Arquivo da tag: Editora Alfaguara

Colecionando Textos #38

 

 

*Feito no Canva.
Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Colecionando Textos, Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Primavera Num Espelho Partido (Mario Benedetti)

Depois de me enveredar por histórias em meio a regimes ditatoriais, no Brasil e no Oriente Médio, acabei indo parar no Uruguai. O livro de fevereiro da TAG Curadoria (indicação do autor Julián Fuks) foi Primavera num espelho partido, escrito por Mario Benedetti quando se encontrava na Espanha em um exílio que já durava mais de dez anos em decorrência da repressão militar no Uruguai.

“Reorganizar-se no exílio não é, como se diz tantas vezes, começar a contar do zero, mas começar de menos quatro ou menos vinte ou menos cem. ” (Página 102)

O romance foi escrito no período após o plebiscito de novembro de 1980 que marcou o início do processo de abertura e redemocratização política do Uruguai, mas apesar do período esperançoso, Benedetti não deixa de mostrar o amargor e a solidão dos que tiveram a vida interferida pelo regime. Especialmente de Santiago e sua família. Ele que foi preso pelo regime e sua família, esposa, filha e pai que se viram obrigados a buscar asilo longe de seu país. Benedetti traz um retrato do cotidiano maculado pela ditadura. Para fazer isso, ele traz um romance polifônico, no qual a realidade de muitos exilados e presos políticos se mescla a ficção da história de Santiago. Continuar lendo

1 comentário

Arquivado em Desafios Literários, Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia, Volta ao Mundo em 198 Livros

Colecionando Textos #37

 

 

*Feito no Canva.

Deixe um comentário

Arquivado em Colecionando Textos, Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Colecionando Textos #30

 

 

*Feito no Canva.

Deixe um comentário

Arquivado em Colecionando Textos, Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Nada (Carmen Laforet)

 

Nada, romance de estreia da espanhola Carmen Laforet, foi publicado em 1944, quando ela só tinha 23 anos, e é considerada a segunda grande obra do movimento tremendismo: “corrente estética espanhola do século 20 que advoga, na expressão da realidade pela literatura e artes plásticas, o exagero dos aspectos mais crus da vida (Dicionário Houaiss) ”. O movimento surgiu como resposta ao contexto de miséria e desilusão do pós-Guerra Civil, e é nessa atmosfera sufocante e desalentadora que encontramos Andrea, a protagonista de Laforet.

É nessa desolada Barcelona, do início dos anos 1940, que a jovem Andrea chega cheia de planos e aspirações para estudar Letras. Ao deixar a vida no interior, ela sonha com as perspectivas que a vida na cidade grande pode lhe trazer. Mas as ilusões logo começam a cair por terra, a começar por seus familiares e a casa que tanto marcou as memórias de sua infância. O casarão na Rua Aribau sempre fora sinônimo de mesa farta, de longas brincadeiras no quintal e de ricos passeios pelas agitadas ruas de Barcelona. Mas não é isso que a espera agora. A casa das memórias da infância de Andrea está mudada, o avô já se foi, a avó tem dificuldades em lembrar, tia Angustias está amarga e os tios guardam feridas internas deixadas pela Guerra Civil. Para piorar, Gloria, esposa de tio Juan, é o ponto de discórdia entre eles. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia, Volta ao Mundo em 198 Livros

Um Autor de Quinta #64

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

 principal-kyoichi-katayama_1_grande

Kyoichi Katayama

Kyoichi (片山 恭) nasceu em 5 de janeiro de 1959 no distrito de Ehime no Japão. Ele é graduado pela Universidade de Kyushu e atualmente vive em Fukuoka.

Kyoichi iniciou sua carreira literária em 1986 com a publicação do livro Kehai (Sign), o qual ganhou o Prêmio Bungakkai Newcomers. Após ele, publicou outros livros, mas nenhum alcançou tanta repercussão quanto Socrates in Love (ou Crying Out Love, In the Center of the WorldUm grito de amor ao centro do mundo) publicado em 2001 e considerado o romance que mais vendeu no Japão, além de ser sua obra mais conhecida fora do território nipônico. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Um Autor de Quinta

Um Autor de Quinta #60

Coluna inspirada no Uma Estante de Quinta da Mi Muller do Bibliophile. Pretendemos toda quinta-feira trazer informações, curiosidades e algumas dicas de leituras e afins sobre algum(a) autor(a).

 KDphoto

Keith Donohue

Keith Donohue nasceu em 1 de janeiro de 1960 em Pittsburgh na Pensilvânia. Obteve seu bacharelado e o seu mestrado em Artes pela Universidade de Duquesne e seu doutorado em Inglês pela Universidade Católica da América. Seu primeiro romance, The Stolen Child, foi publicado em 2006 e recebido muito bem pelos críticos, chegando a lhe render o prêmio de melhor romance adulto do Mythopoeic Fantasy Award em 2007.

Atualmente ele é diretor de comunicações da Comissão de Publicações e Registros Históricos do Arquivo Nacional de Washington DC. Ele também escreve artigos para o The New York Times, Washington Post, entre outros jornais. Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Um Autor de Quinta

A Criança Roubada (Keith Donohue)

Pode alguém assumir o lugar de outro a perfeição? Keith Donohue nos mostra que sim, pelo menos à primeira impressão em seu livro A Criança Roubada. O autor nos apresenta os hobgoblins ou fadas das florestas, criaturas que permeiam o imaginário popular e que mostram ser muito reais e capazes de um ato terrível… ao se tornar um changeling essas criaturas trocam de lugar com uma criança, escolhida à dedo, assumem suas feições, sua vida e a criança torna-se um hobgoblin.

Foi o que aconteceu com o garotinho Henry Day em 1949. Ao fugir de casa, teve sua vida roubada e usurpada por um desses seres e se viu ele mesmo transformado em um. Passamos então a acompanhar o processo de adaptação do changeling em Henry Day e o de Henry Day em Aniday. Encantamos-nos por Aniday e também pelo suposto Henry Day. A descrição que Donohue faz desse processo é rica em detalhes, sensível e enternecedora. Os processos de aprender viver na floresta e o de aprender viver em uma casa de humanos, apesar de tão díspares, mostram-se semelhantes. O processo se resume a luta pela sobrevivência e a busca pelo eu. Aniday luta para não esquecer seu eu anterior, não deixar escapar entre os fios das memórias tão frágeis as sensações, rostos e lembranças de sua família. Enquanto Henry Day luta contra a verdade de que ele antes era um changeling, verdade esta que ele não consegue deixar para trás. Continuar lendo

4 Comentários

Arquivado em Lendo aleatoriamente, Resenhas da Núbia

Um Grito de Amor do Centro do Mundo (Kyoichi Katayama)

Com o título original de Sekai no chushin de ai wo sakebu, Um grito de amor do centro do mundo é o primeiro título do autor (que iniciou sua carreira literária em 1986) a ser traduzido e publicado no Brasil. O tema abordado no livro já foi utilizado à exaustão em tantas outras obras literárias e cinematográficas: uma história de amor que será interrompida bruscamente por uma tragédia, quem já leu Love Story ou Um Amor Para Recordar sabe do que estou falando. Então, quer dizer que é só mais um livro sobre isso e não traz nada de novidade? Não é bem assim, ainda que o enredo siga a velha fórmula explicitada acima, a beleza da história está em acompanhar o desenrolar da relação entre os personagens e as memórias do protagonista.

“Tudo aconteceu num intervalo de quatro meses; praticamente o de uma única estação do ano. Foi nesse curto espaço de tempo que uma garota desapareceu desse mundo. Se considerarmos que existem seis bilhões de habitantes, certamente sua perda é insignificante. Mas não estou com esses seis bilhões. Estou num lugar em que uma única morte extinguiu todos os meus sentimentos. Estou num lugar assim. E nesse lugar sou aquele que não vê, não ouve e não sente mais nada…”

Continuar lendo

14 Comentários

Arquivado em Resenhas da Núbia