevas), neste volume, Lehane atinge novos patamares com seu humor sarcástico. Angie e Patrick estão mais afiados do que nunca, o que contribuiu para tornar a leitura de Sagrado ainda mais ágil. Ele também não poupou nas reviravoltas…

“Talvez a honra estivesse em seu ocaso. Talvez ela já estivesse em declínio havia muito tempo. Ou, pior: talvez ela nunca tivesse passado de uma ilusão.

Todo mundo é suspeito. Todo mundo é suspeito.

Aquilo estava virando o meu mantra. ” (Página 208)

Desde os eventos trágicos há poucos meses atrás, Angie e Patrick fecharam o escritório e decidiram deixar o trabalho de detetives em estase. Mas, alguns clientes como o milionário Trevor Stone não aceitam a porta fechada. Trevor quer saber o que aconteceu com sua bela e deprimida filha. E, quando o antigo mentor de Patrick que já fora contratado anteriormente para resolver esse mesmo caso, também se encontra desaparecido, os detetives se veem envolvidos em uma caçada que envolve uma empresa que oferece terapias para a dor, meandros religiosos e evidências bastante enganosas. Nada é o que parece, e se Lehane pode tornar um caso aparentemente simples em algo intricado, é claro que ele o irá fazer. Mas, sem quebrar o ritmo da narrativa e sem utilizar a estratégia em demasia. Continuar lendo

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Apelo às Trevas (Dennis Lehane)

Atenção, esta resenha trata dos acontecimentos do segundo livro da série dos detetives Kenzie & Gennaro e pode haver spoilers (evitados ao máximo) sobre fatos do livro anterior. Para saber o que eu achei do primeiro livro, confira os links no final desta resenha.

 apelo às trevas

Na segunda aventura do casal de detetives Patrick Kenzie e Angela Gennaro, Lehane deixa o cenário político e os conflitos sociais da primeira aventura para trás e resolve investir no lado pessoal de seus protagonistas, o que de certa forma também contribui para que os personagens coadjuvantes também ganhem mais espaço. Se dessa vez o jornalista Richie apenas faz aparições pontuais, Lehane mais do que nunca usa e abusa do estranho Bubba que nos cativa de um jeito mórbido e incongruente e dos policiais Devin e Oscar que sempre garantem ótimos diálogos. Mais do que nunca fica claro, que apesar do aparente formato “caso da vez”, seus romances são mais que isso, e não só pela intensa relação entre Patrick e Angie que cada vez fica mais intensa, como também pela importância do histórico dos personagens no desvendar dos crimes. Se em Um Drink Antes da Guerra eles acabaram na linha de fogo por escolha própria, aqui eles já eram alvo (principalmente Patrick) por ações há muito esquecidas. Continuar lendo

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Um Drink Antes da Guerra (Dennis Lehane)

UmDrinkAntesdaGuerra

Um Drink Antes da Guerra foi publicado em 1994 e marca a estreia de Lehane na ficção policial. É neste romance que também somos apresentados à dupla de detetives que protagonizam muitos dos livros publicados pelo autor: Patrick Kenzie e Angela Gennaro. Confesso que a dupla não me era desconhecida, há muito tempo já havia lido Gone, Baby, Gone e naquela época já havia sido cativada pela narrativa sombria e ácida de Lehane e por seus personagens.

“Pessoas morreram no verão passado. Quase todas inocentes. Algumas mais culpadas que outras.
E pessoas mataram no verão passado. Nenhuma delas era inocente. Sei disso; fui uma delas. Por trás do cano de um revólver, mergulhei o olhar em olhos dominados pelo medo e pelo ódio, e neles vi meu reflexo. Apertei o gatilho para fazer com que desaparecesse.
Ouvi o eco de meus tiros, senti o cheiro de explosivos e, na fumaça, continuei a ver meu reflexo, e me dei conta de que sempre haveria de vê-lo.”

Os clientes da vez são três homens com bastante influência no jogo político da cidade de Boston: os senadores Sterling Mulkern e Brian Paulson e o deputado Jim Vurnan. O trabalho? Recuperar documentos comprometedores que podem afetar um projeto de lei polêmico na próxima semana. Esses documentos foram roubados por Jenna Angeline, faxineira dos gabinetes de Mulkern e Paulson, que está desaparecida há nove dias. Só que quando Patrick encontra Jenna, descobre que há muito mais nessa história do que os políticos deixaram entender. E depois disso, a tarefa de encontrar Jenna e avisar os políticos toma um rumo completamente inesperado, principalmente quando as informações colhidas por Jenna a transformam em vítima e colocam Kenzie no fogo cruzado de gangues de rua. Continuar lendo

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Um Autor de Quinta #39

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

Dennis Lehane

Dennis Lehane nasceu e foi criado em Dorchester, uma cidade na vizinhança de Boston (EUA) e continua a morar nos arredores da grande metrópole. Lehane é graduado pelo Boston College High School, Eckerd College (onde descobriu a paixão pela escrita) e participou do programa de escrita criativa da Florida International University. Antes de tornar-se escritor em tempo integral, Lehane trabalhou como conselheiro de crianças com deficiência mental e que sofreram abusos, garçom, manobrista, condutor de limusines, carregador de carretas e livreiro.

O autor escreve novelas policiais e as principais características de suas obras são o ar lúgubre e a forte carga psicológica de suas histórias, sendo por isso considerado um dos representantes do gênero noir na literatura. No Brasil, os livros do autor são publicados pela editora Companhia das Letras. Continuar lendo

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Ilha do Medo/Paciente 67 (Dennis Lehane)

Não há como negar, Lehane fulgura no rol dos mestres da ficção policial, seja nos livros co-estrelados pelos detetives Kenzie e Gennaro, ou nos fora da série como é o caso de Sobre Meninos e Lobos e Ilha do Medo. O autor consegue imprimir uma atmosfera tão sombria e sufocante em seus livros, com tramas de ritmos tão intensos, que até quando a fórmula utilizada pode ser considerada batida, ele consegue nos deixar ofegantes em muitos momentos e embasbacados em tantos outros.

Em 1954, Teddy Daniels desembarca na ilha Shutter junto com seu novo parceiro Chuck Aule, para investigar a fuga de uma interna do hospital psiquiátrico Ashecliffe para criminosos. E aqui um adendo a bem trabalhada relação entre os dois xerifes. Teddy é o que já passou por tragédias na vida, cético, certeiro e direto em suas perguntas e austero, Chuck por outro lado é dono de uma ironia sarcástica premente. É o primeiro caso dos dois detetives juntos, mas a dupla funciona de forma instantânea, piadinhas, complementação de teorias… Percebe-se claramente que há um compartilhamento tácito de ideias entre os dois, mas tudo de forma bem natural, em nenhum momento parece forçado, já que a estranheza ao novo e o receio entre os fatos desconhecidos entre um e outro também está presente. Continuar lendo

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